terça-feira, 10 de dezembro de 2013

RIQUEZAS E BELEZAS DA ÁFRICA

Leonardo Sampaio
10/12/2013

África, África mãe da humanidade
Que pare pretos, brancos e amarelos
África de todas as qualidades
De rios, ilhas e Costa do Marfim.
Continente extenso com riquezas naturais
Vulcões que explodem fervendo a terra
Savanas imensas com seus animais
África que toca tambores
E trás os espíritos de ancestrais

África das religiões
Das vivencias espirituais
Do cristianismo e Candomblé
Com seus deuses primordiais
Que alimentam a fé.

África de muitos saberes
De contos e poesia
De encontros circulares
Com histórias e oralidade
Celeiro da sabedoria
Que se espalhou na humanidade.

Saberes que vieram pra cá
Pra esse grande Brasil
Chegando do lado de lá
Com o toque dos tambores
E os deuses de oxalá
Exu, Ogum e Oxossi
E sua mãe Iemanjá.

O sapiens do escravizado
Criou aqui a capoeira
Trazendo de lá o gingado
O tambor e o berimbau
A dança circular
E a luta do maneiro pau.

A criação da feijoada
Vem dos saberes africanos
E no Brasil foi criada
Nas cozinhas das senzalas
Com comida bem temperada
Das vísceras dos animais
Que no lixo era jogada.

A criatividade africana
Ta na louça e ta no barro
Com artesanato bacana
Fazendo panela e jarro,
Os costumes espirituais
Mesmo sendo proibido
Foi com sabedoria
Que aqui foi reerguido
Por meio da "Umbanda"
Onde santos e orixás
Se encontram no mesmo altar
Pra sua fé professar.

E assim é o africano
Com sua africanidade
Vinda do continente
Com toda criatividade
Vencendo o preconceito
Por causa da qualidade.

Essa África tem riqueza
Feita com amor e bondade
E tem muita beleza
De toda diversidade
Construída da natureza
Para toda a humanidade

E assim vou concluindo
Dando minha contribuição
Por meio da poesia
Pra fazer reflexão.

sábado, 7 de dezembro de 2013

África berço da humanidade

Leonardo Sampaio

A África é considerada o berço da humanidade, a mãe dos primeiros Seres, foi ela que trouxe a civilização e a evolução da espécie recheada de sabedoria e ainda pigmentada com a diversidade de cores na pele, identificadas regionalmente no Continente Africano. Portanto, é na África que se inicia o povoamento do mundo, a genética da humanidade e a partir dos povos nômades é que se espalharam pela Ásia e a Europa, dali foi se expandindo por todo a Terra, o que nos permite afirmar que a ancestralidade de todos os povos tem sua origem no continente africano, dessa forma, podemos dizer que esse continente contribuiu com o desenvolvimento civilizatório, cultural, social e espiritual com a revelação dos deuses como seres supremos que penetram na mente e no coração das pessoas para perpetuar a harmonia universal entre o humano e a natureza. Nessa construção a forma de relação harmoniosa é apresentada por meio das religiões com suas espiritualidades e daí vai se identificando que na humanidade já há uma relação entre o bem e o mal com espíritos que agem de um lado ou do outro a partir dos interesses individuais, a ambição, a concentração de poder, a dominação a partir dos bens acumulados.  Daí vem às religiões na África que tem o sentido de pertencimento harmônico dos valores entre espírito e natureza fazendo o contraponto entre a maldade humana para se relacionar com humildade e distribuir as riquezas tendo a vida como centro de tudo.
Nos escritos históricos do Antigo Testamento mostra os povos nômades ou migrantes percorrendo a região entre África e Ásia em busca de lugares mais férteis, capazes de oferecer melhor qualidade de vida. É daí que nasce no Egito o cristianismo sob a liderança de Jesus Cristo lutando pela libertação do povo que sofre e que é perseguido. Ele faz isso a partir de um olhar para um Deus como ser supremo criador do universo e capaz de salvar o mundo de todos os males. Enquanto isso no continente africano encontramos em Ioruba o Candomblé com os Orixás, que são deuses ligando o ser humano à natureza, onde a terra, a água, o fogo e o ar se fazem presente em seus cultos e as pedras têm significados sagrados de purificação do espírito e poderes para afastar o mal e abraçar o bem. A partir daí muitas outras formas de espiritualidades vão aparecendo na humanidade com seus próprios deuses. Um dado interessante entre as duas religiões é o sacrifício oferecido através do sangue, que no cristianismo Deus se revela feito homem e o fez derramar o sangue para salvar a humanidade, afastando-a da maldade feita pelo próprio humano seu filho e busca a comunhão entre as pessoas. Já os deuses Orixás nas suas espiritualidades alimentam-se na comunhão acreditando na força da natureza e derrama o sangue de animais como sacrifício para afastar os espíritos da maldade, levando-os ao castigo e ao sofrimento para pagar a maldade exercida sobre as outras pessoas. Outro elemento que aparece nas duas religiões de matriz africana (Cristianismo e Candomblé) é a poesia, a música, o canto e o toque dos tambores com uma musicalidade para invocar os espíritos e construir um diálogo de fé, esperança e alegria. Em ambas as religiões a água é o elemento que purifica a partir do batismo nos rios ou mares. A mulher se faz presente como mãe, por meio de Maria que concebeu o filho para salvar a humanidade e Iemanjá a mãe de todos os orixás e deusa das águas que gera a vida e purifica o mundo.
Então a força da África esta simbolicamente revestida da espiritualidade dos diversos deuses africanos do Candomblé com seus Orixás, como:
Exu
É o mensageiro entre os homens e os orixás e transportador das oferendas. Controla as forças que agem sobre a nossa realidade. Exu também é homenageado às sextas-feiras.

