segunda-feira, 13 de abril de 2026

O EXTERMÍNIO DE JOVENS NO PICI - Favela da Fumaça

Leonardo Sampaio

A Fumaça pegou fogo nesse sábado, 05/07/2014. Foram dois assassinatos no início da noite. São jovens se autodestruindo na disputa de território para o domínio do mercado de comercialização das drogas ilícitas. O que antes era boca de fumo de um proprietário passou a ter um nível de organização de jovens, com identificação própria, como: Arretados, Exército de um Homem Só, Paquitos, entre tantos outros, que partiam para a criminalidade. Matar vira herói. Dessa forma, centenas de jovens no Pici foram assassinados entre si ou pela polícia. Esses grupos criminosos começaram a existir em Fortaleza a partir da década de 2000.

A Favela da Fumaça fica no bairro Pici, em Fortaleza, e surgiu por volta de 1958, quando uma família indígena ocupou o Paiol, ou Casamata, da Base Aérea dos americanos (lugar onde eram escondidas as armas de guerra). Já em 1962, o terreno do entorno foi ocupado por famílias negras vindas dos sertões de Iguatu, no Ceará, que trouxeram para esse espaço urbano um pedaço da África, com costumes, cultura, terreiros de umbanda das religiões de matriz africana, saúde popular com as rezadeiras, plantas medicinais, além da cachaça e da cannabis. (O consumo humano da cannabis teve início no terceiro milênio a.C., e seu uso atual é voltado para recreação, medicamento ou como parte de rituais religiosos e espirituais.)

Desde as primeiras instalações residenciais desse povo nesse pedaço de chão chamado Fumaça, passou-se a sofrer repressão do Estado, devido à discriminação às práticas culturais e aos costumes vividos naquela comunidade, fora do padrão eurocêntrico, além da imposição da religião católica. A resistência dos moradores em manter sua cultura e seus costumes fez com que essas pessoas passassem a ser tratadas com violência em todas as dimensões humanas, desde a fome até a dignidade pessoal.

Na década de 1970, como forma de controle para evitar resistência coletiva e organizada, a Ditadura Militar passou a atuar com política assistencialista, por meio do CSU César Cals. Foi também o período em que se iniciaram as lutas de resistência, inspiradas pela fé nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), na década de 1980.

O entorno da Favela da Fumaça era constituído de sítios com criação de vacas leiteiras e pequenos animais para corte, o que facilitava a relação entre o urbano e o rural, principalmente por serem negros e indígenas vindos do interior do estado do Ceará, fugindo da exploração do latifúndio coronelista, que impedia o livre acesso à terra e às manifestações culturais e religiosas africanas e afro-brasileiras. Esse sistema impunha as culturas europeias trazidas ao Brasil pelo colonizador português, como o cristianismo da obediência, da conformação, do silêncio, do pecado, do medo do juízo final, da condenação ao inferno e das punições mais brandas no purgatório, onde as almas vagariam em busca de reza.

Essa lógica era uma forma de a elite dominante, associada ao cristianismo, oferecer uma esperança de mundo melhor na eternidade e, assim, manter os escravizados livres das senzalas, mas sob o domínio das igrejas. Nesse contexto, a conquista da terra da Fumaça já era sinal de libertação, sem amarras de patrão e patroa, podendo ali desenvolver suas manifestações culturais e espirituais a partir dos orixás, que inspiram os deuses da natureza e o bem viver.

Com esse formato, a Fumaça atraiu outras famílias negras vindas dos diversos rincões dos sertões cearenses, tornando aquela localidade uma grande comunidade negra e/ou quilombola, miscigenada com indígenas e brancos, dentro do espaço urbano de Fortaleza, capital do Ceará.

É dessa ancestralidade negra e indígena que vem essa geração de jovens que está sendo exterminada pela violência. São jovens sem consciência crítica e sem objetividade sobre qual sociedade se quer construir: a barbárie da extrema direita ditatorial, que mata; o centrão, que domina pela corrupção em qualquer governo; ou a democracia socialista humanizada, em busca do bem viver.

