sexta-feira, 10 de abril de 2009

ESCUTA 29 anos nos caminhos revolucionários



A busca de se seguir os passos no caminho que seguiu Jesus Cristo, o maior líder da terra, o homem que revolucionou o seu tempo e os templos é um desafio. Porque ele foi um homem capaz de confrontar poder político, econômico e religioso em defesa dos pobres, humildes, marginalizados, desprezados pelos três poderes. Encontrou ali o povo de Abraão, de Davi, de Moisés, da Região de Israel, Palestina, Canaã era o povo hebreu e judeu.

A arma mais poderosa, mais contundente e incisiva que levava para o combate, era o amor a humanidade. Para ele ninguém e nenhum poder tem o direito de escravizar, de tornar seres humanos e a natureza em deposito de lixo.

Como instrumento para o enfrentamento, levou em seu patuá munições capaz de enfraquecer o inimigo e diante deles puxou o gatinho e atirou com palavras que se fez verbo, anunciando que o verdadeiro amor se pratica com justiça, fraternidade, humildade e ação. Como bom guerrilheiro se fez profeta denunciando que quem pratica opressão e destruição em detrimento à vida não será digno do Reino de Deus.

E assim, com estes ensinamentos, o verbo se fez palavra na Favela da Fumaça, periferia de Fortaleza em 10 de abril de 1980. O tempo foi de ditadura militar, de perseguição, tortura, assassinato, de capitalismo selvagem, de Igrejas conservadoras. Por estes motivos o profetismo de Jesus Cristo se fez presente com palavras geradoras nos caminhos da liberdade, com a presença viva do nosso pastor maior D. Aloisio, das freiras, padres, seminaristas e pessoas leigas politizadas, missionárias que foram para o enfrentamento com a munição evangelizadora da fé, da esperança, da organização social em busca de melhorias da qualidade de vida, de moradia, de trabalho, saneamento e cidadania.

Morava ali uma população migrante das secas, das cercas, da fome, do latifúndio e foram jogados no espaço urbano, no mais elevado mundo do capitalismo anticristão. Eram brasileiros, brasileiras, nordestinos, nordestinas criaturas humanas vivendo em ambientes desumano. A esperança é depositada em Deus e nos poderosos, não vislumbram em si a capacidade de alcançar os sonho e a utopia. Aguardam apenas o manja cair do Céu, ou sobreviver de acordo com a vontade de Deus. Transfere assim para Deus um pai malvado, cruel que lhes oferece para vida o sofrimento, o comodismo. Os direitos estão nos ricos e pra si apenas a caridade.

Em meio a esse povo é que nasce a Comunidade Eclesial de Base - CEBs da Fumaça e o Espaço Cultural Frei Tito de Alencar - ESCUTA que completam 29 anos nos caminhos revolucionários de lutas e construção da cidadania.

A fonte inspiradora que fortalece essa resistência e insistência é a fé no Cristo libertador, que confiou apenas em 12 companheiros e ainda foi traído por dois, mesmo assim não desistiu de levar adiante seus ideais de salvar a humanidade dos males causados pela ganância, o egoísmo e o individualismo.