Ogum
Forte e corajoso, é conhecido como orixá da guerra e do fogo. Criou o ferro, a tecnologia e a metalurgia. Por isso, é padroeiro de todos os que manejam ferramentas. Seu símbolo é a espada.

Xangô
Senhor dos raios e dos trovões. Durante sua vida na Terra foi rei de Oyó, uma das principais cidades de língua iorubá. Por esse motivo, quando seus filhos o incorporam usam uma coroa.

Oxóssi
Orixá da mata e caçador, garante o alimento de todos os outros deuses. É considerado o guardião da agricultura e da natureza. É umas das divindades mais populares do candomblé.

 Oxalá
Separou o mundo material do espiritual. Muito respeitado, tanto pelos devotos humanos quanto pelos demais orixás, ajudou Olodumaré a criar o homem e o princípio da vida.

Oxum
É a senhora das águas doces, dos lagos e das cachoeiras. É tida como bela, vaidosa, rica e sensual. É a orixá que regula o amor e o poder de gestação das mulheres.

Obaluaiê
É o orixá das epidemias e também da cura. Traz em seu corpo as marcas das doenças que carrega, por isso precisa se esconder atrás de um chapéu de palha em forma de manto.

Oxumarê
Tem a forma de arco-íris e liga o céu e a terra. Controla a chuva, a fertilidade do solo e a prosperidade propiciada pelas colheitas. É masculino e feminino ao mesmo tempo.

Iansã
Dirige ventos, raios, tempestades e a sensualidade feminina. Representada sempre como uma guerreira, é senhora dos espíritos dos mortos, que encaminha para o outro mundo.

Ossaim
Deus das folhas e das ervas medicamentosas. Seus sacerdotes conhecem as palavras que ativam o poder de cura das plantas. Segunda e sábado também são dias desse orixá.

Iemanjá
Reconhecida como mãe de todos os outros orixás, é a deusa das águas. Rege o equilíbrio emocional e a loucura. Destaca-se pela feminilidade, generosidade e maternidade.

Ogum
É o temível guerreiro, implacável, deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia; protetor dos ferreiros, dos agricultores, caçadores, carpinteiros, escultores, sapateiros, talhantes, metalúrgicos, marceneiros, maquinistas, mecânicos, motoristas e de todos os profissionais que de alguma forma lidam com ferro ou metais a fins.

Mas também a força do cristianismo tem seus primórdios na África quando surge no Egito, Etiópia e se espalha no Oriente, Ásia, Europa e o resto do mundo, o que nos faz afirmar que a África é a mãe da humanidade.

07/12/2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Viver em paz na terra

Ai que tristeza,
Que dor
Que dói no peito
Ver o desamor vencendo a vida
O ódio aliar-se ao mal
O rancor fechar-se à inveja
Por ausência de espírito.

Não! Não!
Nunca deixe
Nunca aceite
Nunca permita
Que o mal vença o bem.

Abra o coração para o amor
Amar o próximo como a si mesmo
Ame a si e viva a paz de espírito
Veja no outro a imagem semelhante
De um mesmo pai
E uma mesma mãe
Que os ama de verdade.

A verdade e a vida
Está dentro de você
Faça aflorar com o perdão
Perdoar é viver intensamente
Pedir perdão é lavar a alma
Sentir-se aliviado
É afastar a maldade
É perceber o amor
É ver-se igual ao outro
É saber que só o amor constrói.

Se amem, em casa, na escola
Se abracem, se beijem
Abram o coração pra se amarem
É assim que preciso os ver
Digam pra si que quero viver em paz,
Orgulhando-se dos frutos doces e dóceis
Que os pais trouxe ao mundo.
Saibam que seu pai e sua mãe os amam
Por isso, deixem vive-los em paz aqui na terra
Mesmo com todas as suas diferenças.
.

Leonardo Sampaio

20/11/2012 – Dia da consciência negra.

Os anjos que vão

Vi de verdade,
Anjos com vela na mão,
É a luz que encandeia o caminho,
Pra subir ao céu,
A chamado de Deus.
Ele sabe o que faz.
Diz a mãe.
E acrescenta:
O bichinho nem comia mais,
Se é de sofrer aqui,
Vai viver em paz,
No céu,
Ao lado da virgem Maria,
Nossa mãe.
Ela vai cuidar dele com carinho,
Até eu chegar lá.

Vi com o zoi da cara,
Mãe seguir o mesmo caminho,
Pelos mesmos motivos,
Nem amamentar conseguia,
A palidez, a anemia
E o corpo frágil
Revelavam a razão.
Mas Deus,
Há de mostrar um jeito,
Ele é justo.
O sofrimento dela,
Será recompensado no céu
E Nossa Senhora,
Há de mostrar um jeito
Das crianças escaparem.
Diz a avó.

Vi com indignação,
Idosos seguirem o mesmo destino,
Como trapos humanos,
Sem forças pra produzir,
O mercado não lhe quer mais,
São excluídos do trabalho,
Viveram a vida na informalidade.
Só lhes resta
A vela e caixão
Para o encontro com o pai supremo,
E viver em paz.
Conforme a religião,
Pode nem ter mais mãe,
Para acolher no paraíso.
Vi com olhar crítico,
Que assim como Maria
Estes também foram migrantes
Lutaram por um lar
Ocuparam terras
Acenderam fogueiras.
Lugar de encontros
De histórias de vida
De trocas de saberes.
Quem sabe?
Os saberes do quilombo,
Do pai véi,
Dos orixás,
Nas matas dos sertões.
Das caçadas e caiporas,
Do vaqueiro, o violeiro,
A poesia e o repente.
Tudo era saudade,
Agora é a selva de pedra,
Que esconde o rural no urbano,
E a favela,
De pobreza e a miséria.

Vi em tudo isso,
A fome matar,
Agora vejo jovens,
De armas em punho,
Sem sonhos, nem utopia,
Entregues ao crime
Por um centavo
Pro crack
E até a vida
Vira coisa banal
Assim os pais,
Vão enterrando os filhos.
Sem encontrar razão,
Pra essa viagem.
Já não conseguem mais dizer,
Que é Deus que está levando,
Pra o seu encontro,
Dessa forma,
Refugiam-se nas religiões
Em busca de um supremo,
Que lhes conforte.

Vi assim
Igrejas lotadas
Sofrimentos intensos
E a fuga da realidade.
A conformidade
Com o irreal,
E a entrega a um deus,
Que não faz parte
Da história de Abraão,
De Moisés,
Do povo de Deus,
De José, Maria
E de Jesus Cristo
Que foram capazes
De defenderem os direitos
Das mulheres, pescadores, doentes,
De denunciar os poderosos
E estarem ao lado dos pobres,
Sem temer a morte.

Leonardo Sampaio

19 de maio de 2012

domingo, 1 de dezembro de 2013

AFRICANIDADE E CULTURA NEGRA

AFRICANIDADE E CULTURA NEGRA
Leonardo Sampaio.