A Fumaça foi também lugar de arte e cultura popular, fortalecida pelo ESCUTA – Espaço Cultural Frei Tito de Alencar, que simboliza a luta contra a Ditadura Civil-Militar e a tortura que vitimou ainda jovem, Frei Tito, por defender uma sociedade do bem viver, justa, fraterna e com equidade.

Espero que, nas campanhas eleitorais, se discuta a luta de classe e se assumam posições firmes em defesa de uma sociedade do bem viver humano e coletivo, e não do bem-estar que fortalece o capitalismo, o individualismo, o egoísmo e a concentração de renda, geradores de pobreza e miséria na humanidade.

Um texto que se insere na história de Fortaleza nos seus 300 anos.

Leonardo Sampaio é memorialista e educador popular.

Fortaleza 300 anos

 Leonardo Sampaio

 

Fortaleza dos mares azuis, Cidade litorânea composta de: coqueiros, dunas, mangues, encontro dos rios com o mar, indígenas, invasão europeia e novas paisagens com barco-a-vela, pescadores, e desembarque de africano escravizado. Paisagem que se modifica na arquitetura com moradias de Taipo e palha advinda da cultura indígena e africana, e, o estilo europeu com tijolos, telhas e faixadas.

A Cidade que convive com Lagos, Lagoas, Riachos e Açudes de água cristalina, constituída de fauna e flora preservando um verde com capim, fruteiras e caatinga. Paisagens que favoreceram ao êxodo rural, instalar no espaço urbano, Sítios com vacarias e criação de animais de pequeno porte e aves, mantendo os costumes do Sertão, prevalecendo o leite mungido, queijo e manteiga da terra, gerando trabalho e renda na periferia, utilizando a mão-de-obra camponesa migrante para o mundo urbano.

A Cidade eurocêntrica, aonde se encontra o Centro e bairros do entorno, como: Aldeota, Benfica, Jacareacanga e Beira Mar. Espaços de moradia das elites, comércios, hotéis, serviços, escolas, praças e Igrejas.

A Cidade da cultura, da arte, do teatro, do Maracatu, dos Cinemas, dos museus, da literatura, da Padaria Espiritual, Chico da Silva, Dragão do Mar e do Bode Ioiô.

A Cidade das Chácaras de descanso das elites e delirarem as traições com as amantes, muitas vezes tornando espaços dos Bordéis de prostituição elitizada e jogos de azar, enquanto que os trabalhadores deliravam nos Cabarés do Centro, com o romantismo musical do bolero, o samba canção, da gafieira e a boemia.

A Cidade que ao lado da Santa Casa havia um grande prostibulo conhecido como Curral, onde estava pobreza, miséria, amor, prazer e boemia, praia e o centro da cidade no Bairro Moura Brasil. O Curral foi removido para Jurema em Caucaia, para dar lugar a Av. Leste Oeste e o Hotel Marina. Enquanto que as casas de meretrizes, ditos Cabarés foram se instalando pelos bairros periféricos em casas mais discretas.

A Cidade que absorve o impacto das Secas e das Cercas do campo, congregando um contingente populacional com ocupações desordenadas e insalubres, como ambiente de moradia, exigindo novas demandas de políticas públicas, desde a qualificação de mão de obra, geração de trabalho e renda e o saneamento básico, transportes públicos, saúde e educação em uma Cidade sufocada pelo êxodo desumanizado com a formação de Favelas que não oferecem dignidade. Ocupações de terra desordenadas, muitas vezes em lugares alagados impróprios para moradia.

A Cidade que cresce com Conjuntos Habitacionais planejados na periferia e Região Metropolitana distanciando as populações dos espaços “nobres” para favorecer a especulação imobiliária, praticando inclusive remoções de Favelas.

A Cidade das tertúlias, das matinais. Da serenata, do bumba meu boi, do reisado, dos clubes da periferia, do Maracatu, das artes plásticas e da elite com seus clubes exuberantes.

A Cidade periférica longe do mar longe do dragão que produz arte e cultura, estabelecendo a integração cultural, literária no sarau da poesia, do folclore, da capoeira, da biblioteca comunitária, dos espaços culturais coletivos, da educação popular.

