sexta-feira, 11 de março de 2011

AS FOMES DA SOCIEDADE E A GESTÃO PÚBLICA

Leonardo Sampaio

A função do estado de direito é assegurar qualidade de vida a população que paga impostos, e o papel dos gestores públicos é retornar esse dinheiro em benefícios.

Para entender quais são estes benefícios, preciso primeiro compreender quais as fomes da sociedade, que os gestores têm a obrigação de saciar. Parto do princípio e da percepção que o gestor necessita escutar a sociedade para buscar perceber os níveis de fome que corroe a vida, para entender com mais precisão pra poder planejar. Por isso é justo interrogar as pessoas sobre: Qual é minha fome? Qual a fome da sociedade? O que o gestor público deve fazer para saciar a FOME DE PÃO E BELEZA? Como saciar a fome de saberes, de conhecimentos e informações? Como saciar a FOME DOS DIREITOS ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS como: saúde, educação de qualidade, lazer, esporte, transporte, moradia, saneamento, reforma agrária e agricultura familiar, preservação ambiental? Sabemos que agricultura familiar é quem garante 75% de abastecimento alimentar em nossas mesas, 30% para merenda escolar e 100% para o Programa de Aquisição de Alimento - PAA. Diante dos dados, o gestor público deve se questionar: O que estou fazendo para saciar estas fomes?

O governo Lula criou o Programa Fome Zero com o objetivo de saciar todas essas fomes. O programa se baseava em estudos, pesquisas e exercícios práticos realizados por: Josué de Castro, Betinho, Frei Beto, Leonardo Boff e outros. A finalidade do Programa era acabar a fome emergente e qualificar profissionalmente os pobres e famintos para saciarem a fome de pão e beleza a partir da geração de trabalho e renda, outro elemento do programa era a FOME DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL – SAN, haja visto que as crianças e adultos se alimentam de produtos industrializados, como por exemplo o xilito, sem nenhum teor nutricional, o que leva as pessoas a encher a barriga e permanecer desnutridas. Essa deva ser uma das razões da gestão pública proporcionar uma EDUCAÇÃO REEALIMENTAR, buscando conscientizar as pessoas sobre a importância da alimentação saudável e nutricional que são encontrados nos legumes, frutas, verduras e carne de animais.

Com base nestes elementos, é fundamental que a gestão pública desenvolva projetos e programas junto à agricultura familiar, etnias quilombolas, indígenas, ciganos, às famílias em situação de risco e beneficiárias dos programas emergenciais, pra avançar nos ideais da Presidenta Dilma de erradicar a pobreza.

Portanto, SACIAR A FOME DE PÃO E BELEZA (Frei Betto) deve ser a meta do gestor público.

Leonardo Sampaio é educador e Assessor da Secretaria de Governo e Articulação Política de Caucaia.

terça-feira, 8 de março de 2011

Meus caros radialistas

Vivemos em uma sociedade capitalista de consumo, nessa sociedade os valores humanos são descartáveis, o que lhes interessa é o que dá lucro e pra se buscar esse lucro industrializam e transformam em mercadoria. Para que o consumidor absorva esse produto é necessário tirar de mercado a concorrência. A indústria cultural conseguiu tirar de mercado tudo que é produzido pelo povo, desde a música ao artesanato. O principal instrumento utilizado para massacrar a cultura popular é a educação, o rádio e a televisão.
O movimento comunitário que curte a cultura popular e luta por sua manutenção, levantou a bandeira das rádios comunitárias como instrumento de mídia do povo para ter espaço próprio onde essa produção cultural popular seja ouvida e divulgada para que ela perpetue no meio do povo e nas sociedades futuras. O sentido maior da rádio comunitária é revitalizar e massificar a cultura popular junto ao nosso público, esse público que vai as ruas dançar o maracatu, que faz a roda da ciranda, que canta e dança côco, que curte o bumba meu boi, que dança forró pé de serra, que pisa miudinho no samba e pula frevo.
Acho muito estranho quando escuto gente do movimento popular dizer que não há público no rádio para a música popular nordestina afrobrasileira. Aí eu me pergunto. Quando tiramos reisado que o povo tanto gosta e canta com a gente, em que rádio ela escuta aquilo que aprecia? Quando cantamos e dançamos cirandas junto ao povo e ele tanto adora, em que rádio ele pode escutar, cantar e dançar na sala e na cozinha junto com a família? Quando cantamos e dançamos o côco em nossas comunidades e a juventude toda entra em circuito dançando, cantando e vibrando com a beleza do gingo do corpo, em que rádio esses jovens podem escutar o côco? Quando brincamos o bumba meu boi, cantando e fazendo teatro em que rádio podemos escutar as musicas do boi? Quando desfilamos no maracatu dançando, cantando e o público fica aplaudindo em que rádio esse público que aplaude, escuta a musica do maracatu?
Que produtores culturais e de mídia nós somos que não temos a capacidade de levar para o rádio nossa cultura e massificá-la? A mídia de consumo capitalista impregnou na cabeça de muitos que essa nossa cultura é como arroz de terceira, não presta. Mas como o povo canta, dança e curte tanto aonde a gente chega, como não tem ouvinte no rádio, principalmente com esse arranjo novo que embeleza nossa musica? Se não cantam mais, é porque não têm onde ouvir, por isso a Rádio Comunitária precisa ocupar esse espaço e massificar a cultura popular do norte e nordeste e a música afrobrasileira.