Cultura negra é
Vatapá, Feijoada e acarajé
É música e culinária
Maracatu e axé
O gingo da capoeira
Iemanjá e candomblé.

O escravismo foi abolido
Com o negro em liberdade
Mas o preconceito e racismo
Descriminando a qualidade
Ficou impregnado
Contra a africanidade.

Não lhes deram o direito
A saúde e educação
A terra pra cultivar
Nem um pedaço de chão
Pra que pudesse morar
E tirar a produção.

Por isso foi se formando
A resistência quilombola
E as comunidades negras
Com poesia e viola
Preservando suas culturas
Trazida em sua sacola.

22/10/2013

Este poema foi musicado em RAP pelo estudante Gustavo de 11 anos da 5ª série, ele é aluno da Escola Dona Dagmar Gentil, onde sou professor. O RAP foi gravado em vídeo cantado por 4 alunos  e esta concorrendo a um prêmio nacional no Ministério da Educação. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O GUARÁ E O GUAXINIM


Autor: Leonardo Sampaio

Um Guará de tanto chupar cana ficou gordo e baixinho. Ele vivia no campo em um lugar chamado queimada, que ficava bem distante das áreas urbanas e bem próxima da comunidade negra do Urubu. Era um animal que tinha muito medo de andar à noite, por isso gostava de aproveitar os dias para visitar familiares, passear ou fazer negócios. Seu transporte preferido era andar montado em uma mula branca, mansa, paciente e bastante robusta para agüentar o peso do Guará. Nessas suas andanças nem sempre dava tempo resolver tudo que queria antes de escurecer. E os motivos eram variados, podia ser devido a histórias longas que teve de ouvir, ou um bate-papo, um almoço e uma soneca depois da refeição e até um jantar. Assim o dia ia passando, o sol vai se pondo, os pássaros param de cantar e se recolhem aos seus galhos ou ninhos, os animais deitam e repousam remoendo o alimento, que comeu durante o dia. A noite escura chega, as estrelas vão brilhando, o sereno começa a cair, o clima vai esfriando e quando tem lua cheia a paisagem da caatinga e do serrado no sertão nordestino fica mais encantador.
Porém, durante as noites muitas coisas estranhas acontecem nas matas que ficam ao lado das estradas empoeiradas ou úmidas das chuvas. São coisas que aparecem e fazem arrepiar, como: o barulho da rasga mortalha, o canto da coruja, o assobio da caipora e o açoite nos cachorros, as almas do purgatório, tochas de fogo, lobisomem, morcego vampiro, raposa pegando galinhas, furão, comendo ovo nos ninhos e o pior de tudo é que no caminho mais próximo pra sua casa ao passar pelo Sítio Gruta tem o Bode da Braúna que é um bicho valente e destemido que sai de dentro da mata e pula no meio da estrada na hora em que o bicho homem aparece em seu território, durante a noite. Já na outra estrada mais longa pra chegar a sua casa, indo pelo Sítio Roncadeira, aparece às almas do purgatório pedindo reza pra se salvar ou as tochas de fogo em lugares onde o bicho homem foi assassinado e condenado ao inferno.
Tudo isso assusta até a mula que chega mesmo a se acôar pra não passar. Por isso, não tem quem faça o Guará passar nesse caminho depois que escurece, nem mesmo com a companhia da mula. Quando acontece de chegar à noite e o Guará ainda estiver distante de casa, ele dá um grito chamando atenção dos amigos, vai até a casa do parente Guaxinim e um dos filhotes muito corajoso, que não tem medo de nada, vai deixá-lo em casa, montado em um cavalo. Depois o filhote de Guaxinim volta sozinho sem temer nenhuma assombração, porque aprendeu na escola que o animal mais perigoso é o bicho homem que destrói até o próprio ambiente que ele mesmo mora. Mas o filhote de Guaxinim é destemido assim, porque aprendeu também, que todas essas histórias, são lendas e que nada acontece de verdade, a não ser criada pelo medo, ou pela criação da mente humana, como o sonho.

27/10/2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Canalizar riachos não é o mesmo que urbanizar.


