quarta-feira, 29 de junho de 2016

Festas juninas


Leonardo Sampaio
As festas juninas remontam a colheita da produção agrícola, no Sertão Nordestino, é o momento de festejar a safra do milho, feijão, arroz, jerimum, melancia, batata, macaxeira, maxixe, quiabo e as frutas que se somam à fartura da culinária sertaneja, com tudo fresquinho para saborear como: canjica, cuscuz, bolo de milho verde, mugunzá, tapioca, feijão verde cozido com mistura de queijo, carne de capão, batata assada na cinza quente, a fogueira acesa e o forró rolando ao ritmo da sanfona de Luiz Gonzaga.
“O curioso é que os índios que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses também faziam importantes rituais durante o mês de junho. Apesar de essa época marcar o início do inverno por aqui, eles tinham várias celebrações ligadas à agricultura, com cantos, danças e muita comida. Com a chegada dos jesuítas portugueses, os costumes indígenas e o caráter religioso dos festejos juninos se fundiram. É por isso que as festas tanto celebram santos católicos como oferecem uma variedade de pratos feitos com alimentos típicos dos nativos”. (Cintia Cristina da Silva – Como sugiram as festas juninas.)
Toda essa festança vem acompanhada de uma mística e fé que começa com o preparar da roçado e a chegada das chuvas no dia de São José, 19 de abril, seguindo para o mês junino com Santo Antônio em 13 de junho, o Santo casamenteiro, São João Batista dia 24 com as Quadrilhas Juninas e São Pedro dia 29, encerrando os festejos de muita animação.
“...a origem das comemorações nessa época do ano é anterior à era cristã. No hemisfério norte, várias celebrações pagãs aconteciam durante o solstício de verão. Essa importante data astronômica marca o dia mais longo e a noite mais curta do ano, o que ocorre nos dias 21 ou 22 de junho no hemisfério norte. Diversos povos da Antiguidade, como os celtas e os egípcios, aproveitavam a ocasião para organizar rituais em que pediam fartura nas colheitas. "Na Europa, os cultos à fertilidade em junho foram reproduzidos até por volta do século 10. Como a igreja não conseguia combatê-los, decidiu cristianizá-los, instituindo dias de homenagens aos três santos no mesmo mês", diz a antropóloga Lucia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
A escola deve ser o ambiente de estudo, de pesquisa e animação para a continuidade da tradição cultural mantendo a chita, o arrastapé e as comidas típicas dos ritos e manifestações dos povos de origem europeia, africana e indígena. Isso deve ser estudado como elemento da cultura ancestral, o que leva as gerações seguintes a não perderem as raízes da ancestralidade presente no sangue, na pele, na alma e no espirito.

Junho de 2016. Biblioteca Bem-me-quer - da Escola Bergson Gorjão Farias. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Abril, mês do livro infantil e da literatura infantil

Leonardo Sampaio

O mês de Abril é especial para literatura infantil e para o livro infantil porque o dia 2 lembra o nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor de histórias como O Patinho Feio e A Pequena Sereia e a data passou a ser comemorativa como o Dia Internacional da Literatura Infantil. Além dessa data, 18 de Abril é marcado pelo Dia Nacional do Livro Infantil, que homenageia o aniversário de nascimento do escritor Monteiro Lobato, não só porque produziu clássicos da literatura infantil, como as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas também por ter traduzido e adaptado clássicos mundiais, como Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, e Robin Hood, lenda inglesa. São os precursores do gênero e que abriram caminhos no Brasil para nomes como: Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Tatiana Belinky, Lygia Bojunga, Ziraldo, Chico Buarque de Holanda, entre tantos outros.

No Ceará o gênero da literatura infantil aparece em livros de autores como: Rachel de Queiroz, Klevisson Viana, Socorro Acioli, Arievaldo Viana, Fabiano dos Santos Piúba, Almir Mota, Francinete Ferreira, Horácio Dídimo, Alvira Drummond, Fernando Paixão, Fabiana Guimarães, Tâmara Bezerra, Izaíra Silvino, Maria Casto, Rita de Cássio Magalhães, Eliane Santos e tantos mais. Essa produção literária trás o lúdico e o real que garante às crianças e adolescentes um passatempo prazeroso, levando em conta a faixa etária dos leitores. São leituras que, conforme Horácio Dídimo, proporcionam “divertir, educar, emocionar, conscientizar, instruir, integrar e libertar” e utilizam vários gêneros textuais, como: poesia, conto, poema, prosa, fábulas, trava-língua, parlendas e folclore que vêm acompanhados de belas ilustrações muito cobradas pelo público infantil. “Tio, mostra a imagem”, não basta só contar a história, querem ver a ilustração dos personagens.

A experiência que estou vivenciando na Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Bergson Gurjão de Farias é fantástica. Logo no inicio do ano letivo me apresentei como escritor, coisa inédita para as crianças, conhecer um autor de livro. Fiz uma conversa por turma dentro do espaço da Biblioteca, com todos os alunos e alunas sobre a importância do livro e o cuidado de preservá-los, apresentei minhas obras e como são simples de escrevê-las a partir de sua própria história, ou dos conhecimentos adquiridos. Posterior a essa exposição, as crianças puderam pedir livros emprestados e o resultado foi extraordinário, em menos de um mês mais de 200 crianças pegaram livros e no rodizio no mesmo período já haviam lido mais de 500 livros. Essa atividade é acompanhada pela professora Ivonice, readaptada, lotada na Biblioteca e eu no apoio, fazendo juntos a parte pedagógica em conjunto com as professoras, as coordenações pedagógicas e a diretora, o que faz com que essa  ação leitora já seja percebida pelas famílias ao ver as crianças chegarem em casa com o prazer de ter livros para lerem e responderem aos questionários sobre o que leram. Nos meses seguintes a procura de livros é crescente e as professoras começam a perceber o melhor desempenho das crianças leitoras.

Esse relato com essas constatações mostra o crime que foi fechar as bibliotecas de todas as escolas do Município de Fortaleza, desde 2013, com os livros de grandes autores sendo encontrados dentro caixas, armários e sem prateleiras para o acesso ao público leitor.


Viva a literatura infantil e viva o dia do livro infantil!

domingo, 3 de janeiro de 2016

Origem do Reisado e o Reisado do ESCUTA

Leonardo Sampaio

O Reisado tem origem na África, no Egito. As primeiras manifestações se deram em uma festa egípcia chamada de Festa do Sol Invencível, comemorada em 6 de janeiro e considerada uma festa profano-religiosa. Essa data, no calendário do catolicismo, é celebrado a Epifania, dia em que Jesus Cristo se manifesta a todos os povos.
Na tradição, essa data foi o dia que os Três Reis Magos do Oriente, Baltazar, Melchior e Gaspar (Mts 2), enquanto sábios, representando toda a humanidade daquela época, chegaram a Jerusalém para visitar o Menino Jesus e perguntaram ao Rei Herodes: "Onde está o Rei dos Judeus, recém-nascido? Vimos sua estrela e viemos adorá-lo". Traziam presentes para ofertar ao Menino Jesus: ouro, incenso e mirra, simbolizando a realeza, a divindade e a imortalidade do novo Rei. Para os judeus, não poderia existir um Deus, que seja de todo o mundo. Herodes logo tramou, disse aos Magos, que ao retornarem dessem notícias sobre o Menino. Os Magos não retornaram com a informação e o Rei determinou que todos os meninos de Jerusalém com idade até dois anos, seriam mortos. Esse foi o primeiro atentado de morte contra Jesus Cristo e ele escapou.
Na Europa o dia 6 de janeiro passou a ser a data comemorativa católica mais importante do que o próprio Natal em 25 de dezembro, fixado como dia do nascimento de Jesus Cristo. E foi de lá que o Reisado chegou à América-Latina, através da Espanha e de Portugal. “Na Europa inteira é feriado no Dia de Reis”.
No Brasil, o Reisado foi trazido por Portugal e se espalhou pelas regiões com muitas variedades, se adaptando às diversas culturas dos povos de cada localidade. No Nordeste o Reisado vai se misturando às culturas afrobrasileira, indígenas e europeias que se juntam aos tambores e aos benditos ritmados pelo: zabumba, violão, ganzá, agogô, pandeiro e triângulo. São instrumentos utilizados em terreiros e igrejas cristãs, o que revela o encontro da Umbanda, do Candomblé, do catolicismo e o indígena.
No Pici, bairro de Fortaleza, até a década de 1980, o Reisado de porta em porta era “tirado” por grupos de jovens da Igreja Católica e por um grupo de pessoas negras, de terreiro, que migraram de Iguatu, no Ceará.
Na década de 1990, a Comunidade Eclesial de Base Frei Tito, transforma a Escolinha, em Espaço Cultural e vai pesquisar entre os moradores do Pici, o que conhecem de cultura popular. Dessa forma, foi encontrado o Reisado do interior do Ceará, adormecido no espaço urbano na mente e no coração das senhoras que viveram da infância e a juventude ouvindo e cantando músicas de reisado e foi por meio delas que nasceu o Reisado do ESCUTA – Espaço Cultural Frei Tito de Alencar, que completa 26 anos em 2016. O Reisado do ESCUTA criou forma própria com cores, ritmos e arranjos, hoje registrados em vídeos, livros e três CDs, além de jornais, canais de televisão, blogs e sites.
Festa de Santos Reis no ESCUTA
Para comemorar esse tempo histórico, no dia 06/01/2016 o ESCUTA tem uma programação iniciando às 19hs, com lançamento de um CD autoral, com a presença de Jairo de Carvalho e Elaine do CEBI-Centro de Estudo Bíblico e do Maracatu Solar, Pingo de Fortaleza cantor e fundador do Maracatu Solar, Eliane Brasileiro cantora e vocalista do mesmo Maracatu, Ângela Linhares cantora e fundadora do Canto em Cada Canto, Auri Pereira cantora que participou do CD Jogueiros, de produção ESCUTA e tem mais o Grupo de Percussão do ESCUTA composto por Luan Sampaio, Wendel Lima, Saulo Nicodemos, Deci Corpi, Leandson Sampaio, Fiuza Morais e Zé Augusto. Terá ainda a exposição de fotografias de Edvania Ayres, artista de artes visuais formando do IFCE e coordenadora cultural do ESCUTA. Haverá ainda a apresentação do Pastoril do ESCUTA coordenado pela pedagoga Karine Cabral. Coordenação e produção: João Paulo Roque, Edvania Ayres e Leonardo Sampaio. O evento acontece na sede do ESCUTA – Rua Noel Rosa, 150 – Pici.

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

TROVAS DO LIBERTADOR E O CAPITAL



Leonardo Sampaio

Um anjo vindo do céu
Traz à terra paz e amor
E apresenta em seu véu
Jesus Cristo libertador.

Na festa natalina
Jesus Cristo é o principal
Assim a Igreja ensina
Mas virou do capital.

Consumismo exagerado
Em um mundo desigual
Fica de fora e isolado
Quem não tem capital.

16/12/2015

TROVAS DA ESCOLA



Leonardo Sampaio

A escola é caminho
Para a vida com sucesso
A família é o ninho
E juntos tem progresso.

Com a força da união
Toda escola tem vitória
E a família dando a mão
A conquista é a gloria.

As imagens das crianças
São de Cristo na manjedoura
E mostra a semelhança
Das Marias sofredoras. 

Professores tem o tino
Sempre compromissados
Dedicados ao ensino
Mesmo injustiçados.

A escola pode ser meio
De mudar a mentalidade
Com cidadania no seio
E educação de qualidade.

15/12/2015

TROVAS DA EDUCAÇÃO



Leonardo Sampaio

Educação libertadora
É a que ensina a pensar
Educação conservadora
É a que faz manipular.

Educação libertadora
Tem política inclusiva
Educação conservadora
É apenas depositiva.

Educação libertadora
Constrói o bem viver
Educação conservadora
Gera a morte do saber.

Educação libertadora
Promove oportunidade
Educação conservadora
Promove desigualdade.

Educação libertadora
É do socialismo
Educação conservadora
É a do capitalismo.

Educação libertadora
Entendo o estado laico
Educação conservadora
Faz das religiões mosaico.

Toda forma de educação
Ela é intencional
Ou tem conscientização
Ou a serviço do capital.

Não há neutralidade
No processo educacional
Qualquer modalidade
A ideologia é principal.

Seja ela libertadora
Voltada para o social
Ou a conservadora
Onde vigora o capital.


14/12/2015

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Deus mercado e Jesus mercadoria



Leonardo Sampaio

A verdadeira cor de Jesus Cristo.        
Deus virou mercado
Jesus Cristo mercadoria
Papai Noel dono da festa
E os pobres na estribaria
Em busca da liberdade
Só vendo a estripulia.

Pastores e sacerdotes
Por dinheiro vendem a fé
Rasgam a história Cristã
De Jesus de Nazaré
Pelo meio se salva uns
Isabel, João,  Maria e José.

09/12/2015

O eurocentrismo embranqueceram ele e venderam outra imagem com cara de filho de plebeu.