sexta-feira, 24 de julho de 2015

São Francisco de Assis da Entrada da Lua

 

 

 São Francisco de Assis da Entrada da Lua

 I

Francisco é de Assis            
sua Cidade natal
que fica na Itália,
Europa Ocidental
lá viveu e cresceu
e formou seu ideal.

II

Foi um jovem rebelde
vivendo como plebeu
e até soldado de guerra
a profissão exerceu
pra matar o inimigo
em defesa do que é seu.

III

Foi prisioneiro de guerra
e na cadeia ele sofreu
passou muito frio e fome
e na prisão adoeceu
até que foi socorrido
pelo pai que o atendeu. 

 IV

Virou um conquistador
das meninas do lugar
vestia-se todo elegante
pra as mulheres mostrar
sua beleza de jovem
e paquera conquistar.

 V

Com toda a elegância
andava pela estrada
e um mendigo avistou
com a veste estragada,
a sua roupa doou,
bonita e engomada.

 VI

Sentiu-se ali chamado
pelo Espírito Santo
para socorrer os pobres,
vestindo-os com um manto
dando-lhes dignidade
para viver com encanto.

 VII

Foi no armazém do pai
e levou muito tecido,
pegou todo o dinheiro,
com pobres foi dividido,
o pai ficou revoltado
com o filho atrevido.

 VIII

Quis o dinheiro de volta,

os pobres tinham gastado
já não havia mais jeito,
ele foi ameaçado,
de perder sua herança
e ficar sem um trocado.

IX

Ali mesmo no local
todas as vestes tirou
e o pai decepcionado
do lugar se retirou,
Francisco foi acolhido
e até manto ganhou.

 X

Renunciou a riqueza
defendeu a igualdade,
aos pobres, os acolheu,
desfez-se da propriedade,
dividiu com os humildes
com amor e caridade.

XI

A partilha era seu lema,
com muita paz e união
sem ter ódio e discórdia
para haver o perdão
elevando a esperança
por um mundo em comunhão.

 XII

Seu desejo principal,
sua maior intenção,
foi viver o Evangelho
buscando a perfeição
seguindo sua doutrina
com toda dedicação.

 XIII

A fé no Deus verdadeiro
levou a definição,
Mateus com seu Evangelho,
deu maior inspiração,
Jesus Cristo lhe ensina
a buscar a salvação.

 XIV

Em Mateus estar escrito,
“se tu queres ser perfeito,
vende todos os teus bens,
dar aos pobres o direito,
de também ter seu tesouro
para viver do seu jeito”.

 XV

O seu jeito de ser jovem,
e viver a penitência,
praticando a renúncia,
exercendo paciência,
e dando-lhes testemunho,
na prática e vivência .

 XVI

Trabalho e compromisso,
era parte da missão
pra combater a pobreza,
não basta só oração,
tem que ter amor fraterno
de dentro do coração.

 XVII

O trabalho manual
exortou com alegria,
não aceitava dinheiro,
a produção dividia
com os demais camponeses
que com ele convivia. 

XVIII

A espiritualidade
era sua proteção
o Menino Jesus nu,
foi uma provocação
para mostrar humildade
em busca da salvação.

 XVIX

São Francisco foi assim
em toda sua missão,
reconstruir a Igreja
sendo luz com devoção,
e compromisso com Deus,
fazendo transformação. 

XX

Chamou o planeta terra,
de Mãe e lugar comum,
pediu que seja cuidada,
sem deixar fora nenhum,
dos seres da natureza
ele não é qualquer um.

XXI

Sua história voou
pelo, o, mundo afora
Fortaleza, Ceará
é lugar que ele  mora,
bem na Entrada da Lua,
Pici que ele adora.

XXII

São Francisco é do bairro,
bem na Entrada da Lua,
e juntou-se com São Jorge,
no Salão fica na rua,
que promove o seu nome,
com a Capela que é sua. 