Saudações
Leonardo Sampaio
Produtor Cultural

segunda-feira, 7 de março de 2011

RÁDIO COMUNITÁRIA FREI TITO

ESPAÇO CULTURAL FREI TITO DE ALENCAR
ESCUTA

LINHA DO TEMPO
A LUTA PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO

... 1987
· O movimento popular utiliza a comunicação nos bairros e favelas por meio de panfletos e textos para um público analfabeto e ou sem prática de leitura.

· A comunicação oficial de rádio não abri espaço para os movimentos populares se manifestar em torno de suas reivindicações.

· Movimento popular reflete a dificuldade de se comunicar com a população e propõe criar rádios comunitárias móvel. Faz requisição dos equipamentos a Prefeitura de Fortaleza.

· A Prefeitura de Fortaleza na gestão Maria Luiza acata requisição e adquire carro com som.

· Curso de comunicação da UFC faz capacitação de comunicador popular para produzir programas de rádio na linguagem popular.

1988
· Movimento popular cria rádios comunitárias de auto falante e caixinhas de som.

· Com ajuda do Curso de Comunicação da UFC é criado a entidade CEPOCA – Centro de Estudo e Pesquisa e Comunicação alternativa.

· Prefeitura compra equipamentos para instalação de duas rádios comunitárias de auto falante.

· Movimento popular faz rodízio nas comunidades a cada três meses com estes equipamentos.

· As Comunidades Eclesiais de Base – CEBs passam a comprar seus próprios equipamentos e ampliam a quantidade rádios na cidade de Fortaleza.

· Gestão Maria Luiza perde eleição e a equipe de transição ameaça tomar equipamentos das comunidades.

· Prefeitura doa equipamentos de rádios para o CEPOCA.

1989
· É criada a Rádio Comunitária Frei Tito.

· CEPOCA intensifica cursos de capacitação de comunicadores populares.

· Comunicadores populares iniciam discussões sobre movimento pela democratização da comunicação.

1990 ...
· Inicia movimento pelas rádios difusoras FM.

· Acontece o encontro internacional de Rádios Comunitárias na Rádio Frei Tito e Rádio Santo Dias.

· Movimento faz encontro nacional pela democratização na comunicação.

· Rádio Frei Tito instala transmissores FM, somando com movimento popular em todo país como forma de pressionar a regulamentação das rádios comunitárias.

· É realizado primeiro encontro de rádios comunitárias do ceará.

· É criada a entidade estadual de rádio difusão comunitária – ARCOCE – Associação de Rádios Comunitária do Ceará.

· É criada a entidade em Fortaleza ARCO-CEPOCA – Associação de Rádios Comunitárias e Centro de Estudo e Pesquisa em Comunicação Alternativa.

· É criada a entidade nacional ABRAÇO – Associação Brasileira de Rádio Comunitária.

· É criada a Lei de regulamentação das rádios comunitárias.

· Entidades comunitárias solicitam ao Ministério das Comunicações liberação de rádios comunitária FM - Rádio Frei Tito, Mandacaru, Santo Dias, algumas delas. Ao todo 98 entidades enviaram solicitação.