A Cidade que aterra lagoas e transforma Riachos em canal de esgotos, acabando a fauna e a flora e polui Rios, Lagoas e Praias.

A Cidade que abandona parte do patrimônio tombado, impedindo o estudo, a pesquisa, a relação com a história e o turismo cultural.

A Cidade das manifestações populares, das associações de moradores, dos sindicatos, das greves, das passeatas, da Jornada de Luta Contra a Fome, acampamentos, protestos e das ocupações de terras, despejos e moradias populares fruto das lutas reivindicatórias promovidas pelos nativos e migrantes que pisam o solo de Fortaleza procurando dias melhores pra o bem viver.

A Cidade do luxo, na Aldeota, Meireles e Orla Marítima, hotéis, restaurantes e Clube Náutico, do turismo com Mercado Central, Feira de artesanato da Beira Mar, do Mercado do peixe e Volta da Jurema e Calçadão da Beira Mar.

Parabéns pelos 300 anos de Fortaleza.  

 

 

FORTALEZA

 

Fortaleza 300 anos

Há muito tempo tô aqui

Onde tracei os meus planos

Deixando o meu Cariri.

 

Fortaleza das jangadas

de praias e pescadores,

com as dunas ocupadas

pelos especuladores.

 

O afroindígena expulso

com a sua arquitetura

o arranha céu deu impulso,

a uma nova estrutura.

 

Arranha Céu e mansão

ao lado grandes favelas

sofrendo a repressão

com resistência e mazelas.

 

Leonardo Sampaio

Educador e memorialista

13/04/2026.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Carnaval na Escola e a Lei 10639/2003

A Escola Bergson Gurjão Farias, deve desenvolver em fevereiro, a temática sobre carnaval a partir da Lei 10.639/2003, “que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino, a obrigatoriedade da temática história e cultura africana e afrobrasileira". O carnaval tem raiz na cultura afrobrasileira, o que deve ser estudado enquanto espaço de consciência negra, desmistificando o preconceito e a intolerância que o carnavalesco sofre no país, devido à relação da batida dos tambores com o Candomblé, religião de matriz africana, de onde nascem os ritmos da cultura popular brasileira nas comunidades negras. A Escola tem o papel de mostrar as belezas africanas e afrobrasileira que se manifestam nas comunidades negras e quilombolas com seu colorido, culinária e literatura no pós-libertação dos escravizados. A cultura afro no Brasil mistura-se com a indígena e europeia, o que vem enriquecer a criatividade na culinária, arte, música, dança, esporte e literatura passando a ser denominada de cultura popular brasileira. A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. brasilescola.uol.com.br/carnaval/historia-do-carnaval.htm O carnaval brasileiro é uma festa multicultural que se populariza com o samba, tem influência da religião africana e afrobrasileira, de onde vem à batida dos tambores e a dança que expressa o sentido espiritual do corpo, o corpo que fala expressando o ritmo da música afro com sua diversidade desde o samba, axé, frevo, reggae, rapper, hip hop, maracatu, maxixe, forró, xaxado, Carimbó, coco e capoeira. É toda uma musicalidade que se transforma em Festas Populares onde está à expressão corporal, a alegria, o aconchego, a coletividade e faz com que ninguém aguente ouvir sem se mexer, porque o corpo pede e a mente libera. O Carnaval de Rua no Brasil se tornou a maior manifestação popular da cultura afrobrasileira, que se transforma em festa como podemos ver: no Rio de Janeiro inicialmente veio os cordões em ritmo de machinhas com composição de Chiquinha Gonzaga em 1899, posteriormente, das Rodas de samba nas comunidades negras, vem à criação das Escolas de Samba Enredo, que se popularizou no Rio de Janeiro e São Paulo, espalhando-se por outras localidades do país. Já na Bahia tem o Samba Reggae e o Axé, em Pernambuco o Maracatu rural, o Maracatu Bague Virado e o Frevo, no Maranhão o Bumba meu boi e o Reggae, no Amazonas o Bumba meu boi de Parintins, no Pará o Carimbó, no Ceará o Maracatu Cearense. Os desfiles de Rua do Carnaval em Fortaleza simbolizam esse encontro de ritmos carnavalesco de todo o país, mais o humor e a sátira. É esse carnaval afro-brasileiro que trazemos como forma de refletir a beleza e a criatividade da cultura negra, vinda da África para o Brasil, pelos escravizados/as. Carnaval é negritude é história afro é Terreiro é tambores é poesia é samba, axé, frevo, Bumba-meu-boi e maracatu é puro afro-brasileiro. Leonardo Sampaio. Leonardo Sampaio, lotado na Escola Bergson Gurjão Farias, no apoio pedagógico da gestão escolar. É estudioso e pesquisador da cultura popular brasileira.