Li uma matéria do Jornal O POVO do dia 08/09/2013 intitulada “Parque Rachel de Queiroz ainda deve sair do papel em 2013”. Isto que o lado Oeste da cidade de Fortaleza precisa, almeja e luta pra que aconteça. A cobrança ininterrupta pela criação deste parque teve início em 1983, quando ainda não havia tantas intervenções de obras às margens dos riachos, em uma região de muito capim e Sítios que servia para descanso e criação de animais, inclusive com várias vacarias (algumas existentes até hoje), o que tornava o ambiente uma mistura de rural com urbano. Eu mesmo que tinha chegado do interior do Cariri ainda adolescente, sentia-me um tanto confortável em andar por dentro dos sítios curtindo a flora e a fauna existentes. Neste caso, com a permissão dos caseiros.
Já a história do Parque, começa com o loteamento do Sítio Pici, no inicio da década de 1980, quando os lotes estavam sendo vendidos e o corretor passou a morar na Casa Grande, foi aí que, conversando com as pessoas mais antigas do bairro, encontrei as lavadeiras de roupas, as engomadeiras, as faxineiras, os Senhores que arriavam os animais na charrete para Rachel passear e conversei também com as Senhoras que na época eram crianças e brincavam com a jovem escritora. Foi assim que descobri que Rachel de Queiroz havia morado ali, onde escreveu seu primeiro livro, O Quinze. A partir dessa descoberta, as CEBs da Fumaça (Comunidade Eclesial de Base da Igreja Católica), passaram a refletir a importância histórica do local e apresentamos para as autoridades a proposta de criar o Pólo Cultural Rachel de Queiroz, aproveitando os espaços verdes no entorno da casa, como o açude e as cacimbinhas nas margens do Riacho Cachoeirinha onde as mulheres lavavam roupas e as crianças brincavam nas águas cristalinas e pescavam piabas para o alimento etc.
Enquanto essa história de urbanização do Riacho Cachoeirinha estava no Henrique Jorge, Jóquei Clube e Pici, o mesmo acontecia com o Riacho Alagadiço nos Bairros São Gerardo, Ellery e Presidente Kennedy, sendo que os dois se encontram no Antônio Bezerra. Foi a partir desse diálogo dos dois movimentos ambientalistas do Oeste de Fortaleza que foi elaborado pela prefeitura o Projeto “Parque Rachel de Queiroz”, em 1995. Ao surgir o Projeto, os dois movimentos sentiram a necessidade de unificar a luta, criando o “Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz”, que compreende a urbanização com preservação natural do leito do Riacho Cachoeirinha, partindo do Açude do Sítio Pici, no Henrique Jorge e o Riacho Alagadiço, iniciando no Açude João Lopes, no Bairro Ellery.
Sobre a matéria do Jornal, o Movimento discorda do projeto de canalização que está em curso. O projeto Drenurb foi iniciado na gestão da ex-prefeita Luizianne Lins e está dando continuidade com prefeito Roberto Claudio. Desde o inicio das obras o Movimento lançou protesto e cobrou a execução do projeto original, elaborado ainda na gestão de Juraci Magalhães, que preserva a fauna, a flora, o leito e criaria espaços de lazer para a população. O Drenurb está canalizando sim, cimentando as margens e construindo uma manta de cimento com concreto no solo do leito dos Riachos, e entendemos que isto é a mesma coisa que criar esgoto. O Movimento compreende que essa é a forma de descaracterizar os Riachos para beneficiar a especulação imobiliária nas proximidades, já que às margens do Riacho deve sempre existir uma área de preservação permanente de até 15 metros de cada lado e mais a área de proteção ambiental, onde não podem ser construídas edificações residenciais etc. Esse espaço de proteção é aonde o poder público deve construir os equipamentos de lazer, de socialização, esportivos, educativos etc. Já com a obra que está em andamento da forma como o Drenurb está fazendo em estilo de Canal, reduz a área de preservação para apenas 5 metros e acaba com o espaço de proteção, o que vem beneficiar as construtoras, permitindo que as mesmas façam aterros e diminuam as áreas verdes e a qualidade de vida no Oeste de Fortaleza.
Podemos ver então que não há nesse projeto nenhum interesse urbanístico com a cidade e com a melhoria de vida das pessoas, mas sim, proteger o capital especulativo imobiliário do mercado capitalista e consumista.