XXIII

São Francisco no Pici
é da Entrada da Lua
e disputa com São Jorge
que diz que a Lua é sua,
a Capela São Francisco,
é quase na sua rua. 

XXIV

Com São Francisco da Lua,
vive-se o coletivo
da Igreja sinodal
com movimento ativo
e sendo missionária,
em Jesus o objetivo. 

XXV

Veio com o Irmão Sol
que chegou iluminado
e vendo a Irmã Lua
no Salão muito lotado,
foi buscar outro terreno
até que foi encontrado.

XXVI

Mãe Terra lugar comum,
trouxe estrelas nas mãos
com Irmão Sol, Irmã Lua
adotou aquele chão,
a pedra fundamental,
assegurou o torrão. 

XXVII

Havia um horto lá,
de plantas medicinais,
em que Mulheres do Brilho
da Lua, eram sinais,
o plantio era cuidado,
com projetos sociais. 

XXVIII

Dezenove de setembro
Dois mil e onze o ano,
a pedra fundamental,
consolidou-se o plano
a benção foi celebrada
o nome não houve engano. 

XXVIX

Juntou homens e mulheres
ergueram o monumento,
tornando o chão sagrado
lugar de acolhimento,
de paz e amor fraterno
Francisco é instrumento. 

XXX

O exemplo de Francisco,
revelando humildade
levou ele a vir morar
na nossa Comunidade,
que tanto o acolheu,
com sua simplicidade. 

XXXI

A Capela instalada
o Pici é o local,
rua Major Sucupira,
Fortaleza - Capital
o Ceará é o Estado,
o endereço postal.

 XXXII

O Bairro Pici Católico,
era a Área Pastoral,
Padroeiro Santo Antônio,
São José é do local
também São Domingo Sávio,
Nossa Senhora, afinal.

 XXXIII

Foi a fé em São Francisco
que no Pici são contadas
a história das mulheres
fincando pé nas Estradas
em rumo à Canindé
com promessas alcançadas.

XXXIV

Jesus Cristo é espelho
que nos mostra o caminho
ao lado de São Francisco
a Capela é seu ninho
pra seguir a sua fé
a Lua é o cantinho. 

XXXV

Em Roma temos o Bispo,
que é o Papa Francisco,
chegou botando moral
limpando todo o cisco,
com muita simplicidade
mesmo correndo o risco. 

XXXVI

Esse Papa é verdadeiro
consolidando a fé,
honra o nome do Santo,
das Chagas de Canindé,
ou de Assis na Itália,
também da Lua já é. 

XXXVII

Esse cordel foi pedido,
pela a Coordenação,
que organiza a festa.
ficando em doação
pra ajudar a Capela
fazer arrecadação. 

XXXVIII

Continue essa história
que só tende a crescer
vinda de luta bonita
que veio acontecer
na década de oitenta
defendendo o bem viver. 

XXXIV

Você acaba de ler
não é só coisa passada,
é presente aqui agora
da festa continuada
continue protagonista
entre nessa caminhada.

REVISADO EM 04/10/2023

 

 Leonardo Sampaio é natural de Abaiara – Ceará, Região do Cariri Cearense, onde viveu a adolescência em meio ao aboio poético do vaqueiro, o repente dos violeiros, o canto e a dança do coco, o maneiro-pau, o Reisado de Congo e de Careta, o bendito dos Penitentes e das novenas, as coroações de N. Senhora e as procissões missionárias de fé, com cânticos entoados pelas centenas de fieis que formam a miscigenação abaiarenses entre o sagrado e profano que envolve as raças de origens portuguesa, indígena e africana. Um povo aparentemente igual, porém, com deuses diferentes, o deus dos pobres e outro dos ricos, em que até dentro do espaço geográfico do templo se separam, cada classe em seu lugar, para dialogar com seu divino por meio das orações em que um pede para ter mais e o outro para não morrer de fome. Um tanto quanto vivenciou São Francisco, em Assis, sua terra natal na Itália e fez opção pelo Deus dos pobres. Leonardo em sua trajetória pós-adolescência, já na cidade grande se depara novamente com a disparidade de classes sociais, rica, média, pobres e miseráveis e se questiona sobre o poder de um Deus pai onipotente: Que pai é esse com tanto poder que permite essa desigualdade? A resposta veio na Teologia da Libertação com o ver, julgar e agir dentro de uma Igreja, que faz opção pelos pobres, na perspectiva da igualdade social, espelhada no Cristo Libertador e a vida dos primeiros cristãos. Dessa forma dedica sua vida aos pobres, aos trabalhadores/as e desempregados dentro das favelas e organizações sindicais, comunitárias e Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, lutando pela libertação integral da pessoa humana e o Planeta Terra, nossa Casa Comum atacada pela ganância.