Carnaval na Escola como cultura afro-brasileira.

Carnaval na Escola Bergson Gurjão Farias Biblioteca Bem-Me-Quer Por: Leonardo Sampaio “A dança e o corpo formam um ambiente sagrado de espiritualidade.” Esse momento de carnaval na Escola Bergson Gurjão Farias é muito mais que uma simples dança, é na verdade o encontro com a cultura africana e afrobrasileira, com a beleza da negritude, da arte e da batida dos tambores trazida pelos escravizados chegados ao Brasil, forçados, mas trazendo no espírito a ancestralidade, que revitalizou a vida, por meio da resistência diante das perseguições, da Igreja e do Estado, governado pelos brancos europeus dos Impérios. Os mesmos herdeiros da “Casa Grande” que hoje dão golpes e assumem o governo para mascarar a corrupção implantada por eles e buscam desesperadamente barrar as investigações da Lava-Jato na parte que os atinge. Tornando um judiciário seletivo e desmoralizado, um governo de corruptos e um congresso de bandidos. Para a Biblioteca Bem-me-quer, que estimulou a pesquisa e o estudo sobre o Carnaval brasileiro, junto às crianças, foi muito estimulante ter levado a se envolverem escrevendo, aprenderam a buscar na internet, leram, viram vídeos e ouviram músicas de Carnaval, que revelaram a cultura africana e afrobrasileira, músicas e ritmos que contaminam a alma, a mente e o coração alegre desse povo que povoa esse país chamado Brasil. Um povo que mesmo diante de todo o sofrimento consegue mostrar o talento vindo dos ancestrais e em seus quintais, seus terreiros, suas comunidades negras e quilombolas subindo os morros desenvolvem seus saberes e confessam sua espiritualidade de fé nos Orixás, inspirados na natureza e no Deus maior Olorum. É esse o Carnaval que trazemos na Escola, como lugar de desmistificar a intolerância religiosa, racismo religioso, o preconceito, combater o racismo e elevar a autoestima dos negros e das negras para que se sintam livres em assumir sua identidade negra e sentir felicidade e orgulho da sua negritude. Esse Carnaval simboliza também a percepção da Escola, que racismo não é bullying, é crime e essa é a razão pela qual se faz necessário implementar a Lei 10639/2003 que modifica a LDB, instituindo a obrigatoriedade do Ensino de História e da cultura africana e afrobrasileira em escolas públicas e particulares. Portanto agradecemos a todos e a todas à Diretora Sheila, as Coordenadoras pedagógicas Maria, Laelza, às professoras e aos alunos e alunas que vão aqui fazer a culminância de seus estudos e pesquisas sobre a diversidade de gêneros de ritmos e danças trazendo o Frevo, o Samba, o Maracatu, o Samba-Reggae, o Axé, Bumba-meu-boi e as Marchinhas. Carnaval é negritude é história afro é Terreiro é tambores é poesia é samba, axé, frevo e maracatu é puro afro-brasileiro.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

E-book: Performance Poética na Escola






Descrição:

"Performance Poética na Escola" é uma obra envolvente que combina arte, educação e cidadania. Escrito por Leonardo Sampaio, professor, pedagogo e poeta, o livro é uma rica coletânea de poemas, cordéis, trovas e quadras que abordam temas essenciais para o contexto escolar, como inclusão, ancestralidade, direitos humanos e a valorização da cultura popular.

Ao longo de suas 196 páginas, o autor compartilha sua experiência de mais de uma década no magistério, utilizando a poesia como ferramenta pedagógica para inspirar alunos, promover o interesse pela leitura e estimular debates sobre questões sociais e culturais.

