domingo, 1 de novembro de 2026

O PT E A LUTA DE CLASSES

 O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma das maiores expressões da organização política da classe trabalhadora brasileira e reúne milhões de filiados em todo o país. É formado por trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, professores, educadores, cientistas, escritores, poetas, artistas, intelectuais e militantes sindicais e dos movimentos sociais, unidos por diferentes bandeiras e pela defesa de um Brasil mais justo, democrático, fraterno e com distribuição de riquezas.

Nossa luta histórica é por um país onde a riqueza produzida pelo trabalho não fique concentrada nas mãos de uma pequena parcela da sociedade, enquanto milhões de brasileiros enfrentam a pobreza, a fome e a falta de oportunidades.

Temos experiências concretas para apresentar. Os governos do PT desenvolveram políticas públicas que contribuíram para retirar o Brasil do Mapa da Fome, reduzir a pobreza extrema, ampliar o acesso à educação, fortalecer os direitos sociais e promover oportunidades para milhões de brasileiros. Essas conquistas fazem parte da história que defendemos, sem deixar de reconhecer que toda organização política precisa ser permanentemente cobrada, fiscalizada e aperfeiçoada.

O combate à corrupção também deve ser uma bandeira permanente. O dinheiro público pertence ao povo e precisa ser administrado com transparência, responsabilidade e respeito. Nenhum partido está acima da fiscalização, e qualquer denúncia deve ser apurada com seriedade, sem condenações antecipadas e sem julgamentos seletivos.

O PT nasceu das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras e tem, em sua trajetória, o compromisso com a defesa dos direitos trabalhistas, da democracia, da justiça social e dos setores historicamente marginalizados. Nossa referência é uma sociedade fundamentada na fraternidade, na solidariedade, na igualdade de oportunidades, na equidade e nos direitos humanos.

Por isso, chamar indiscriminadamente o petista de ladrão não é apenas uma ofensa a um partido. É desrespeitar milhares de trabalhadores, militantes e pessoas que dedicam parte de suas vidas à organização popular e à construção de um projeto de transformação social. Quem comete irregularidades deve responder individualmente por seus atos, independentemente de partido ou posição social. Mas não podemos aceitar que a generalização seja utilizada como instrumento de perseguição política e desqualificação da militância popular.

A luta de classes também aparece na disputa entre projetos de sociedade: de um lado, os interesses daqueles que defendem a concentração de riquezas e a preservação de privilégios; do outro, os que lutam pela distribuição de renda, pela valorização do trabalho e pela garantia de direitos.

É importante lembrar que, na perspectiva do Evangelho, Jesus de Nazaré fez uma opção pelos pobres, pelos humildes e pelos excluídos. Em Lucas 18:24-25, encontramos sua advertência: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.

E Maria, sua mãe, no Magnificat, registrado em Lucas 1:52-53, proclamou uma mensagem de transformação social:

“Derrubai dos seus tronos os poderosos e exaltai os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.”

Essa mensagem continua provocando nossa consciência diante das desigualdades sociais.

É contraditório ver trabalhadores, pessoas pobres e cidadãos que dependem dos serviços públicos defenderem, sem reflexão crítica, projetos políticos que priorizam a concentração de riquezas, a redução de direitos e a manutenção de privilégios. É o que podemos chamar de alienação de classe: quando alguém deixa de reconhecer seus próprios interesses sociais e passa a defender projetos que favorecem grupos economicamente privilegiados.

Não se trata de impedir ninguém de pensar diferente ou escolher seu partido. Trata-se de compreender que a consciência política exige conhecimento, leitura de mundo e reconhecimento da própria realidade social.

Nem Jesus de Nazaré escapou daqueles que se incomodavam com sua mensagem de justiça, partilha e libertação.

A luta de classes continua presente na sociedade brasileira. E o PT, com sua história, suas contradições, suas conquistas e seus desafios, faz parte dessa disputa política e social.

Afinal, a quem interessa a concentração de riquezas? E quem deve lutar para que o fruto do trabalho seja compartilhado com justiça?

Leonardo Sampaio

Educador, professor, poeta, escritor e memorialista.

 

Nenhum comentário: