segunda-feira, 13 de abril de 2026

Fortaleza 300 anos

 Leonardo Sampaio

 

Fortaleza dos mares azuis, Cidade litorânea composta de: coqueiros, dunas, mangues, encontro dos rios com o mar, indígenas, invasão europeia e novas paisagens com barco-a-vela, pescadores, e desembarque de africano escravizado. Paisagem que se modifica na arquitetura com moradias de Taipo e palha advinda da cultura indígena e africana, e, o estilo europeu com tijolos, telhas e faixadas.

A Cidade que convive com Lagos, Lagoas, Riachos e Açudes de água cristalina, constituída de fauna e flora preservando um verde com capim, fruteiras e caatinga. Paisagens que favoreceram ao êxodo rural, instalar no espaço urbano, Sítios com vacarias e criação de animais de pequeno porte e aves, mantendo os costumes do Sertão, prevalecendo o leite mungido, queijo e manteiga da terra, gerando trabalho e renda na periferia, utilizando a mão-de-obra camponesa migrante para o mundo urbano.

A Cidade eurocêntrica, aonde se encontra o Centro e bairros do entorno, como: Aldeota, Benfica, Jacareacanga e Beira Mar. Espaços de moradia das elites, comércios, hotéis, serviços, escolas, praças e Igrejas.

A Cidade da cultura, da arte, do teatro, do Maracatu, dos Cinemas, dos museus, da literatura, da Padaria Espiritual, Chico da Silva, Dragão do Mar e do Bode Ioiô.

A Cidade das Chácaras de descanso das elites e delirarem as traições com as amantes, muitas vezes tornando espaços dos Bordéis de prostituição elitizada e jogos de azar, enquanto que os trabalhadores deliravam nos Cabarés do Centro, com o romantismo musical do bolero, o samba canção, da gafieira e a boemia.

A Cidade que ao lado da Santa Casa havia um grande prostibulo conhecido como Curral, onde estava pobreza, miséria, amor, prazer e boemia, praia e o centro da cidade no Bairro Moura Brasil. O Curral foi removido para Jurema em Caucaia, para dar lugar a Av. Leste Oeste e o Hotel Marina. Enquanto que as casas de meretrizes, ditos Cabarés foram se instalando pelos bairros periféricos em casas mais discretas.

A Cidade que absorve o impacto das Secas e das Cercas do campo, congregando um contingente populacional com ocupações desordenadas e insalubres, como ambiente de moradia, exigindo novas demandas de políticas públicas, desde a qualificação de mão de obra, geração de trabalho e renda e o saneamento básico, transportes públicos, saúde e educação em uma Cidade sufocada pelo êxodo desumanizado com a formação de Favelas que não oferecem dignidade. Ocupações de terra desordenadas, muitas vezes em lugares alagados impróprios para moradia.

A Cidade que cresce com Conjuntos Habitacionais planejados na periferia e Região Metropolitana distanciando as populações dos espaços “nobres” para favorecer a especulação imobiliária, praticando inclusive remoções de Favelas.

A Cidade das tertúlias, das matinais. Da serenata, do bumba meu boi, do reisado, dos clubes da periferia, do Maracatu, das artes plásticas e da elite com seus clubes exuberantes.

A Cidade periférica longe do mar longe do dragão que produz arte e cultura, estabelecendo a integração cultural, literária no sarau da poesia, do folclore, da capoeira, da biblioteca comunitária, dos espaços culturais coletivos, da educação popular.

A Cidade que aterra lagoas e transforma Riachos em canal de esgotos, acabando a fauna e a flora e polui Rios, Lagoas e Praias.

A Cidade que abandona parte do patrimônio tombado, impedindo o estudo, a pesquisa, a relação com a história e o turismo cultural.

A Cidade das manifestações populares, das associações de moradores, dos sindicatos, das greves, das passeatas, da Jornada de Luta Contra a Fome, acampamentos, protestos e das ocupações de terras, despejos e moradias populares fruto das lutas reivindicatórias promovidas pelos nativos e migrantes que pisam o solo de Fortaleza procurando dias melhores pra o bem viver.

A Cidade do luxo, na Aldeota, Meireles e Orla Marítima, hotéis, restaurantes e Clube Náutico, do turismo com Mercado Central, Feira de artesanato da Beira Mar, do Mercado do peixe e Volta da Jurema e Calçadão da Beira Mar.

Parabéns pelos 300 anos de Fortaleza.  

 

 

FORTALEZA

 

Fortaleza 300 anos

Há muito tempo tô aqui

Onde tracei os meus planos

Deixando o meu Cariri.

 

Fortaleza das jangadas

de praias e pescadores,

com as dunas ocupadas

pelos especuladores.

 

O afroindígena expulso

com a sua arquitetura

o arranha céu deu impulso,

a uma nova estrutura.

 

Arranha Céu e mansão

ao lado grandes favelas

sofrendo a repressão

com resistência e mazelas.

 

Leonardo Sampaio

Educador e memorialista

13/04/2026.

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