O livro se destaca por sua abordagem acessível e criativa, ideal para professores que buscam inovar em sala de aula, educadores populares, e amantes da literatura brasileira. Com textos que vão da emoção ao humor, da crítica social à celebração das raízes culturais, Performance Poética na Escola é um convite para transformar o aprendizado em uma verdadeira experiência artística.

Destaques da Obra:

  • Poemas e cordéis que estimulam a leitura e o pensamento crítico.
  • Reflexões sobre inclusão, racismo, ancestralidade e cidadania.
  • Um guia para educadores que desejam integrar cultura e ensino.
  • Ilustrações feitas por crianças, que enriquecem a obra com um toque autêntico e criativo.

Para quem é este livro?
Educadores, estudantes, arte-educadores, pais, e todos que acreditam no poder da arte e da cultura para transformar a sociedade.

Adquira agora e leve a poesia para além das páginas, criando um impacto positivo em sua escola e comunidade!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Perfil do eleitor reacionário

 Leonardo Sampaio

 

Os princípios e valores,

ditos humanitários,

criados no cristianismo,

virou coisas de otários,

deixou de ser pregados,

nos votos são revelados,

direitos são secundários.

 

Um candidato maquiado,

passa a ser suficiente

Fortaleza é exemplo,

vota-se num delinquente

que nega todos valores

e pratica os horrores,

um sujeito inconsequente.

 

O perfil do eleitor/ra

parece ser engraçado/a

tem o rico milionário

e até desempregado/a,

que se acha produtor/ra,

ou mesmo um condutor/ra

que não é mais empregado/a.

 

Não é mais trabalhador/a,

não depende de patrão,

agora é empresário/a,

se acha bicho/a papão

sonha muito em ser rico,

mas vive sempre de bico

na nova escravidão.

 

Não tem direito a nada

que o Estado oferece,

pra ter uma vida digna,

a família quem padece

se houver um acidente,

fica como indigente

ou o Plano aparece.

 

Ele/a vira uma coisa,

e produto do mercado

sendo mais um objeto

que é pra ser explorado,

mas se acha independente,

pensa até que é gente

igual ao empresariado.

 

Quer ter toda regalia

sonha em ser milionário,

pro seu voto ter valor

vivendo sem ter salário

buscando prosperidade

sem viver de piedade

pra ser igual empresário.

 

Ao ser empreendedor/a,

e agir como patrão

esquecer a sua origem

e ter a bíblia na mão,

passa a ter sua verdade

na individualidade,

se dizendo ser cristão.

 

O Templo é uma farsa,

não existe cristianismo,

igual Jesus de Nazaré,

pois só o capitalismo

com o individualismo

e o ante comunismo

passa a ser catecismo.

 

A doutrina do domínio

com tomada do poder

é a nova teologia

e o eleitor sem saber

da partilha de Jesus

nem porque morreu na cruz,

mas no mito ele/a crer.

 

Não aceita democracia,

e prega a ditadura

isso é bolsonarismo,

até quebra viatura

mentira os alimenta

cria coisa e inventa,

é assim sua postura.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Qual é o seu grito?

Leonardo Sampaio 


O Grito dos Excluídos

é a manifestação,

de quem sente-se explorado/a

e busca libertação,

procurando um lugar

que possa se libertar

de toda exploração.

 

Capital acumulado

exclui uma maioria,

tira de muitos a vida

acaba a soberania,

expõe a desigualdade

impede a liberdade,

dar poder a tirania.

 

Você tem sede de que?

De riqueza ou igualdade?

De justiça ou do ódio?

Da fome ou liberdade?

Acumular? Dividir?

O que lhe faz existir?

A vida ou crueldade?

 

Ter vida em abundância,

é preciso perceber

de que lado eu estou,

às perguntas responder

da vida? ou opressor?

Sendo eu trabalhador

o que preciso fazer?

 

No Grito dos Excluídos,

Vida em primeiro lugar,

você tem fome e sede.

Que lado você estar?

Sua sede qual é mesmo?

Será de ficar a esmo?

Ou é de se libertar?

 

Grito gritado com fome.