 Homenagem

Devemos reconhecer que essa história não existiria hoje, se não fosse a presença marcante e permanente da educadora popular, missionária, mãe, dona de casa e esposa Lúcia Vasconcelos, que ao longo de todo esse tempo, marcado na história desse livro, tem dedicado sua vida à luta do povo sofrido, que busca a libertação, como diz a canção (Zé Vicente), trazendo esperança, seja: no Horto de Plantas Medicinais, no Salão São Francisco, no ESCUTA, na AMORA,  nas CEBs, no CEBI, no Grupo de Mulheres Brilho da Lua, no Reisado do ESCUTA, no Banquete Literário, nas Redes Feministas, na Rede Cearense de Economia Solidária, se articulando com as Organizações Não governamentais e as políticas publicas nas três esferas de Estado para que ofereçam melhorias na qualidade de vida aos povos das comunidades da Fumaça, Feijão, Entrada Lua, Tancredo Neves, N. Sra. da Saúde Mãe da Libertação e Planalto do Pici. Ela é uma mulher destemida que acredita no Cristo Libertador, em Maria Mãe de Jesus com seu canto, quando diz “derruba do trono os poderosos e eleva os humildes”, e São Francisco com sua simplicidade afastando a ganância e praticando o amor e a paz. Lúcia é essa mulher que está sempre pronta para servir, coordenando tudo isso, ouvindo, reunindo e agindo, por isso essa homenagem coletiva.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Museu do Campo em Fortaleza



Li na coluna do Fábio Campos dia 21/06/2015 que o governador Camilo Santana tem intenções de vender o terreno do Parque de Exposição da Secretaria de Agricultura do Estado do Ceará localizado no Bairro São Gerardo, às margens do Riacho Alagadiço. Quero salientar que o dito terreno faz parte da extensão do Projeto inicial do Parque Rachel de Queiroz, onde é definido a construção de lugares de convivência da população com verde, com a natureza e oferecendo equipamentos apropriados para uma vida saudável à população de todo seu entorno.
Diante de tal intenção do Ilustríssimo Sr. Governador Camilo Santana, venho como militante do Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz e educador, propor ao Governo, que destine aquele espaço do Parque de Exposição no Bairro São Gerardo, à construção de um MUSEU DO CAMPO dos Sertões do Ceará, mostrando a história do povo, das etnias com suas belezas e lutas históricas como o Caldeirão e outras. Além de mostrar as culturas que reúnem afrodescendentes, indígenas, ciganos e europeus que constituem o povo dessa terra. Será um Museu instalado nesse ambiente urbano que venha expor o passado e o presente com as novas tecnologias de sobrevivência com o Semiárido para servir de pesquisa, de visitações das Escolas e Universidades, assim como, atração turística, tornando o lado Oeste da Cidade de Fortaleza mais humanizada, mais verde, promovendo o "Bem Viver" na nossa "Casa Comum" (Laudato Si [Louvado seja] Encíclica do Papa Francisco). 
Essa Cidade precisa avançar além dos interesses de mercado, do capital, do consumismo, como diz o Papa Francisco na Encíclica, quando aborda o tema da ecologia no sentido de uma ecologia integral que vai além da ambiental, e se estende de forma mais completa visualizando o Ser, em particular os pobres e estes são bem representados no Oeste de nossa Fortaleza. Apesar dos dois monstros Shops no entorno do terreno.
Compreendendo o urbanismo nessa dimensão humanitária, que vai além dos interesses imobiliários imediatos na busca de lucros, acredito que nosso Governador Camilo como ecologista, abrace essa ideia do Museu do Campo nesse espaço urbano de nossa Capital, em um lugar que tem tudo a ver com a história dessa Cidade, no que diz respeito aos nossos Sertões.
Preservar o verde em nosso planeta, é missão de todos nós.

