domingo, 23 de setembro de 2018

Inclusão educacional

Leonardo Sampaio

Inclusão educacional
Deve requerer mudança
Na concepção e prática
Com direitos e esperança
De escolas preparadas
Com formação que avança.

Efetivar o direito
À escolarização
Inclusiva na escola
É uma obrigação
Das políticas públicas
Como alvo da educação.

Pra falar de inclusão
No ensino educacional
Precisa preparação
No campo profissional
Para aceitação do outro
E ter inclusão social.

Inclusão é oportunidade
É contrario a exclusão
É respeito às diferenças
É tratar com educação
Percebendo cada lado
Pra haver superação.

Pra criança ser incluída
Tem um conjunto de ações
Que rompe o preconceito
E oportuniza atrações
Que a torne mais feliz
Tendo novas vibrações.

Cada um tem o seu dom
E arte, esporte e carinho,
E um bom acompanhamento
Pode ser um bom caminho
E também estimulante
Pra não sentir-se sozinho.

Pois tem muitas variedades
Que indicam deficiência
Todas elas criam transtornos
Mas usando a consciência
E romper o preconceito
Tudo mais é ter paciência.

Tendo a crença na ciência
Fé e solidariedade
 Pode até ser superado
Se tratar com igualdade
Para superar os traumas
Contraídos na sociedade.

A indiferença maltrata
Mas o respeito e a proteção
Ajudam a superar
Qualquer descriminação
E passa a ter outro olhar
De alegria e satisfação.

Por isso que toda a criança
Precisa ser respeitada
E a escola bem instruída
Sem cega nem aleijada
Respeitem a deficiência
E que seja bem tratada.

A família preparada
Transforma a deficiência
Em qualidade de vida
Elevando pra eficiência
Com artes e educação,
Promovendo boa vivência.

Toda criança especial
Depende de mais cuidado
Seja em casa com seus pais
E professor preparado
Promovendo alegria
Pra sentir-se mais amado.

É isso que é inclusão
Tendo o tecido social
Sendo pouco mais sensível
Elevando todo astral
Olhando sempre pra vida
E um mundo mais igual.


13/09/2018

Biblioteca Bem-Me-Quer
Escola Bergson Gurjão Farias.

Escrevi esse cordel por solicitação do Atendimento Escolar Especializado - AEE, da Escola MEIF Bergson Gurjão Farias, para o dia da inclusão. No primeiro momento escrevi em trovas com quatro versos e posteriormente transformei em poema e agora em cordel de sextilha. 

"A inclusão educacional é um direito do aluno e requer mudanças na concepção e nas práticas de gestão, de sala de aula e de formação de professores, para a efetivação do direito de todos à escolarização. No contexto das políticas públicas para o desenvolvimento inclusivo da escola se insere a organização das salas de recursos multifuncionais, com a disponibilização de recursos e de apoio pedagógico para o atendimento às especificidades dos alunos público alvo da educação especial matriculados no ensino regular." 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=9936-manual-orientacao-programa-implantacao-salas-recursos-multifuncionais&Itemid=30192


O mundo é amor


Leonardo Sampaio

Amar a vida e amar a si
Sobre todas as coisas,
Chega a ser missão divina,
É isso que Deus ensina,
E a vida só tem sentido
Quando amamos aos outros,
Assim como a si mesmo,
E também a natureza,
Com sua exuberante beleza,
Preservando o que Deus criou
E sendo grato aos seres supremos
Na sua supremacia sagrada
Do infinito amor.

O mundo é amor
E amar o mundo é amar a Casa comum,
É amar o universo em sua plenitude,
É reconhecer os valores,
Amar pais e professores,
É viver a solidariedade e a amizade
É respeitar os desiguais,
Sem racismo e preconceito
É defender a dignidade do Ser humano,
É defender a vida.

Amor é invisível, porém a gente sente.
Amar é sentimento, felicidade e alegria.
É como a flor que perfuma,
Não vemos o cheiro, mas ele existe.
Assim são as divindades sagradas
Simbolizadas em Deus
A quem tanto amamos
Porque Deus é Amor.