Grito do injustiçado,

e grito da violência,

com grito do explorado

o grito por liberdade

e grito da igualdade

grito do indignado.

 

Cada qual tem o seu grito,

aquele grito gritado,

grito pedindo socorro,

é um grito engasgado,

grito do feminicídio

é um grito feticídio

e um grito odiado.

 

Diga mais qual é seu grito.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

São Francisco de Assis da Entrada da Lua

Leonardo Sampaio
I
Francisco é de Assis            
sua Cidade natal
que fica na Itália,
Europa Ocidental
lá viveu e cresceu
e formou seu ideal.
 
II
Foi um jovem rebelde
vivendo como plebeu
e até soldado de guerra
a profissão exerceu
pra matar o inimigo
em defesa do que é seu.
 
III
Foi prisioneiro de guerra
e na cadeia ele sofreu
passou muito frio e fome
e na prisão adoeceu
até que foi socorrido
pelo pai que o atendeu.
 
IV
Virou um conquistador
das meninas do lugar
vestia-se todo elegante
pra as mulheres mostrar
sua beleza de jovem
e paquera conquistar.
 
V
Com toda a elegância
andava pela estrada
e um mendigo avistou
com a veste estragada,
a sua roupa doou,
bonita e engomada.
 
VI
Sentiu-se ali chamado
pelo Espírito Santo
para socorrer os pobres,
vestindo-os com um manto
dando-lhes dignidade
para viver com encanto.
 
VII
Foi no armazém do pai
e levou muito tecido,
pegou todo o dinheiro,
com pobres foi dividido,
o pai ficou revoltado
com o filho atrevido.
 
VIII
Quis o dinheiro de volta,
os pobres tinham gastado
já não havia mais jeito,
ele foi ameaçado,
de perder sua herança
e ficar sem um trocado.
 
IX
Ali mesmo no local
todas as vestes tirou
e o pai decepcionado
do lugar se retirou,
Francisco foi acolhido
e até manto ganhou.
 
X
Renunciou a riqueza
defendeu a igualdade,
aos pobres, os acolheu,
desfez-se da propriedade,
dividiu com os humildes
com amor e caridade.
 
XI
A partilha era seu lema,
com muita paz e união
sem ter ódio e discórdia
para haver o perdão
elevando a esperança
por um mundo em comunhão.
 
XII
Seu desejo principal,
sua maior intenção,
foi viver o Evangelho
buscando a perfeição
seguindo sua doutrina
com toda dedicação.
 
XIII
A fé no Deus verdadeiro
levou a definição,
Mateus com seu Evangelho,
deu maior inspiração,
Jesus Cristo lhe ensina
a buscar a salvação.
 
XIV
Em Mateus estar escrito,
“se tu queres ser perfeito,
vende todos os teus bens,
dar aos pobres o direito,
de também ter seu tesouro
para viver do seu jeito”.
 
XV
O seu jeito de ser jovem,
e viver a penitência,
praticando a renúncia,
exercendo paciência,
e dando-lhes testemunho,
na prática e vivência .
 
XVI
Trabalho e compromisso,
era parte da missão
pra combater a pobreza,
não basta só oração,
tem que ter amor fraterno
de dentro do coração.
 
XVII
O trabalho manual
exortou com alegria,
não aceitava dinheiro,
a produção dividia
com os demais camponeses
que com ele convivia.
 
XVIII
A espiritualidade
era sua proteção
o Menino Jesus nu,
foi uma provocação
para mostrar humildade
em busca da salvação.
 
XVIX
São Francisco foi assim
em toda sua missão,
reconstruir a Igreja
sendo luz com devoção,
e compromisso com Deus,
fazendo transformação.
 
XX
Chamou o planeta terra,
de Mãe e lugar comum,
pediu que seja cuidada,
sem deixar fora nenhum,
dos seres da natureza
ele não é qualquer um.
 
XXI
Sua história voou
pelo, o, mundo afora
Fortaleza, Ceará
é lugar que ele  mora,
bem na Entrada da Lua,
Pici que ele adora.
 
XXII
São Francisco é do bairro,
bem na Entrada da Lua,
e juntou-se com São Jorge,
no Salão fica na rua,
que promove o seu nome,
com a Capela que é sua.
 