Leonardo Sampaio
Educador e poeta

sábado, 17 de janeiro de 2009

O ESCUTA e FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

O Espaço Cultural Frei Tito de Alencar – ESCUTA se orgulha de ter mais quatro jovens neste ano de 2009 entrando na Universidade Federal do Ceará e dois esperam resultado do CEFET.
Tudo começou no ano de 2000, quando o ESCUTA realizava seu planejamento anual e deparava-se com o Grupo Utopia, que era formado por jovens vindo da Crisma desde a adolescência. A maioria destes jovens havia concluído o ensino médio. Quando da dinâmica de apresentação, ouvia-se dizerem que tinham terminado os estudos. Achei estranhas aquelas afirmações coletivas involuntariamente, era como se não tivessem perspectivas futuras de vôos maiores. Lembrei da águia criada no cativeiro junto com galinhas e nunca havia voado... (A Águia e a Galinha - L.Boff).
Eram jovens filhos de operários, biscateiros, lavadeiras de roupa que saiam da escola pública sem nenhum incentivo a leitura, nem a busca de novas tecnologias. Faculdade? Nunca nem imaginaram em enfrentar um vestibular, sentiam-se incapazes. O questionamento era: Como concorrer ao vestibular com os ricos que estudam nas melhores escolas particulares? É perda de tempo.
Suas vidas estavam voltadas para as profissões dos pais, ou algum bico de trocador, babá, lavar carro e outros.
Foi nesse planejamento do ano de 2000 que o ESCUTA priorizou trabalhar com jovens, levantar a auto estima deles, ouvi-los, propor, pensar juntos, construir ações coletivas, empoderá-los de novos saberes e assim nasceu a idéia de criar um curso de pré-vestibular no próprio Escuta.
O entusiasmo dos jovens foi enorme, ao retornarem logo fizeram um projeto para captação de recursos e na primeira tentativa conseguiu-se aprovação de parte do projeto para instalar uma biblioteca, já o pagamento de professores foi negado. Mas isso não foi motivo de desistência, partiu-se para buscar professores voluntários e doações de livros. Convidamos a imprensa falada, televisiva e escrita. A Verdes Mares veio e fez matéria ao vivo. A repercussão foi muito grande, de repente apareceram livros, professos e um grande número de jovens de toda a Cidade, nosso espaço não cabia tanta gente.
Com a divulgação na mídia outras experiências parecidas que já existiam na Cidade vieram ao encontro do Escuta, daí após algumas reuniões em conjunto nasce a idéia de procurar a prefeitura para implantar em cada Regional um cursinho. O projeto foi elaborado com a Coordenadoria de Educação. Porém, ficamos surpresos, quando esperávamos o prefeito anunciar o início dos cursinhos nas Regionais, ele chegou com o Sistema Verdes Mares lançando o Projeto de Cursinho Nossa Vez.
A experiência do Nossa Vez, com a organização do Cursinho Voluntário não deu certo, os professores tinham suas próprias metodologias que não se encaixavam.
O voluntariado também durou pouco tempo, não deu certo, muitos professores desistiam, ou encontravam horários de aulas em outros estabelecimentos e ficava sempre um vazio entre as aulas.
A turma não desistiu, formou grupos de estudos e os que dominavam mais algumas matérias passava para os outros. Veio o vestibular, doze se inscreveram na Universidade Federal do Ceará - UFC e alguns também na Universidade Estadual do Ceará - UECE. Oito passaram na primeira faze e caíram na segunda exatamente na redação, resultado do mau ensino na escola pública. Um passou na UECE
Esse primeiro resultado animou a turma e para dar prosseguimento aos estudos foi criado o Banquete Literário, com objetivo de estimular a leitura e a produção de textos como forma de superar a dificuldade na redação.
www.banqueteliterario.blogger.com.br
Parte do grupo se entusiasma pelo teatro, monta uma primeira peça baseada na literatura de cordel, “O Pavão Misterioso” e assim parte para pesquisa sobre o que cada um se identifica e isso facilitou a leitura e produção de texto.
Dessa forma o grupo busca novas parcerias e metodologias de ação e elabora o Projeto Circulo de Cultura Brincante, que é uma maneira de produzir a partir da arte instrumentos de leitura do mundo, numa visão critica e dialógica com o Circulo de Cultura na Escola indo até lá incentivar a leitura a partir do lúdico, a Roda de Rua com enquet problematizando a realidade do bairro e do povo e abrindo o debate e o Circulo de Fantasia trabalhando com as crianças a partir do olhar em seu território.
O resultado de tudo isso, é que com essa motivação do Escuta, mais 20 jovens da comunidade entraram nas universidades, adultos retomaram os estudos e também partiram para universidades. Além da questão local, a experiência expandiu-se em outros grupos e comunidades e hoje muitos já entraram ou estão se preparando para entrar em universidades.
Outro resultado importante na mudança de vida desses jovens, foi a elevação da auto estima das famílias, quando nem imaginaram ter filhos e filhas em uma faculdade.
Um terceiro resultado é que todos que passaram por essa experiência no Escuta estão empregados como arte educador na prefeitura de Fortaleza ou em Organizações não Governamentais - ONGs.
É devido a essas experiências êxitosas que o Escuta acredita que um outro mundo é possível e vai ao Fórum Social Mundial, que acontece de 27 de janeiro a 01 de fevereiro em Belém do Pará.