13/09/2018

sábado, 2 de junho de 2018

Pobre não pode ter voz

Leonardo Sampaio

Pobre não pode ter voz

Essa é a determinação
Que a burguesia criou
E não aceitam a ascensão
De família produtora
Da classe trabalhadora
Pra uma melhor posição.

Quem quis ser a voz dos pobres
Foram presos ou eliminados
Assim foi com Jesus Cristo
E profetas alinhados
Com voz de libertação
E Deus como salvação
São logo assassinados.

Luther King, Gandhi e Mandela
Sofreram perseguição
Eram pacificadores
E passaram por prisão
Por defender igualdade
E também a liberdade
De toda população.

Chico Mendes e Dorothy
Mais Antônio Conselheiro
Zumbi e José Lourenço
E mais outros companheiros
Que confiavam no divino
Tiveram o mesmo destino
Matados pelos grileiros.

No campo e na cidade
Santo Dias e Margarida
Ambos eram sindicalistas
Lideranças aguerridas
Operário e camponesa
Sem direito a defesa
Foi ceifada às suas vidas.

Nem mesmo religiosos
Escaparam da maldade
Filomena e Ezequiel
Foram mortos com crueldade
Fuzilados pelos nobres
Por defenderem os pobres
O evangelho e a liberdade.

Nem mesmo o Chico Mendes
Defendendo a floresta
E contra o desmatamento
Levando a vida honesta
E a família com decência
Não escapou da violência
Da burguesia indigesta.

Mataram a Marielle
Levaram Lula à prisão
Pra calar a voz do povo
Mas eles ressurgirão
No seio da luta de classe
Pois mais liderança nasce
E suas vozes não calarão.

A maldade patronal
Não aceita braços erguidos
Nem os direitos humanos
São mortos ou demitidos
Somente o lucro que vale
Nem mesmo amor equivale
E os Seres são destruídos.

A classe alta e classe média
Odeiam a classe pobre
É a eterna luta de classes
A do nobre contra o pobre,
Que é sempre desigual
Chega até ser imoral
Só que o pobre, não descobre.

Os crimes de lideranças
E  toda perseguição
Vem da classe burguesa
Com ódio e destruição
Exigem que a língua dobre
Pra calar a voz do pobre
Sem dó nem compaixão.

Toda a classe dominante
Ama somente o dinheiro
O adoram como seus deuses
Todo o resto é lixeiro
A mente fica tapada
A vida não vale nada
Por ser interesseiro.

Fazem guerras pelo mundo
Implantam as ditaduras
Destroem os patrimônios
E fazem muitas agruras
Não respeitam as nações
Eliminam populações
E praticam as torturas.

Pra falar em voz do povo
Isso não é permitido
No mundo capitalista
E quem ousar é atrevido
Não tem pra onde correr
Vai ser preso ou morrer
Ou viverá perseguido.

Em qualquer lugar do mundo
A farsa é sempre posta
Não aceitam o bem viver
Viver bem é o que ele gosta
Pensando apenas  em si
Nem pra mim e nem pra ti
Somente o que ele aposta.

Sendo povos ameríndios
Cigano e quilombola
Camponês ou ribeirinho
Tem que viver de esmola
É o rico quem determina
Até impõe como sina
O pobre viver na sola.

Não tem deuses que dê jeito
Ao poder do capital
À ganância e o egoísmo
Que vivem fazendo o mau
Maltratando a pobreza
Concentrando a riqueza
Em um mundo desigual.

O mundo que é pra todos
Não tem em seus dicionários
Muito menos em sua bíblia
São outros vocabulários
Eu mais eu e eu sozinho
Não enxergam o vizinho
Todos outros são otários.

A filosofia burguesa
É a do individualismo
Quem for pobre que se lasque
O interesse é o consumismo
O mercado e a riqueza
Ter o mundo da nobreza
Vivida pelo fascismo.