XXIII
São Francisco no Pici
é da Entrada da Lua
e disputa com São Jorge
que diz que a Lua é sua,
a Capela São Francisco,
é quase na sua rua.
 
XXIV
Com São Francisco da Lua,
vive-se o coletivo
da Igreja sinodal
com movimento ativo
e sendo missionária,
em Jesus o objetivo.
 
XXV
Veio com o Irmão Sol
que chegou iluminado
e vendo a Irmã Lua
no Salão muito lotado,
foi buscar outro terreno
até que foi encontrado.
 
XXVI
Mãe Terra lugar comum,
trouxe estrelas nas mãos
com Irmão Sol, Irmã Lua
adotou aquele chão,
a pedra fundamental,
assegurou o torrão.
 
XXVII
Havia um horto lá,
de plantas medicinais,
em que Mulheres do Brilho
da Lua, eram sinais,
o plantio era cuidado,
com projetos sociais.
 
XXVIII
Dezenove de setembro
Dois mil e onze o ano,
a pedra fundamental,
consolidou-se o plano
a benção foi celebrada
o nome não houve engano.
 
XXVIX
Juntou homens e mulheres
ergueram o monumento,
tornando o chão sagrado
lugar de acolhimento,
de paz e amor fraterno
Francisco é instrumento.
 
XXX
O exemplo de Francisco,
revelando humildade
levou ele a vir morar
na nossa Comunidade,
que tanto o acolheu,
com sua simplicidade.
 
XXXI
A Capela instalada
o Pici é o local,
rua Major Sucupira,
Fortaleza - Capital
o Ceará é o Estado,
o endereço postal.
 
XXXII
O Bairro Pici Católico,
era a Área Pastoral,
Padroeiro Santo Antônio,
São José é do local
também São Domingo Sávio,
Nossa Senhora, afinal.
 
XXXIII
Foi a fé em São Francisco
que no Pici são contadas
a história das mulheres
fincando pé nas Estradas
em rumo à Canindé
com promessas alcançadas.
 
XXXIV
Jesus Cristo é espelho
que nos mostra o caminho
ao lado de São Francisco
a Capela é seu ninho
pra seguir a sua fé
a Lua é o cantinho.
 
XXXV
Em Roma temos o Bispo,
que é o Papa Francisco,
chegou botando moral
limpando todo o cisco,
com muita simplicidade
mesmo correndo o risco.
 
XXXVI
Esse Papa é verdadeiro
consolidando a fé,
honra o nome do Santo,
das Chagas de Canindé,
ou de Assis na Itália,
também da Lua já é.
 
XXXVII
Esse cordel foi pedido,
pela a Coordenação,
que organiza a festa.
ficando em doação
pra ajudar a Capela
fazer arrecadação.
 
XXXVIII
Continue essa história
que só tende a crescer
vinda de luta bonita
que veio acontecer
na década de oitenta
defendendo o bem viver.
 
XXXIV
Você acaba de ler
não é só coisa passada,
é presente aqui agora
da festa continuada
continue protagonista
entre nessa caminhada.
 
REVISADO EM 04/10/2023
 
 
 
 
 
 
  Leonardo Sampaio é natural de Abaiara – Ceará, Região do Cariri Cearense, onde viveu a adolescência em meio ao aboio poético do vaqueiro, o repente dos violeiros, o canto e a dança do coco, o maneiro-pau, o Reisado de Congo e de Careta, o bendito dos Penitentes e das novenas, as coroações de N. Senhora e as procissões missionárias de fé, com cânticos entoados pelas centenas de fieis que formam a miscigenação abaiarenses entre o sagrado e profano que envolve as raças de origens portuguesa, indígena e africana. Um povo aparentemente igual, porém, com deuses diferentes, o deus dos pobres e outro dos ricos, em que até dentro do espaço geográfico do templo se separam, cada classe em seu lugar, para dialogar com seu divino por meio das orações em que um pede para ter mais e o outro para não morrer de fome. Um tanto quanto vivenciou São Francisco, em Assis, sua terra natal na Itália e fez opção pelo Deus dos pobres. Leonardo em sua trajetória pós-adolescência, já na cidade grande se depara novamente com a disparidade de classes sociais, rica, média, pobres e miseráveis e se questiona sobre o poder de um Deus pai onipotente: Que pai é esse com tanto poder que permite essa desigualdade? A resposta veio na Teologia da Libertação com o ver, julgar e agir dentro de uma Igreja, que faz opção pelos pobres, na perspectiva da igualdade social, espelhada no Cristo Libertador e a vida dos primeiros cristãos. Dessa forma dedica sua vida aos pobres, aos trabalhadores/as e desempregados dentro das favelas e organizações sindicais, comunitárias e Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, lutando pela libertação integral da pessoa humana e o Planeta Terra, nossa Casa Comum atacada pela ganância.
 
