O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma das maiores expressões da organização política da classe trabalhadora brasileira e reúne milhões de filiados em todo o país. É formado por trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, professores, educadores, cientistas, escritores, poetas, artistas, intelectuais e militantes sindicais e dos movimentos sociais, unidos por diferentes bandeiras e pela defesa de um Brasil mais justo, democrático, fraterno e com distribuição de riquezas.
Nossa luta histórica é por um país onde a riqueza
produzida pelo trabalho não fique concentrada nas mãos de uma pequena parcela
da sociedade, enquanto milhões de brasileiros enfrentam a pobreza, a fome e a
falta de oportunidades.
Temos experiências concretas para apresentar. Os
governos do PT desenvolveram políticas públicas que contribuíram para retirar o
Brasil do Mapa da Fome, reduzir a pobreza extrema, ampliar o acesso à educação,
fortalecer os direitos sociais e promover oportunidades para milhões de
brasileiros. Essas conquistas fazem parte da história que defendemos, sem
deixar de reconhecer que toda organização política precisa ser permanentemente
cobrada, fiscalizada e aperfeiçoada.
O combate à corrupção também deve ser uma
bandeira permanente. O dinheiro público pertence ao povo e precisa ser
administrado com transparência, responsabilidade e respeito. Nenhum partido
está acima da fiscalização, e qualquer denúncia deve ser apurada com seriedade,
sem condenações antecipadas e sem julgamentos seletivos.
O PT nasceu das lutas dos trabalhadores e
trabalhadoras e tem, em sua trajetória, o compromisso com a defesa dos direitos
trabalhistas, da democracia, da justiça social e dos setores historicamente
marginalizados. Nossa referência é uma sociedade fundamentada na fraternidade,
na solidariedade, na igualdade de oportunidades, na equidade e nos direitos
humanos.
Por isso, chamar indiscriminadamente o petista de
ladrão não é apenas uma ofensa a um partido. É desrespeitar milhares de
trabalhadores, militantes e pessoas que dedicam parte de suas vidas à
organização popular e à construção de um projeto de transformação social. Quem
comete irregularidades deve responder individualmente por seus atos,
independentemente de partido ou posição social. Mas não podemos aceitar que a
generalização seja utilizada como instrumento de perseguição política e
desqualificação da militância popular.
A luta de classes também aparece na disputa entre
projetos de sociedade: de um lado, os interesses daqueles que defendem a
concentração de riquezas e a preservação de privilégios; do outro, os que lutam
pela distribuição de renda, pela valorização do trabalho e pela garantia de
direitos.
É importante lembrar que, na perspectiva do
Evangelho, Jesus de Nazaré fez uma opção pelos pobres, pelos humildes e pelos
excluídos. Em Lucas 18:24-25, encontramos sua advertência: é mais fácil um
camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.
E Maria, sua mãe, no Magnificat, registrado em
Lucas 1:52-53, proclamou uma mensagem de transformação social:
“Derrubai dos seus tronos os poderosos e exaltai
os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.”
Essa mensagem continua provocando nossa
consciência diante das desigualdades sociais.
É contraditório ver trabalhadores, pessoas pobres
e cidadãos que dependem dos serviços públicos defenderem, sem reflexão crítica,
projetos políticos que priorizam a concentração de riquezas, a redução de
direitos e a manutenção de privilégios. É o que podemos chamar de alienação de
classe: quando alguém deixa de reconhecer seus próprios interesses sociais e
passa a defender projetos que favorecem grupos economicamente privilegiados.
Não se trata de impedir ninguém de pensar
diferente ou escolher seu partido. Trata-se de compreender que a consciência
política exige conhecimento, leitura de mundo e reconhecimento da própria
realidade social.
Nem Jesus de Nazaré escapou daqueles que
se incomodavam com sua mensagem de justiça, partilha e libertação.
A luta de classes continua presente na sociedade
brasileira. E o PT, com sua história, suas contradições, suas conquistas e seus
desafios, faz parte dessa disputa política e social.
Afinal, a quem interessa a concentração
de riquezas? E quem deve lutar para que o fruto do trabalho seja compartilhado
com justiça?
Leonardo Sampaio
Educador, professor, poeta,
escritor e memorialista.