Leonardo Sampaio
Educador, Historiador Popular, membro do ESCUTA (Espaço Cultural Frei Tito de Alencar) e do Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

As manifestações de ruas e a mídia

As manifestações de ruas em Fortaleza desde o dia 19/06/13 me fizeram observar que as matérias de televisão e jornais vêm discriminando e criminalizando o movimento de rua, taxando-o como vândalo, tanto nos noticiários como nos programas da “bala e sangue”. Passam horas mostrando imagens da revolta popular contra todas as formas de desrespeito aos seus direitos. Os jornais impressos trazem nas manchetes fotos e matérias mostrando fogo e violência, como se tudo fosse vandalismo.
Esse tipo de comunicação, não quer apresentar a realidade que está presente nas manifestações, a partir das diversas formas que os manifestantes veem o mundo, como por exemplo, a filosofia do anárquico, que quando é atacada nas ruas, tem seu jeito de protestar contra o Estado e a mídia que os tratam como pessoas anormais e os discriminam, não aceitam o seu jeito de ser.
Essa mídia não percebe que o manifestante da rua está na escola, ou passou por ela, adquiriu consciência crítica e consegue fazer uma leitura de mundo, razão pela qual quando ele queima ou apedreja é simbolizando o protesto contra o que dizem dele, ou como os tratam. Não são vândalos, mas protestos de jovens que estudam, tem criticidade, filosofia de vida, detestam o Estado e querem ser livre dele. Livres desse Estado burguês que o oprimem com todas suas instituições. Livres do consumo capitalista. Livres das estruturas que os reprimem. Portanto, não há vândalos e sim pessoas com protestos contra o Estado (Executivo, Legislativo, Judiciário) e a mídia extremamente incorporados à corrupção.
Dessa forma entende-se que o jeito de queimar das manifestações de ruas, pode ser um protesto ilegal, porém legitimo. Queima-se a péssima qualidade dos serviços, inclusive da mídia.
O que li, escrito por parte desses jovens, não é simples pichações e sim murais onde expressam suas indignações e filosofia de vida e de ler o mundo.
É preciso entender que o que está sendo queimado nos protestos, não é um simples ataque aos carros dos meios de comunicação, mas à péssima qualidade dos programas de televisão que apresentam as pessoas da periferia como gente “do mal”, com sangue e bala pra todo lado. Essa imagem é apresentada em televisões e jornais mostrando a pobreza como degradação humana e lixo da sociedade, como se todos fossem marginais. Então, o que está sendo queimado da mídia nas manifestações, são os estereótipos das periferias, com sua programação de sangue, bala e miséria humana. Essa juventude quer o reconhecimento das suas qualidades, dos seus valores, da sua potencialidade, são pessoas que acreditam num outro mundo possível.
A simbologia dos manifestantes de rua quando viram e apedrejam um ônibus, não é um simples ato de vandalismo como estão tratando e sim à revolta dos usuários, pela péssima qualidade do transporte coletivo. No entanto, a sociedade um tanto quanto hipócrita, acha que não é essa a forma, só que todas as outras já foram tentadas pelas organizações populares, como não tem resposta satisfatória, o radicalismo das ruas vai a extremidade possível, mostrar a necessidade de mudanças.
É esse o diferencial que a mídia não trás a análise e levam à criminalização, enquanto que Estado apresenta como solução a repressão, estão aí às contradições da luta de classes que chegaram às ruas.  