Leonardo Sampaio
Educador, ambientalista e pedagogo.

De: Eudoro Santana para seu filho Camilo Santana Governador do Ceará, em 05/07/2015.

Camilo
Veja a sugestão do Leonardo. Conheço o Leonardo e concordo com ele, pois você é homem ligado ao campo pela sua história. Você é o Governador do Campo e da Cidade. Examine essa idéia com carinho. Seria a possibilidade da população ter um ambiente permanente e o ano todo para frequentar. Pense nisto.

domingo, 10 de maio de 2015

A AGONIA DO OESTE



 Um sítio, um riacho, um açude, um verde,
peixes, siris, caranguejos,
pássaros, camaleões e preás
todos exterminados do último espaço
que deveria ser o pulmão oxigenado
da região oeste da Cidade de Fortaleza.

As límpidas águas correntes,
transparentes onde se via os peixes nadarem e as lavadeiras limparem suas roupas 
nas cacimbinhas que formavam
às margens do Riacho Cachoeirinha.

As crianças,
disputavam com as borboletas,
espaços nas areias brancas
e nas gramas verdejantes
enquanto que as mães
estendiam as roupas
e esperava secá-las no sol ardente,
queimando a gente.

Tudo se foi,
já era,
é hoje o azul da tintura da fabrica,
o esgoto que não cobra taxa,
com via tríplice sem retorno,
é o crime ambiental,
o fim do mangue, 
sem flora e sem fauna
onde em vez de água,
corre lágrimas e sangue..


É a agonia do oeste,
A resistência, irresistível,
A peleja com a insensatez,
Do poder, sem poder,
O povo sem o público,
E o público sem autoridade,
Sem igualdade e liberdade.

Leonardo Sampaio
11/11/2008

Esse é o Riacho Cachoeirinha onde havia dois açudes até a década de 1970 e marcava a presença da escritora Rachel de Queiroz no Açude do Sítio Pici.

O Movimento Pro-Parque Rachel de Queiroz registra a resistência de ambientalistas na defesa dos últimos verdes no Oeste de Fortaleza.

Esse vídeo mostra as irregularidades de obras construídas em áreas de preservação ambiental em Fortaleza, onde deveria ser o Parque Rachel de Queiroz.



 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Mulheres guerreias construtoras da história