Leonardo Sampaio
Educador e pedagogo.

VI SIM, O PÔR-DA-LUA.

Vi sim,
vi o nascer da lua cheia,
vi o sol se pôr,
vi, entre as folhas verdes do meu jardim,
vi, entre paredes e galhos,
vi as arvores na selva de pedra,
vi os pássaros gorgojearem,
vi o amanhecer com o canto das aves,
vi e ouvi o coral dos pássaros no amanhecer,
vi o beija flor e o banhei com água da mangueira,
vi o peneirar feliz do cebito e o sanhaço nas gotas d'água.
Vi e ouvi os fogos que alegram pessoas,
vi os pássaros voarem assustados ao pôr do sol,
vi e ouvi o canto estressado do coral dos passarinhos,
vi a revoada dos periquitos em cardumes,
vi o desespero dos pássaros em busca do sossego,
vi que os soltadores de fogos não sentem a natureza,
vi que a vida é sentida no indivíduo,
vi que o mundo é de todos,
vi que todos não o percebem,
vi que todos não têm o mundo,
vi que o sol, a lua e as estrelas não brilha pra todos,
vi que a luz das lâmpadas esconde a beleza do universo.
vi que o planeta é nossa casa,
vi que é necessário salvarmos o planeta,
vi sim, o pôr-da-lua.