Leonardo Sampaio
Educador

sábado, 22 de junho de 2013

O ESCUTA e sua dimensão histórica no mundo

O ESCUTA teve inicio em 1980 com a chegada de vários missionários e missionárias na Favela da Fumaça, ali era apenas becos, em um ambiente extremamente desumano, formado por índios Tapeba, Tremembé, Tabajara e afrodescendentes possivelmente de diversos quilombos espalhados pelo Estado do Ceará. Foi nesse ajuntamento de etnias que se formou a Fumaça e tornou-se um grande quilombo, com toda a beleza negra e sua potencialidade religiosa e cultural. Faltava a esses povos, conhecimentos de seus direitos e deveres pra juntar aos seus saberes e elevar o nível de sua organização. O grupo de missionários/as a partir da fé colaborou pra que ali se formasse a primeira organização comunitária que foi a Comunidade Eclesial de Base – CEBs da Fumaça, A CEBs percebeu que uma das dificuldades local, era o analfabetismo de crianças, adolescentes, jovens e adultos, daí é que nasce a Escolinha Frei Tito, hoje Escuta – Espaço Cultural Frei Tito de Alencar que como primeira ação, formou jovens da comunidade com o método Paulo Freire, para serem educadores, não só do alfabeto e letramento, mas principalmente da leitura crítica de mundo.
O objetivo do grupo de missionários/as era ajudar as pessoas a sair do estado de ignorância intelectual, pra começarem a perceber a vida e sua realidade, analisar as causas de suas dificuldades e ver o mundo além do seu entorno, pra agir dentro dele e transformar a realidade. Esse foi o método norteador dessa formação que parte do pensamento comunitário da Teologia da Libertação com um olhar no Cristo Libertador, confrontando com as idéias do conservadorismo religioso pentecostal e o sistema político econômico capitalista que forma mentes para o individualismo e a ambição.
Esse processo formativo se tornou em educação popular permanente dentro do Escuta e ultrapassou o limite das religiões com olhar voltado pras pessoas, para o ser humano e sua libertação, desde o corpo, a mente e o consumo, acreditando que outro mundo é possível, desde que seja criado por mentes sadias, sem a doença da morte gerada pelo capitalismo e com isso resgatar a dignidade e os sonhos, se percebendo no mundo pra buscar a utopia e os sonhos sonhados e a sonhar.
Em todo esse percurso das CEBs e o Escuta, a arte e a literatura sempre estiveram presentes com as diversas linguagens artísticas e a leitura, desde a bíblia, a teologia da libertação, aos clássicos da revolução socialista, da música popular, do teatro, a poesia e a educação popular. Por isso, esse espaço é predominantemente de formação da cidadania e profissionalização em arte educação.
Portanto, o Escuta é uma Escola de Formação em que as pessoas, desde crianças a idosos acumulam conhecimentos e agem no mundo transformando a realidade.
O Escuta talvez possa ser compreendido como ambiente modelo de formação para a construção da emancipação humana.
Essa construção passa por compromisso pessoal e coletivo.

Leonardo Sampaio

Educador e sócio fundador do Escuta.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O risco da escassez masculina


Pelo numero de homens que está morrendo em torno da violência, é preocupante que possa haver escassez, em um curto espaço de tempo.
Falo assim, porque acompanho como educador popular e professor de escola pública, que cerca de 200 jovens foram assassinados na última década, só no Pici. Minha observação, é que desses mortos, apenas quatro mulheres fazem parte do rol, isso falando apenas da criminalidade, quando olho para os acidentes de motos e veículos observo que a maioria está entre a população masculina e os ainda vivos, muitos estão mutilados e outros nos presídios, isso significa uma escassez da figura masculina, o que deverá representar em breve, falta de mão de obra do homem, já que uma geração de jovens está sendo exterminada e o pior, na onda da violência, são das camadas pobres, filhos de biscateiros, desempregados, comerciantes, ambulantes, vendedores de drogas ilícitas, serventes, pedreiros, operários, lavadeiras, engomadeiras, costureiras, diaristas, e outras. É possível identificar ainda, que na sua maioria são de origem afrodescendente, que ao serem libertos da escravidão, não tiveram direito a terra pra trabalhar e morar, são também indígenas que sofreram a violência de tomarem suas terras. São povos de etnias com sua cultura própria, porém, discriminada por uma sociedade capitalista, individualista e consumista.
Os jovens são convidados para o consumo de produtos de marcas, mas não veem perspectivas de consumirem, com os recursos dos pais, por isso, também não querem a profissão deles, mas a sociedade lhes exige uma aparência, e eles não querem aparecer pra sociedade por baixo, como um pobre qualquer, e aí, pelo menos no seu meio, sentem a necessidade de se destacarem como heróis, diante das paqueras, nesse caso, usar drogas, roubar, pichar e matar vale tudo, “faz parte do sucesso”.
Destaco ainda, outro elemento importante a ser pesquisado: Qual é o grau de instrução deles? Quanto tempo esse jovem passou na escola? Porque abandonou o ambiente escolar? Quais eram seus sonhos e porque não lutou por eles?
Fica aqui, as interrogações, para que os institutos de pesquisas e cientistas busquem responder.

Leonardo Sampaio
27/03/2013