Leonardo Sampaio

Para falar sobre mulher, ressalto as condutoras de histórias das lutas populares que transformam vidas e conduzem à humanização, como Maria, personagem bíblica migrante, em busca de abrigo para parir o filho, devido a perseguição política do Rei Herodes, a mulher que contesta o poder opressor e conclama todos a transformar aquela realidade de injustiça social: “Derruba do trono os poderosas e eleva os humildes” (Lc 1.52) a mesma, morou na África vivendo no Egito, e conheceu a história de quarenta anos de luta de Moisés e sua irmã Mirian para libertar os escravos, andando como nômade, em busca da “terra prometida”, uma espécie de quilombo. Falar de Maria é entender uma mulher que viu o filho como preso político, sendo torturado até a morte e não recuar, estando sempre ao seu lado afirmando o projeto de um reino de justiça, amor e, sobre tudo, de liberdade, do corpo e do espírito para que todos possam viver com plenitude. “ Eu vim para que todos tenham vida” (João 10:10). É a mulher que conheceu a história dos profetas de antes, denunciando as injustiças e anunciando a vinda do Messias pra salvar a humanidade.
São tantas as mulheres guerreiras, que não caberia neste espaço destacá-las, porque elas se apresentam em diversas frentes de lutas transformadoras da realidade, a exemplo de Anita Garibaldi, que participou de guerras no Brasil e na Itália ao lado do marido, como Maria Bonita no cangaço ao lado de Lampião, como Olga Benário, judia que foi entregue aos nazistas, como Bárbara de Alencar, que lutou no movimento abolicionista, pelo fim da escravidão no Brasil, como Dandara, que lutou no Quilombo dos Palmares ao lado de seu companheiro Zumbi, como Chiquinha Gonzaga, que na vida de artista enfrentou o machismo, o preconceito e defendeu o fim do escravismo, como Margarida Alves, que como camponesa e sindicalista enfrentou o latifúndio, Irmã Doroti, que como religiosa defendeu o meio ambiente contra o desmatamento da Amazônia, Irmã Filomena, que, como freira, esteve ao lado dos agricultores no Maranhão, defendendo a reforma agrária, Rosa Luxemburgo líder política, filósofa e uma das principais revolucionárias marxistas do século XIX, dentre outras.
Mulheres camponesas, negras e indígenas, quebradeiras de coco, descascadoras de macaxeira, catadeiras de algodão e feijão, que enfrentam o sol ardente ou a chuva,  formando coro com a oralidade de cantigas populares em momentos de trabalho desvendando suas culturas ancestrais, indígenas e africanas, fazendo a circularidade com as danças de coco, ciranda e capoeira, ou a espiritualidade indígena com o Torem, pisando o chão como símbolo de gratidão à Mãe Terra, por parir a vida e alimentar o corpo.
Falo também sobre as mulheres de religiões de matrizes africana, as Mães de Santo, que invocam os orixás, seus deuses, pra confortar a vida a partir da natureza, do alimento e do sacrifício pra libertar-se.
As mulheres poetas, escritoras que trazem em suas escritas a inspiração da mulher mãe que se torna cuidadora, ocupando todas as dimensões de carinhos, conforto, ternura e necessidades pessoais dos(as) filhos(as). Há também as mães que vendem o corpo como profissão, como trabalhadoras, utilizando a sexualidade pra sustentação da vida e as tornam felizes.
As professoras, que transmitem o conhecimento e absorvem o saber de cada aluno ou aluna trazidos do seio da família, ou das ruas, nos ambientes coletivos, esportivos, culturais, religiosos ou até da marginalidade o que tornam essas mulheres não mais só professoras, mas parte da família, como tias e educadoras.
Não posso deixar de fora as feministas que lutam em defesa de direitos iguais; das mulheres negras que lutam por dignidade, enfrentando o racismo e o preconceito, mesmo trazendo na pele, no cabelo e no corpo a beleza do ser negra; as rezadeiras (curandeiras ou benzedeiras) que trazem da ancestralidade africana, o poder da mediunidade e o uso das plantas para afastar doenças nas pessoas; das que fazem parte da política nas casas legisladoras; as executoras de gestões públicas que buscam sensibilizar por um poder de Estado humanizado; as feministas lésbicas que lutam contra o preconceito, a discriminação e o direito de amar e viverem sua sexualidade livres.
É assim meu olhar e compreensão pro papel da mulher na sociedade, em que todas as Marias, Rosas, Lúcias, Luzias, Célias, Veras, Anas, Ângelas, Sandras, Fátimas, Francinetes, Artemizas, Franciscas, Marinas, Elianes e outras que cumprem missões de ternura e construção de uma sociedade justa e fraterna em que o amor constrói a paz.