Leonardo Sampaio
25/12/2008

SALVEMOS O ÚLTIMO VERDE DO SÍTIO PICI

Os bairros Henrique Jorge e Jóquei Clube em Fortaleza tiveram o privilégio de ter uma moradora ilustre, a escritora Rachel de Queiroz. Ali existia o Sítio Pici, a cancela de entrada era na Rua Pe. Sá Leitão com Monsenhor Hipólito Brasil. Acima da cancela havia um arco com o nome Sítio Pici e no centro o Casarão onde Rachel escreveu seu primeiro livro, O Quinze. Bem próximo da Casa havia um açude, com afluentes do Riacho Cachoeirinha que nasce nos bairros Santa Fé (João XXIII) e Jóquei Clube. O verde prevalecia com paisagens de bambu, coqueiros, mangueiras, cajueiros e outras fruteiras. Nos alagados, os siris, caranguejos e nas águas os peixes e as garças, nos galhos das arvores os pássaros cantando e na mata os camaleões, teús, calangos, preás e no roçado ossadas de gado. Segundo moradores freqüentadores daquela casa o gado vinha das secas do Sertão de Quixadá, já chegavam ali magros de fome e às vezes não resistiam.
Lendo a memória da escritora Rachel de Queiroz sobre o Sítio Pici, identifiquei em uma foto, ela caminhando mais sua irmã sobre a parede do Açude do Sítio, quando ali moraram ainda bem jovens.
Aquela foto me surpreendeu e fortaleceu o espírito de enfrentamento de defesa daquela área verde, última existente da memória histórica do Sítio Pici. Até me emocionei quando lembrei que em 1966 quando cheguei a Fortaleza, também caminhei naquela parede do Açude, apesar de estar quebrada um trecho, mas ainda acumulava água e juntava animais naquela paisagem, muito verde, cheia de arvores, fruteiras e mata virgem.
No convívio com famílias que moram nessa região desde os anos 40, década em que a escritora ali morou, colhi histórias belíssimas sobre a beleza da natureza, as águas do Riacho e do açude eram limpas e cristalinas, as mulheres lavavam roupas nas cacimbinhas à beira do Riacho e as crianças tomavam banho e pescavam. Era um encontro de convívio do ser humano com o meio ambiente e ao mesmo tempo de lazer.
Esse visual que retrata um pouco dessa história que contrasta o urbano com o rural no município de Fortaleza, pode está chegando ao fim. É que o último espaço verde ainda existente do Sítio Pici, exatamente onde havia o açude, está à venda.
O Casarão continua ainda intacto, por generosidade da construtora que loteou o Sítio e deixou quatro famílias residindo nele, como forma de preservar.
Os movimentos sociais e culturais dos bairros no entorno do Sítio Pici, desde o início da década de 80, época das primeiras construções de moradias no loteamento vem num processo de resistência tentando sensibilizar os puderes públicos sobre a importância desses espaços para a cidade, do ponto de vista da preservação cultural, ambiental e lazer.
O Movimento Pró Construção do Parque Rachel de Queiroz, juntamente com o Espaço Cultural Frei Tito de Alencar – ESCUTA realizaram dia 15 de agosto 2008, a Trilha Cultural com o tema: Os caminhos da escritora Rachel de Queiroz no Sítio Pici.
A intenção é despertar a sociedade para a defesa da urbanização dessa última área verde restante no bairro Henrique Jorge, que é exatamente o leito do açude. Os movimentos articuladores da Trilha Cultural defendem que esse verde, seja entregue a comunidade como área de lazer, oferecendo melhor qualidade de vida à população.
Na pauta cultural está também o tombamento da Casa onde a escritora morou. A proposta é que seja transformada em biblioteca pública e exposições de artes como forma de estimulo a leitura e valorizar as artes em lugar que simboliza a literatura.
A grande surpresa dos movimentos sócias e culturais foi encontrar no dia 13/09/08 em vez de uma placa dos poderes públicos intervindo urbanisticamente na área, esta lá bem do lado da Praça da Igreja do Henrique Jorge uma placa em um poste da Avenida Heribaldo Costa com os dizeres VENDE-SE e a seta apontando para o “açude”. A indignação de repente se manifesta, aí falei para o Jucelino, que estava do meu lado. Só falta dizerem “vende-se um açude”. E comentava, é mais um desprezo pela preservação da cultura de um povo, de uma cidade. É a ausência da sensibilidade humana e a ganância manifesta de forma predadora da vida. É a indiferença do poder público com a preservação dos mananciais urbanos. Talvez não demore, em um curto espaço de tempo o “açude” será aterrado.
Nesse olhar sobre o desprezo do poder público, na passagem da Trilha, foi observado que nessa mesma área, do outro lado pela Rua Edgar de Arruda com Antônio Ivo tem uma construção obstruindo o canal de concreto feito pela prefeitura. É uma obra de drenagem feita no que já foi um Riacho afluente do açude.
Mas não é só isso, pela Rua Mons. Hipólito Brasil na mesma área verde, já foi aterrada uma parte e construído prédios e apartamentos que estão alugados no único terreno público dessa área.
A história não pára aqui, esse terreno no Henrique Jorge, é parte da área em que a própria Prefeitura de Fortaleza, elaborou o Projeto Parque Rachel de Queiroz, que custou 400 mil reais, pago pela Prefeitura a UECE/IEPRO. É também o Projeto que foi aprovado no Orçamento Participativo de 2005 na SER III. É o projeto que em 2008 foi defendido em Audiência Pública na Câmara de Vereadores e na Assembléia Legislativa. É o projeto que deputados e vereadores se comprometeram em liberar recursos de bancada para dar inicio as obras. É o projeto parte da carta do Grito dos Excluídos de 2008.
Pelo visto, não basta só se indignar, é necessário gritar, ou até acampar exigindo atitudes dos gestores públicos na preservação do verde, a serviço do bem estar e da qualidade de vida dos seus munícipes.