 
Homenagem
Devemos reconhecer que essa história não existiria hoje, se não fosse a presença marcante e permanente da educadora popular, missionária, mãe, dona de casa e esposa Lúcia Vasconcelos, que ao longo de todo esse tempo, marcado na história desse livro, tem dedicado sua vida à luta do povo sofrido, que busca a libertação, como diz a canção (Zé Vicente), trazendo esperança, seja: no Horto de Plantas Medicinais, no Salão São Francisco, no ESCUTA, na AMORA,  nas CEBs, no CEBI, no Grupo de Mulheres Brilho da Lua, no Reisado do ESCUTA, no Banquete Literário, nas Redes Feministas, na Rede Cearense de Economia Solidária, se articulando com as Organizações Não governamentais e as políticas publicas nas três esferas de Estado para que ofereçam melhorias na qualidade de vida aos povos das comunidades da Fumaça, Feijão, Entrada Lua, Tancredo Neves, N. Sra. da Saúde Mãe da Libertação e Planalto do Pici. Ela é uma mulher destemida que acredita no Cristo Libertador, em Maria Mãe de Jesus com seu canto, quando diz “derruba do trono os poderosos e eleva os humildes”, e São Francisco com sua simplicidade afastando a ganância e praticando o amor e a paz. Lúcia é essa mulher que está sempre pronta para servir, coordenando tudo isso, ouvindo, reunindo e agindo, por isso essa homenagem coletiva.

Chuvas de março e colheita

 Leonardo Sampaio

 Março é um mês de chuvas
O Sertão fica molhado
O mato passa a crescer
Na terra passa o arado
A melancia e o melão
Crescendo na rama do chão
Com colheita no roçado.
 
Chega o período dos Santos
Em março tem São José
Que chega molhando a terra
Para os que creem e têm fé
Em junho chega à colheita
Com mais um Santo que ajeita
O forró que arrasta o pé.
 
É festa pra todo lado
Tem Quadrilhas Juninas
O Sanfoneiro puxa o fole
Pelas terras nordestinas
Já o Santo é São João
Com as bombas e balão
Dança meninos e meninas.
 
Tem Santo casamenteiro
Tem até com a chave do Céu
Pedro e Paulo formam a dupla
Para os dois tiro o chapéu
Com as noites de fogueiras
De festas e brincadeiras
Com noivas e lua de mel.
 
20/03/2023

Bolsonaro inelegível

Leonardo Sampaio
 
A justiça não é cega
retirando Bolsonaro
com Registro Cassado
fica agora sem amparo
tornou-se inelegível
com resultado incrível
justificando o reparo.
 
O abuso de poder
desvio de finalidade
uso de embaixadores
praticou improbidade
notícias improcedentes
mentindo para os agentes
fazendo perversidade.
 
Usou do poder político,
manipulou eleitores.
Fake News era usada
criou falsos protetores
e pregou a ditadura,
com Marechais linha dura,
são lacaios e traidores.
 
Desse, o Brasil livrou-se,
a democracia venceu,
mas o filhote carrasco,
no país permaneceu,
não se pode mais dar trégua,
manda pra Baixa da Égua
vai com quem te elegeu.
 
Oito anos são bem pouco,
tem que levar é cadeia.
Os processos estão aí,
não precisa levar peia,
a justiça vai julgar
botar ele no lugar,
a coisa vai ficar feia.
 
30/06/2023