Maria, Maria, é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta. ( Milton Nascimento e Fernando Brant).

sábado, 3 de janeiro de 2015

Reisado do ESCUTA – 25 anos de Folia de Reis

Leonardo Sampaio

O Reisado do Escuta tem sua origem no cantar de recordações das senhoras da Comunidade Eclesial de Base Frei Tito – CEBs, na Comunidade da Fumaça, no Bairro Pici, em Fortaleza-CE, quando elas relembravam a adolescência no interior do Ceará, (Ibiapina, Itapagé, Canindé, Quixadá e Acaraú) e começavam a cantar estrofes das músicas de Reisado, o que veio a encantar os(as) jovens músicos e cantores(as) que se juntaram ao grupo de senhoras e senhores para tocar e cantar nas madrugadas pelas ruas do Pici e assim, fazer o resgate dessa cultura milenar, e revitalizá-la no espaço urbano da periferia de Fortaleza. Isso foi possível pelo entusiasmo que gerou em todos(as), e, em janeiro de 1990 o grupo foi para as ruas à meia noite e o sucesso foi tão grande que as pessoas acordavam e saíam para assistir ao cortejo. Este foi apenas o começo dessa manifestação que comemora 25 anos no período de 01 a 06 de Janeiro de 2015 com muita festa e alegria.
O Reisado do ESCUTA tem característica de Folia de Reis que chegou ao Brasil no Século XVIII e acontece tradicionalmente no período de 24 de Dezembro, véspera de Natal, à 06 de Janeiro, dia de Reis, período da Festa da Epifania comemorada pela Igreja Católica lembrando a visita dos Reis Magos ao menino Jesus. A tradição é comemorada com um cortejo passando de porta em porta em busca de oferendas, que podem variar de uma caixa de fósforo à um valor qualquer. Uma das formas mais significativas da manifestação da cultura popular é através da festa, uma vez que a cultura popular pode usar dela para celebrar e fraternizar com o propósito de uma revisão de valores identificados na sociedade, fazendo questão de revitalizar a força que a festa congrega. O ESCUTA entende que uma das formas de contribuir para a caminhada da comunidade é despertar o interesse coletivo por estas festas sadias com a participação das famílias, motivando a solidariedade e apresentando um olhar crítico para o sistema capitalista de desigualdade social, com acumulo de riquezas e consumo desenfreado.
E é assim que o Reisado do ESCUTA acontece neste ano de 2015, em ritmo de celebração e comemoração, onde teremos na nossa programação a já tradicional Cantoria de Reis de porta em porta pelas ruas do Pici. A festa de encerramento no dia 06 de Janeiro teremos apresentação do Bumba Meu Boi, Pastoril e o Reisado na nossa sede.
Nas comemorações dos 25 anos de Reisado, teremos um novo CD com canções autorais especificas de Reisado e que será lançado em Fevereiro no Estoril, na Praia de Iracema. Este ano de 2015 é também o ano em que o ESCUTA completa 35 anos de existência, o que fará com que o ano inteiro também seja repleto de eventos comemorativos. Viva a Folia de Reis!

http://blogdoescuta.blogspot.com.br/2015/01/o-reisado-do-escuta-completa-25-anos-de.html