Leonardo Sampaio
Educador
20/09/08 reformulado 13/12/08

sábado, 27 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS

Paz
União
Alegrias
Esperanças
Amor....Sucesso
Realizações......Luz
Respeito........Harmonia
Saúde ..............Pureza
Felicidade ........Solidariedade
Confraternização ...Humildade
Amizade ... Sabedoria... ...Perdão
Igualdade... Liberdade... Boa-sorte
Sinceridade... Estima ......Fraternidade
Equilíbrio... Dignidade ........Benevolência
Fé............Bondade..........Paciência.......Gratidão.....Força
Tenacidade................Prosperidade..................Reconhecimento

domingo, 2 de novembro de 2008

VENDE-SE UM AÇUDE




Lendo a memória da escritora Rachel de Queiroz sobre o Sítio Pici, identifiquei em uma foto, ela caminhando sobre a parede do Açude do Sítio, quando ali morou e escreveu o Livro O Quinze.
Aquela foto me surpreendeu e fortaleceu um afeto muito forte em defesa daquela área verde, última da memória histórica do Sítio Pici. Até me emocionei quando lembrei que em 1966 quando cheguei a Fortaleza também caminhei naquela parede do Açude, apesar de estar quebrada um trecho, mas ainda acumulava água e juntava animais naquela paisagem, muito verde, cheia de arvores, fruteiras e mata virgem.
As famílias que moram nessa região desde os anos 40, contam histórias belíssimas sobre a beleza da natureza com águas limpas e cristalinas, onde as mulheres lavavam roupas e as crianças em volta tomavam banho e pescavam como um lazer no convívio de vida entre o ser humano e o meio ambiente.
O Movimento Pró Construção do Parque Rachel de Queiroz, juntamente com o Espaço Cultural Frei Tito de Alencar – ESCUTA realizaram dia 15 de agosto 2008, a Trilha Cultural com o tema: Os caminhos da escritora Rachel de Queiroz no Sítio Pici.
A intenção é despertar a sociedade para a defesa da urbanização dessa última área verde restante no bairro Henrique Jorge, que é exatamente o leito do açude. Os movimentos articuladores da Trilha Cultural defendem que esse verde, seja entregue a comunidade como área de lazer, oferecendo melhor qualidade de vida à população. Na pauta cultural tem também o tombamento da Casa onde a escritora morou, pra que seja transformada em biblioteca pública, como forma de estimulo a leitura.
Bem! Para minha surpresa dia 13/09/08 passava ao lado da Praça da Igreja do Henrique Jorge e avistei uma placa num poste da avenida com os dizeres VENDE-SE e a seta apontando para o “açude”. A indignação de repente se manifesta e falo pra o Jucelino que estava do meu lado. Só falta dizerem “vende-se um açude”. E comentava é mais um desprezo pela preservação da cultura de um povo, de uma cidade. É a ausência da sensibilidade humana e a ganância manifesta de forma predadora da vida. É a indiferença do poder público com a preservação dos mananciais urbanos. Talvez não demore, em um curto espaço de tempo o “açude” será aterrado.
Nesse olhar sobre o desprezo do poder público, na passagem da Trilha, foi observado que nessa mesma área, do outro lado pela Rua Edgar de Arruda com Antônio Ivo tem uma construção obstruindo o canal de concreto feito pela prefeitura. É uma obra de drenagem feita no que já foi um Riacho afluente do açude.
Mas não é só isso, pela Rua Mons. Hipólito Brasil na mesma área verde, já foi aterrada uma parte e construído prédios e apartamentos que estão alugados no único terreno público dessa área.
A história não pára aqui, esse terreno no Henrique Jorge, é parte da área em que a própria Prefeitura de Fortaleza, elaborou o Projeto Parque Rachel de Queiroz, que custou 400 mil reais, pago pela Prefeitura a UECE/IEPRO. É também o Projeto que foi aprovado no Orçamento Participativo de 2005 na SER III. É o projeto que em 2008 foi defendido em Audiência Pública na Câmara de Vereadores e na Assembléia Legislativa. É o projeto que deputados e vereadores se comprometeram em liberar recursos de bancada para dar inicio as obras. É o projeto parte da carta do Grito dos Excluídos de 2008.
Pelo visto, não basta só se indignar, é necessário gritar, ou até acampar exigindo atitudes dos gestores públicos na preservação do verde, a serviço do bem estar e da qualidade de vida dos seus munícipes.