· Rádios comunitárias precursoras do movimento perdem espaço das ondas para a politicagem eleitoreira.

· Ministério das Comunicações desenvolve política de distribuição de permissão de funcionamento de rádios aos correligionários partidários. Em Fortaleza é visível isso.

· Tem rádios comunitárias arrendadas a políticos, com programação sem nenhum critério dos princípios e diretrizes das Rádios Comunitárias.

· A péssima programação na sua maioria tem desqualificado a rádio comunitária. Esse era o grande medo que o movimento popular tinha.

Leonardo Sampaio
Precursor dessa história

O amor tem cor? E sentimento tem pigmento?


Leonardo Sampaio

31/12/2010

A vida eu sei que é feita de cores com raios solares do amanhecer, o clarão da lua cheia com céu estrelado, o por do sol entre lagos, montanhas, arco-íres e a escuridão da noite colhendo orvalho nas folhas verdes, umedecendo o ar e fertilizando a mãe terra. Diante de tanta poesia e cores será que o amor pode ser negro? Diria que todas as cores são dádivas do ser supremo, com os mesmos sentimentos nos corações e mentes para que o ser humano possa amar com plenitude a natureza e a própria espécie sem distinção pigmentar. Ao falar de amor e coração será que sentimento tem pigmento? Entendo que sentimento é desejo que parte da alma, da afetividade, do coração e da mente fertilizada com amor e todas as cores que embelezam a vida.

Toda essa poesia carregada de interrogações, parte de lembranças da época de criança quando ouvia histórias de amor proibido entre raças e classes sociais, que hoje fazendo um curso de especialização em educação para comunidades negras, acho interessante trazer estas perguntas para refletirmos a discriminação racial e até onde ela afeta o sentimento das pessoas. O fato aconteceu com um tio meu Julio Sampaio Sobrinho que se apaixonou por uma moça de cor preta e quis casar. Era uma negra trabalhadora doméstica e filha de trabalhador da roça, ele branco, fazendeiro e dono de engenho. Logo que a família do soube do romance tratou de proibir, utilizando questionamentos relacionados com valores, costumes, raças e heranças que segundo a família do seu Julinho (como era conhecido), estas quatro coisas eram incompatíveis entre as raças e as classes sociais, portanto o casamento seria a perpetuação de incompatibilidades raciais, que até pode ser visto pelo víeis cristão da família “branca” de Nazaré, já que a cristandade era muito influente e exercia a proibição aos moradores agregados de realizarem manifestações religiosas e culturais afrodescendente. Diante destes fatores, entre o amor e o sentimento prevaleceu a discriminação pigmentar da cor e a moça foi forçada a se retirar do município sobre ameaça de morte.

Mesmo assim, o amor negro, posteriormente renasce no rapaz, dessa vez com uma professora negra, meiga, cuidadosa e solidária que chegou no município para dar aula às crianças, já que a localidade era distante dos centros urbanos e não havia escola pública nem professores/as com nível escolar suficiente para ensinar o primário. Diante dessa carência as famílias de proprietários de terra bancaram uma professora vinda de Fortaleza para ensinar as crianças pobres e as mais abastardas. A professora foi morar na casa da mãe de seu Julinho que ainda era solteiro, foi aí que os dois começaram a paquerar e as relações ficaram mais intimas e a família do rapaz mais uma vez ficou de olho nesse amor negro e logo encontrou um jeitinho “discreto” para a professora voltar pra Fortaleza.

E assim, as cores da vida que conheci no infinito cósmico, pigmentaram corações e mentes com racismo e desagravo ao amor e ao sentimento humano das raças.

Leonardo Sampaio é educador popular e pedagogo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A NEGRA QUE NÃO PODIA SER ANJO

