Leonardo Sampaio
Fortaleza dos mares azuis, Cidade litorânea composta de:
coqueiros, dunas, mangues, encontro dos rios com o mar, indígenas, invasão
europeia e novas paisagens com barco-a-vela, pescadores, e desembarque de
africano escravizado. Paisagem que se modifica na arquitetura com moradias de
Taipo e palha advinda da cultura indígena e africana, e, o estilo europeu com
tijolos, telhas e faixadas.
A Cidade que convive com
Lagos, Lagoas, Riachos e Açudes de água cristalina, constituída de fauna e
flora preservando um verde com capim, fruteiras e caatinga. Paisagens que
favoreceram ao êxodo rural, instalar no espaço urbano, Sítios com vacarias e
criação de animais de pequeno porte e aves, mantendo os costumes do Sertão,
prevalecendo o leite mungido, queijo e manteiga da terra, gerando trabalho e
renda na periferia, utilizando a mão-de-obra camponesa migrante para o mundo
urbano.
A Cidade eurocêntrica, aonde se
encontra o Centro e bairros do entorno, como: Aldeota, Benfica, Jacareacanga e
Beira Mar. Espaços de moradia das elites, comércios, hotéis, serviços, escolas,
praças e Igrejas.
A Cidade da cultura, da arte,
do teatro, do Maracatu, dos Cinemas, dos museus, da literatura, da Padaria
Espiritual, Chico da Silva, Dragão do Mar e do Bode Ioiô.
A Cidade das Chácaras de
descanso das elites e delirarem as traições com as amantes, muitas vezes
tornando espaços dos Bordéis de prostituição elitizada e jogos de azar,
enquanto que os trabalhadores deliravam nos Cabarés do Centro, com o romantismo
musical do bolero, o samba canção, da gafieira e a boemia.
A Cidade que ao lado da Santa
Casa havia um grande prostibulo conhecido como Curral, onde estava pobreza,
miséria, amor, prazer e boemia, praia e o centro da cidade no Bairro Moura
Brasil. O Curral foi removido para Jurema em Caucaia, para dar lugar a Av.
Leste Oeste e o Hotel Marina. Enquanto que as casas de meretrizes, ditos
Cabarés foram se instalando pelos bairros periféricos em casas mais discretas.
A Cidade que absorve o impacto
das Secas e das Cercas do campo, congregando um contingente populacional com
ocupações desordenadas e insalubres, como ambiente de moradia, exigindo novas
demandas de políticas públicas, desde a qualificação de mão de obra, geração de
trabalho e renda e o saneamento básico, transportes públicos, saúde e educação
em uma Cidade sufocada pelo êxodo desumanizado com a formação de Favelas que
não oferecem dignidade. Ocupações de terra desordenadas, muitas vezes em
lugares alagados impróprios para moradia.
A Cidade que cresce com Conjuntos
Habitacionais planejados na periferia e Região Metropolitana distanciando as
populações dos espaços “nobres” para favorecer a especulação imobiliária,
praticando inclusive remoções de Favelas.
A Cidade das tertúlias, das
matinais. Da serenata, do bumba meu boi, do reisado, dos clubes da periferia, do
Maracatu, das artes plásticas e da elite com seus clubes exuberantes.
A Cidade periférica longe do
mar longe do dragão que produz arte e cultura, estabelecendo a integração
cultural, literária no sarau da poesia, do folclore, da capoeira, da biblioteca
comunitária, dos espaços culturais coletivos, da educação popular.
A Cidade que aterra lagoas e
transforma Riachos em canal de esgotos, acabando a fauna e a flora e polui
Rios, Lagoas e Praias.
A Cidade que abandona parte do
patrimônio tombado, impedindo o estudo, a pesquisa, a relação com a história e
o turismo cultural.
A Cidade das manifestações
populares, das associações de moradores, dos sindicatos, das greves, das
passeatas, da Jornada de Luta Contra a Fome, acampamentos, protestos e das
ocupações de terras, despejos e moradias populares fruto das lutas
reivindicatórias promovidas pelos nativos e migrantes que pisam o solo de Fortaleza
procurando dias melhores pra o bem viver.
A Cidade do luxo, na Aldeota,
Meireles e Orla Marítima, hotéis, restaurantes e Clube Náutico, do turismo com
Mercado Central, Feira de artesanato da Beira Mar, do Mercado do peixe e Volta
da Jurema e Calçadão da Beira Mar.
Parabéns pelos 300 anos de
Fortaleza.
FORTALEZA
Fortaleza 300 anos
Há muito tempo tô aqui
Onde tracei os meus planos
Deixando o meu Cariri.
Fortaleza das jangadas
de praias e pescadores,
com as dunas ocupadas
pelos especuladores.
O afroindígena expulso
com a sua arquitetura
o arranha céu deu impulso,
a uma nova estrutura.
Arranha Céu e mansão
ao lado grandes favelas
sofrendo a repressão
com resistência e mazelas.
Leonardo Sampaio
Educador e memorialista
13/04/2026.
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