Leonardo Sampaio
Educador
20/09/08

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Apartheid sócio-territorial

Opinião – Jornal O POVO

26/08/2008
Leonardo Sampaio
Educador Popular

A gestão pública é como um instrumento identificador dos processos de desigualdade socioeconômico e socioambiental da Cidade como podemos ver a infra-estrutura urbana em Fortaleza, o desnível de equipamentos públicos e privados encontrados do lado Leste e Oeste da Cidade. Do lado Leste circulam os maiores investimentos de capital privado e público com estrutura urbanística voltada para servir a elite dominante, política, empresarial e turística. Elite essa, que ao longo dos anos governa a Cidade dentro de um apartheid sócio-ambiental, com políticas de desfavelamento da região, transferindo os pobres para o lado Oeste e Sul (Conjunto Marechal Rondon - Jurema em Caucaia e Conjunto Palmeiras) em péssimas condições de moradia, situação, que levou a uma resistência das comunidades faveladas do lado Leste, exigindo permanecerem onde estavam, mas, com melhorias de vida, construindo equipamentos públicos capazes de atender suas necessidades, como urbanização, construção de moradias, reforma de casas, escolas, postos de saúde, água, esgoto e outros. O que resultou na construção dos Conjuntos Santa Luzia, Santa Terezinha e Santa Joana D´Arc.
Já no lado Oeste residem as classes trabalhadoras pobre e média, a classe média tenta intermediar um padrão de vida, com as estruturas do Oeste e a pobre padece da discriminação e arrogância da Gestão do Estado burguês distanciando-a da felicidade humana, o Oeste da Cidade de Fortaleza, é o lado em que a gestão pública nega até os direitos constituídos em toda sua amplitude como qualidade de vida. Negação essa, que leva esse contingente populacional, ocupar espaços vazios, muitas vezes inadequados a moradia, como: mangues, margens de açudes, rios e riachos sufocando o verde tão necessário à vida.
É nesse pouco verde que resta, aonde nasce a resistência dos moradores da região Oeste pela preservação e construção de equipamentos urbanísticos que venham assegurar dignidade e vida a essa população penalizada pelas gestões públicas, diminuindo assim, o processo de apartação sócio-territorial da Cidade de Fortaleza.

Políticas para juventude, violência e drogas ilícitas.