Quilombo Bom Sucesso - Novo Oriente, 09 de outubro de 2010
Leonardo Sampaio


Eu vi na minha terra natal
A garota mais bela do lugar
De corpo lindo e perfeito
Faceira até no andar
Com belos olhos castanhos
Estatura de bom tamanho
Pra todos admirar.
Mas havia grande defeito
Para o povo daquele lugar
Porque tinha pele negra
Não podia se misturar
Com as meninas de cor branca
Nem ao menos coroar a santa
Padroeira do lugar.
Porém, um dia resolveram
A negra, anjo virar
E de branco lhe pintaram
Colocaram-na no altar
Toda bonita e bela
Sem mais cor de canela
Pronta pra coroar
Mas surgiu uma grande duvida
Quem era aquela donzela
E todos queriam saber
De onde ela viera
Com tanta simpatia
Parecendo a virgem Maria
Que atraiu até paquera.
Porém teve um problema
Na hora de coroar
A pele negra aparece
Ao a manga escorregar
E virou um grande alvoroço
Já não tinha mais colosso
A festa continuar.
A revolta foi enorme
Dos homens e da mulherada
Queriam saber quem era a nega
Que foi falsificada
Pra coroar Nossa Senhora
E mandaram-lhe embora
E a anja, desceu desespera.
A confusão foi grande
Pra pegar a nega safada
E saber quem falsificou
Porque isso é molecada
O fuxico correu o mundo
Pra pegar o imundo
Que fez a anja falsificada.
Naquele momento então
O racismo prevaleceu
A menina foi escondida
Porque o povo correu
Para o lado do altar
Querendo a anja crucificar
Do jeito que Jesus morreu.
O preconceito foi tão forte
Que até naquele momento
A fé desapareceu
E até mesmo o intento
Do amor fraterno
Tomou rumo pro inferno
Na garupa do jumento
Essa história é verdadeira
Eu estava lá e presenciei
Foi no município de Abaiara
Que na hora apreciei,
Aquela discriminação,
Na hora da coroação
Da mãe do nosso rei
O racismo tem história
E no cariri tem um canto
No Juazeiro do Norte
Onde uma negra com seu manto
Fez o milagre sagrado
Do sangue na hóstia derramado,
Mas o padre é quem virou Santo.
É mais um exemplo racista
Que acontece com mulher negra
Mas é parte das contradições
Do que a Igreja prega
Que é amor justiça e paz
Mas na prática ela não faz
E até direitos nega.
Mas também uma evangélica
A mim veio dizer
Que negro não pode ser anjo
Perguntei-lhe o que tem a ver
E respondeu-me idôneo
Anjo negro é o demônio.

sábado, 17 de julho de 2010

Periferia em cena com Escambo e Escambito

Fortaleza, 17 de julho de 2010

Leonardo Sampaio

Manifestações da arte e cultura popular brasileira são acolhidas pelo Espaço Cultural Frei Tito de Alencar – ESCUTA no bairro Pici, em Fortaleza, com a apresentação da peça de teatro Jogueiros, que conta a história do bairro no olhar da juventude contemporânea. São cerca de 400 artistas de rua de diversas cidades e estados do Brasil que estão na capital, por meio do Movimento Escambo de Arte e Cultura em sua 26ª edição. O Escambo é um espaço de agregar as diversas linguagens da arte e cultura popular de rua, em uma cidade qualquer e ali simultaneamente várias atrações são apresentadas em ruas e praças e assim, a festa popular acontece com a beleza da arte e da cultura enraizada e resgatada pelo artista que faz rir, faz brincar, traz alegria, conta história e faz poesia.

O Escambo está em Fortaleza por meio de grupos culturais que formam o movimento de rodas de rua com diversas expressões artísticas culturais. São grupos que nascem em projetos de ONGs com foco no resgate da cultura popular e daí surgem os talentos artísticos e arte educadores, como é o caso do ESCUTA que em agosto 2010 completa 20 anos de Semana Cultural e que é realizada através da troca solidária, onde os artistas se encontram se conhecem e conhecem as artes uns dos outros e assim são convidados a visitarem as experiências em suas próprias comunidades, o que leva a formar laços de amizade entre instituições, técnicos e artistas fazendo com que comece uma mobilidade entre os grupos e aí, vem à necessidade de discutir as questões em comuns, razão pela qual surgiu a formação do Movimento Periferia-em-cena que descambou para o Escambo e que hoje faz acontecer durante o ano várias manifestações programadas nos bairros, denominadas de Escambito.

O Escambo acontece em Fortaleza de 15 a 18 de julho de 2010 e é a primeira vez que vem para uma Capital, sendo acolhido durante o dia em diversos bairros e a noite faz a festa acontecer no Pici, onde estão alojados na Escola Municipal de Ensino Fundamental Adroaldo Teixeira, Escola que também abriga o Maracatu Nação Pici. A escolha do Pici se deu, por ser um bairro com manifestações culturais à flor da rua, com: reisado, maracatu, quadrilha junina, folclore, percussão, pastoril, teatro, musica, capoeira, poesia e um banquete literário. É o bairro que também acolhe a Campus do Pici da UFC, que vive entre muros de olhos fechado para o seu entorno, mesmo assim, os jovens escutam sussurros e pulam pra dentro para provar do saber cientifico e fazer o escambo com o saber popular.