domingo, 19 de outubro de 2014

Educação e fé política

Leonardo Sampaio

Assisti um vídeo https://www.youtube.com/watch?v=6Qln88pzEHU do grupo carismático Canção Nova, em que o Padre faz um discurso homofóbico, na hora do sermão, enfatiza ainda, nas entre linhas, a Dilma Rousseff quase como satanás, e um dos argumentos é o comunismo, como se ela esteja querendo implantar no Brasil. Nossa senhora, me arrepiei todo com a ignorância, o Padre pregando o ódio, jogando as pessoas contra o projeto do PT, o projeto de distribuição das riquezas que vem melhorando as condições de vida dos pobres. Faz vergonha ter uma pessoa daquela se dizendo cristão, se achando representante da Igreja e da divindade santa e o pior se dizendo sabedor das coisas, é nítido que o moço, é alguém que não estuda, não se aprofunda nem no que vai dizer e sai falando besteira na frente de um altar como se fosse dono da verdade e ainda diz que está inspirado por deus, pra mim é apenas o deus dele, odiento, raivoso, homofóbico, anti Cristo.
Por causa disso, procurei conhecer a origem dessa instituição religiosa da Igreja Católica, tão retrógrada, conservadora e defensora dos projetos políticos de acumulação de riquezas nos moldes capitalista, que é um modelo contrario aos princípios cristãos, porque prega o egoísmo, a ambição, o acumulo de riqueza e pratica a exploração do homem, sobre o homem e a destruição da natureza. Na minha pesquisa, descobri que ela nasceu nos Estados Unidos, com uma linha religiosa pentecostal e de doutrina carismática, assemelhada ao protestantismo evangélico americano, uma espécie de evangélico com Maria, dentro da Igreja Católica.
A partir dessa descoberta, procurei saber o que motivou ela e os demais movimentos carismáticos e evangélicos ambos pentecostais a se multiplicarem tão rapidamente no Brasil, a partir da década de 1990, e nessa pesquisa conheci o documento chamado Santa Fé, que tem como objetivo enfrentar uma espécie de represália à Igreja da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs e decretar o fim da Teologia da Libertação, por essa, pregar o Cristo Libertador, um Jesus que trás a ideia que tudo feito pelo Criador seja comum a todos, proposta que se alinha ao comunismo, como é a vida dos primeiros cristãos (Ato dos Apóstolos) como o modelo socioeconômico, onde “todos trabalham, produzem e distribuem as riquezas e a produção de acordo com suas necessidades”, o que significa o mesmo projeto do Reino de Deus, o Reino com uma sociedade de igualdade, justiça, fraternidade, humanização e preservação do planeta.
Foi esse o Projeto apresentado por Jesus Cristo e por causa dele foi condenado e assassinado com aval do povo, gritando, mata-o, mata-o, ..., em assembleia popular. Jesus nessa ocasião ficou apenas com sua mãe, uma prima e alguns poucos seguidores, o que não quer dizer que o projeto apresentado não seria o melhor pra humanidade e o planeta. Já que ao contrario dos assassinos que representam o egoísmo, a ambiciosos e acumulação de riquezas.
Por incrível que pareça, a inspiração de escrever sobre esse tema, nasceu ao ouvir dentro da escola as diversas opiniões sobre a Dilma e o Aécio onde um professor de linha carismática evangélica com Maria fica perguntando qual é o projeto da Dilma, então entreguei-o o projeto para a educação e o mesmo não quis nem lê, apenas colocou de lado, uma professora se dispôs a lê, mas logo ouvi a interrogação: E o comunismo? Alguém falou “Leonardo é comunista!” e de imediato acrescentei “Sou comunista cristão, por dois motivos: Um, porque o projeto sociopolítico que Jesus Cristo nos apresentou é de uma sociedade comunista, da forma como está na Bíblia, no ato dos apóstolos, e o segundo, é o Reino de Deus que é a essência do comunismo, onde tudo é comum a todos e não tem ricos nem pobres, todos são iguais, e é lá, onde se pratica a justiça, a fraternidade e o amor humanitário e universal a todas as formas de vida”.
Ao final, os comentários foram sobre o comunismo e ficou notório a necessidade de se conhecer com mais profundidade o tema, já que, o que se tornou visível ao povo, são os estados totalitários e o desvio dos princípios marxista na relação sócio-político-economico de uma sociedade socialista. Mas também concordo que, esse tipo de Igreja que desconhece o Reino de Deus, o Cristo Libertador e cria sua própria doutrina conservadora, olhando para o mercado, o consumo e com shows mirabolantes em nome de deus, é “ópio do povo”, (Karl Marx).
 Com isso concluo que, o meu Deus, não é o mesmo dele, e que pode haver muitos deuses, como disse D. Aloísio, em um encontro de Forania: “Cada qual pode criar um deus pra si, conforme seus interesses”.

19/10/2014