O que chamam de riquezas
São produtos estocados
Os mercados financeiros
Dinheiros acumulados
Patrimônios materiais
As heranças patriarcais
Os minérios e os mercados.

As suas metodologias
Partem da exploração
Com mão de obra barata
Trabalho com exaustão
Negam direitos humano
Quem gritar entra no cano
Não têm dó nem compaixão.

Os valores que conhecem
São apenas os do dinheiro
Não existe respeito à vida
Porque o lucro vem primeiro
Apenas pra o seu reduto
E o Ser humano é produto
E objeto do Usineiro.

Não tem solidariedade
E nem Deus no coração
Valores humanitários
São discursos ou sermão
E somente quem triunfa
É quem tiver a mufunfa
Ou morre na solidão.

Quando vieram pro Brasil
O Indígena era animal
Não trataram como gente
Açoitavam-nos de pau
Porque não sendo cristão
Os chamavam de pagão
E bichos brutos do mau.

Faziam até extermínio
Se não aceitar ser escravo
Sendo pagão não tem alma
Se matar pode ser salvo
Foi assim na ameríndia
Mataram índio e índia
E tratados como bravo.

Passar no fundo da agulha
É mais fácil pro Camelo
Do que o rico entrar no céu
Na bíblia não tem apelo
Com toda riqueza do nobre
E tá explorando pobre
Só rezar é enxugar gelo.

Foi Jesus de Nazaré
Que fez o pronunciamento
Quem ler Bíblia sabe disso
Que pra ir pro firmamento
Tem que ter bom coração
Tratar todos como irmãos
Até chegar seu momento.

Mas cada um cria seu deus
Para adorar como quiser
Esse foi deus que me deu
E os outros só se poder
Cria um Jesus particular
Fiel ao que lhes agradar
Pra fazer o que ele quer.

Se dizem iluminados
Fazem leis só pra elite
O poder é pra negócio
Aonde o dinheiro transite
Saúde da população
E também a educação
Eles impõem o limite.

Nem greve resolve mais
Vejam os caminhoneiros
Pararam todo o Brasil
Mostraram aos brasileiros
Força e categoria
Só ganharam mixaria
Mesmo com os petroleiros.

Eles têm justiça injusta
E usam o judiciário
Para fazer injustiça
Com leis de inventário
Contra os necessitados
Que trabalham por trocados
Pois, a greve foi o senário.

Acenam todos poderes
Imprimem a repressão
Que o Estado oferece
Destroem a organização
Da classe trabalhadora
Com a máquina opressora
Da tortura e da prisão.

Assim foi com petroleiros
Que tentaram ajudar
A justiça lançou a multa
Para a greve intimidar
Derrubaram o ministro
Um sujeito bem sinistro
Mas tiveram que parar.

O sistema econômico
É que precisa mudar
Para que a pessoa humana
Esteja em primeiro lugar
Com vida emancipada
E a família preparada
Pra o bem viver conquistar.

Aqui não é julgamento
É apenas constatação
Como é a humanidade
Uns vivem da exploração
Outros vivem explorados
Na pobreza e humilhados
E Jesus na contramão.

Abril de 2018


domingo, 3 de dezembro de 2017

Quero um Natal brasileiro

  Leonardo Sampaio
  
Quero um Natal,
Que não seja do Polo Norte,
Carregado de egoísmo
Muito menos do Ocidente
Que é o Natal do consumismo,
O Natal capitalista.

Quero um Natal,
Que seja brasileiro,
O Natal nordestino,
O Natal regional,
Misturado as culturas:
Indígena, afrobrasileiro e europeia
Que reuni todas as culturas brasileira
Com saberes e sabores da nossa terra.

Quero um Natal,
Com nossa gente alegre e festeira
Seguidora do Jesus de Nazaré
Um judeu arretado, cabra corajoso,
O Cristo libertador de toda forma de opressão,
Filho de José o carpinteiro e Maria
Mulher que conclama a derrubar os poderosos
E juntar-se ao Deus criador do universo,
Para construir um mundo justo e fraterno.