Leonardo Sampaio é pedagogo, poeta, escritor e educador popular.

Serra da Rajada e a africanidade cearense

Caucaia, 01 de Julho de 2010

Leonardo Sampaio

A Serra da Rajada no município de Caucaia vem acolhendo o principal núcleo científico de estudo sobre a africanidade cearense da Universidade Federal do Ceará – UFC. A Serra se caracteriza pelas suas belezas verdejantes e um potencial de árvores frutíferas por onde as águas cristalinas correm livremente constituindo cachoeiras e córregos com piscinas naturais em um solo fértil de vida orgânica com fauna e flora própria de uma natureza viva que acolhe sorridente o afrodecendente que ali reside e aprecia nas manhãs, o serrote da Rajada com seu orvalho umedecendo o ar e nublando o verde com imagens entre nuvens que se misturam aos raios solar do fim de tarde, onde o universo planetário nos traz o luar estrelado nas noites serranas cheia de espiritualidade dos orixás, da mãe terra, do Pai tupã e o Deus que abençoa a vida em comunhão, justiça e fraternidade.

A Serra da Rajada é também marcada pela escravatura, onde os escombros das senzalas e os casarões registram a presença do coronelismo com a cultura do café, que pode ser identificado pelos imensos pilões existentes na Casa Grande. Já a Capela ao lado da Casa simboliza a unidade do escravismo com cristianismo para espantar Exu e Orixás que espiritualizam com oferendas a alma negra africana nas matas do topo da Serra.

Esta Serra calada e escondida nas suas entranhas e belezas precisa ser institucionalizada como Área de Preservação Ambiental – APA, podendo ser tratada também como patrimônio histórico de Caucaia, do Ceará, do Brasil e da humanidade para tornar-se mais um instrumento de bem viver do planeta.

Na busca de dar passos nesse sentido o Governo Municipal de Caucaia, começa a incentivar um turismo científico comunitário, que acontece de 12 a 23 de julho de 2010 com o Curso de História e Cultura das Comunidades Quilombolas e Africanidade promovido pelo Núcleo de Africanidade Cearense – NACE, do Departamento de Educação da Universidade Federal do Ceará – UFC. O Curso tem por objetivo formar professores com especialização em culturas afrodecendente, costumes e religiosidade, para que estes atuem em escolas de comunidades quilombola.

A Educação liberta e transforma.

Leonardo Sampaio é Pedagogo, pesquisador, poeta e Assessor da Secretaria de Governo e Articulação Política de Caucaia

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sergipe e Aracaju





Leonardo Sampaio

Sergipe tua beleza
Apreciei nas longas estradas
Em que os céus brilhavam
Entre os raios de sol
E o verde das serras
Por onde pastavam ovelhas e rezes
Com lagos e águias voantes
Com asas brancas
Em meio ao azul e o verde
Por entre nuvens
Encantando os olhares
Com fotos passageiras
Porém marcantes
Em um mundo rural
Onde se vê casas e casebres
Fazendas e assentados
E bandeiras tremulando
Por dignidade e justiça
Pela terra prometida.
Aracaju,
Sentei em tuas areias praianas
Curti o sol,
Vi loiras, morenas e negras
De olhares e sorrisos serenos
Vi as noites encantadoras
Ritmadas com a nordestinidade
De xote, ciranda, côco, xaxado e baião
E o povo dançarolando,
Sem esquecer que o petróleo é nosso
E é no mar onde as luzes
Das plataformas nos faz lembrar,
Das belezas e riquezas daquele lugar.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

CUIDAR É AMAR

O cuidado é cuidar,
Cuidar sem paixão,
Cuidado não é passageiro,
Cuidado é amor,
Cuidar é zelar,
Zelar é carinho,
Carinho é vida,
Vida é história,
História de vida,
Vida é zelo, amor e cainho,
Carinho é gostar,
Gostar do que ama,
Amar com zelo e carinho,
Zelo e carinho é sentimento,
Sentimento vem de dentro,
E faz pulsar o coração,
Coração é o centro,
O centro que pulsa,
Pulsar é descentralizar,
Descentralizar é partilhar,
Partilhar é formar um corpo,
O corpo tem membros,
Membros se interligam,
Interligam em suas funções,
Funções é o fazer com amor, zelo e carinho,
Se um falha o corpo padece,
Padecer é sofrer,
O sofrer com lagrimas,
Lagrimas do desprezo,
Desprezo entristece,
Tristeza traz depressão,
Depressão enfraquece,
Fraqueza traz abandono,
Abandono traz sujeira,
Sujeira afasta,
Afastar é separar,
Separando o coração para,
Se parar não se ESCUTA o pulsar,
Sem pulsar pára a gestão do corpo,
Para ressuscitar precisa pressão no peito,
Que é no peito onde esta o coração,
Somos tocado e pressionado,
Por um lamento coletivo,
Com lágrimas de desprezo e abandono,
Lamento por compromisso,
Por não se escutar mais.

Leonardo Sampaio
23/06/2010

domingo, 23 de maio de 2010

Economia Solidária e agroecologia

O Brasil caminha para a II Conferência de Economia Solidária que acontecerá de 16 a 18 de junho de 2010.
Buscando contribuir com o tema, gostaria de refletir um pouco sobre a economia popular e solidária e/ou socioeconômica que tem como princípio o comércio justo, ético, finança solidária, crédito solidário, moeda social e agroecologia no centro de equilíbrio do desenvolvimento sustentável. A socioeconomia solidária se caracteriza por práticas fundadas em relações de colaboração solidária, inspiradas por valores culturais que colocam o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica, em vez da acumulação privada de riqueza. É essa a Economia Solidária, que traz em si uma nova prática de produção, comercialização, finanças e consumo que privilegia a autogestão, o desenvolvimento comunitário, a justiça social, o cuidado com o meio ambiente e a responsabilidade com as gerações futuras.
A socioeconomia solidária gera outro debate no que se refere à agricultura, quando se percebe que não basta só ter a terra, produzir sem agroquímicos, ela é também espaço de resgatar e recriar formas de comercialização coerente com a proposta agroecológica. Daí, a Economia Solidária passa a ser parte fundamental da construção da agroecologia, agregando diversos mecanismos de contraposição de superar a Economia Capitalista do agronegócio, com a organização dos camponeses e camponesas ampliando espaços de feiras agroecológica, como meio de estimular e recriar o resgate da cultura camponesa através de seus princípios, produzindo de forma coletiva a autogestão das suas atividades, resgatando o conhecimento tradicional, através de intercâmbios, organização em Redes de Agroecologia e Economia Solidária, cooperativas, associações, em fim, uma gama de alternativas como forma de resistir e se contrapor a imposição dos mercados capitalista.
Dessa forma a organização da produção a partir da agroecologia e a economia solidária se entrelaçam criando não somente alternativas de produção, mas também outras relações sociais baseadas na organização do trabalho coletivo e autogestionado, com respeito ao trabalho e as relações comerciais e dessa forma cria e recria diversas estratégias para enfrentar o mercado hegemônico, sob o princípio da solidariedade e da democracia para enfrentar os desafios do trabalho rural.
Esse caminho teórico, político, metodológico e prático é o que esta em construção no campo e na cidade envolvendo os produtores e produtoras dos Fóruns de Socioeconômica Solidária estaduais e nacional. Estas organizações são as principais forças produtivas da agricultura no Brasil, como podemos ver em trabalho de Leonardo Boff. “A agricultura familiar no Brasil representa 70% dos alimentos que chegam à mesa. Ela é responsável por 67% do feijão, 89% da mandioca, 70% dos frangos, 60% dos suínos, 56% dos laticínios, 69% da alface e 75% da cebola”. Estes pequenos agricultores, articulados entre si e também em nível internacional, devem formular as políticas de produção, privilegiar os mercados locais e regionais e manter sob vigilância os mercados mundiais para inibir a especulação e impedir a formação de oligopólios.
A economia solidária no mundo de hoje, é a principal força que se contrapõe a produção mercadológica de acumulação e exploração da humanidade.

Leonardo Sampaio
Educador Popular e gestor em política participativa.