Quero um natal,
Com essa gente que acredita no pai Tupã,
Que tem crença nos Orixás,
Na mãe Iemanjá rainha das águas,
Nos deuses da vida e da fertilidade,
Que expressam da natureza sua espiritualidade.
Essa gente de fé, que com um ramo, rezam
e curam as dores do corpo e da alma.

Quero um Natal,
Com nossa culinária,
Baião de dois, vatapá e acarajé,
Cuscuz, tapioca e feijoada,
Buchada de bode e sarapaté,
Churrasco, carne de sol e paçoca,
Mais os derivados queijo, leite e manteiga,
Com a mistura de vegetais, folhas e raízes
E a fruticultura, com pitomba e pitanga
Pequi, manga, caju e açaí,
Ata, maçã e kiwi
Laranja, cajá, graviola e limão,
 Mamão, água de coco e melão.

Quero um Natal,
Com nossa musicalidade
Samba, forró e axé,
Coco, ciranda e toré,
Sertaneja e Carimbó
Maracatu, brega e brejeira
E mais a Música Popular Brasileira – MPB.

Quero um Natal
Ubuntu da filosofia africana,
Onde não há competição
E todos dão as mãos
Para que a felicidade seja coletiva.

Quero um Natal
Dos povos Ameríndios
Em que o respeito não é pelo medo,
Mas se respeita por amor,
E progresso é o “Bem viver”
O cuidado com a mãe terra,
Que pare a vida e partilha com todos
Os bens e a colheita.

Quero um Natal,
De luta por justiça e igualdade
Sem preconceito nem racismo,
Mas que honra, respeita e acolhe
Que defende a liberdade
Com abraço amoroso
Um aperto carinhoso
E muita fraternidade.

Quero um Natal,
De agradecimento e perdão
Junto ao Deus que acredito,
E deposito minha fé,
O Deus menino
que nos traga paz, amor e felicidade
mesmo diante de toda a diversidade
imposta pelo poder e a hipocrisia.

Que o amor seja o bem maior.

Amém, axé, oxalá, aleluia.

 21/12/2017

Esse texto foi inspirado nos absurdos de apelação do comércio de Fortaleza, em que Papai Noel chegou na Praça do Ferreira em meio a neves, como se o Pólo Norte havia chegado no Ceará. Por outro lado fui em uma loja comprar camisa e todas eram marcadas com palavras ou frases em inglês, enquanto isso, passando em uma avenida na Aldeota, todas as lojas tinham nomes em inglês, para completar o reflexo da americanização, o Brasil sofreu um golpe de estado parlamentar, jurídico, midiático em 2016, com implantação do neoliberalismo de privatização e com isso o petróleo brasileiro já foi entregue para o capital Norte Americano. É o golpe dentro do golpe para hegemonizar  o capitalismo internacional.

Pela construção da revolução socialista brasileira, já. 

O Natal e a contradição

Leonardo Sampaio

Natal nos faz lembrar
Da família de Nazaré
Ou da família sagrada
Com Jesus, Maria e José.

Foi esse o modelo ideal
Pra toda a humanidade
Viver a consagração
De família e humildade.

Natal é nascimento
E também renovação
Promove aprimoramento
No amor e na emoção.

Natal com o Polo Norte
Promove exploração
E também consumismo,
Revela a contradição
De pobreza e humildade
Entre criador e criação.

Do Polo Norte vem um papai
Que é o Noel capitalista
Já do lado de Israel
Vem um Jesus socialista
Que prega a humildade
E um mundo de igualdade
Que contradiz o egoísta.

O Jesus foi humilhado
Perseguido e assassinado
Natal lembra o nascimento
E tudo por ele pregado
Justiça, amor, liberdade
Pra construir felicidade
Com um reino consagrado.

Já Papai Noel é o contrário
Traz egoísmo e exploração
Um Natal, cheio de ganancia
Desavença e contradição
Com a morte e o sofrimento
Que difere o nascimento
Que festeja a libertação.

 30/11/2017