A sociedade ao longo dos tempos vem discutindo políticas para juventude. Talvez seja necessário problematizar o tema como forma de ajudar a refletir melhor, na busca de encontrar as situações limites que envolvem a juventude. A principio é importante identificar os seguimentos sociais, étnicos. É pertinente questionar: São políticas a serviço de qual juventude? A que classe ela pertence? É a juventude do campo ou do espaço urbano? E que espaço urbano é esse? É da praia, do bairro chique, do condomínio, da periferia, da favela, ou das mansões? Quais são os anseios e desejos de cada parcela desses seguimentos jovens? Quais os processos culturais, econômicos, educativos, éticos e princípios perpassam a vida destes contingentes jovens? Qual a formação cidadã está chegando até as mentes férteis destes jovens cheios de criatividade e sonhos? Quais origens étnicas e de raças pertencem esses seguimentos da juventude? A violência e o uso de drogas ilícitas que permeiam o mundo da juventude é uma questão de classe? É uma questão de ignorância? É o meio em que vivem? É uma fuga? O que leva o jovem a aniquilar-se?
São questionamentos com muitas respostas, que variam de acordo com o olhar do seguimento aonde eles chegam. Conforme o ideal da instituição, pode-se encontrar viés de respostas diferenciadas que vão desde as questões teóricas, teológicas, filosóficas ou do senso comum. As organizações sociais quase sempre têm respostas prontas ou quase prontas apontando soluções direcionadas a um mundo de coisas, como: o esporte, a arte, a cultura, a educação, a geração de trabalho e renda, a crença com oração e louvor, a espiritualidade, o engajamento sócio-político, a família equilibrada, os governos, o fim do capitalismo, a construção do socialismo, políticas públicas adequadas, etc.
Ao provocar esta discussão, aponto um espaço geográfico pequeno, mas significativo para se tentar buscar no pensamento teórico e o exercício da praticidade das instituições públicas e civis que convivem com um desses seguimentos da juventude na periferia de Fortaleza. Mais especificamente ao lado da cerca que separa o Campus da Universidade Federal do Ceará – UFC, no bairro Pici.
Ali no Pici existe um contingente habitacional de 45 mil moradores (SER III), entre crianças, jovens e adultos. São pessoas que sofrem permanentemente agressões do estado capitalista, que impõe sobre a vida de grande parte delas a fome, o desemprego e coloca-as numa situação de subvida humana.
São situações que revelam a ineficiência do estado diante do quadro e que traz indignação, incomoda, gera inquietações e desafia cidadãos/ãs conscientes a buscar encontrar respostas. Nessa busca vamos percebendo que as luzes aparecem no fundo do túnel, através das várias formas de intervenções sócio-assistenciais, educativas, esportivas, culturais, espirituais, existentes nesse espaço geográfico de Fortaleza.
São intervenções executadas por meio de variados segmentos públicos e da sociedade civil. No entanto, se deparam com o mundo das drogas e da violência envolvendo todas as faixas etárias. Estas intervenções não conseguem amenizar a onda de eliminação física entre a juventude, proporcionada pelo comércio e uso das drogas ditas ilícitas.
Para se ter uma idéia da dimensão dessa violência, só nos últimos dois anos (2007 – 2008) mais de quarenta jovens e adolescentes foram eliminados, ceifadas suas vidas. São jovens matando jovens, além dos que se encontram nas prisões. São todos envolvidos com as drogas ilícitas, principalmente a maconha e o crack.
Por que tanta violência? Será que esse nível de violência poderíamos dizer que é uma questão de classe social? Ou será o modelo de sociedade que está sendo gestado na globalização? Para a sociedade do mercado mundial, a dependência química não faz girar capital? Quem no mundo global se beneficia com a produção e o comércio das drogas?
Pelo que observamos, a produção dessas drogas dependem de largas extensões de terras e a circulação é por mar, terra e ar. Portanto não são os pobres que estão nessa produção e mercado, mas o grande capital. Os pobres são apenas as vítimas, para servir de amostragem midiática da repressão do Estado. As batidas policiais estão nas favelas e periferias. E os cassinos, ...? Li um artigo na década de 70, dizendo que 60% do parlamento americano já haviam feito uso de drogas. Não é a toa que banalizam a vida, produzindo guerras no mundo, em busca do mercado de capital.
O grande problema nesse mundo da droga é que os jovens passam a banalizar a vida e entrar no crime.
Aí é que me parece necessário trazer o debate, para buscar o campo gerador da banalidade da vida, no meio dos jovens dependentes químicos.
Será que essa banalidade da vida se apresenta como negação dos valores humanos, filosóficos, éticos, numa tentativa de impor a liberdade do indivíduo, não como direitos e deveres e sim como um mundo que está sendo construído em torno de si? E que mundo é esse? É o mundo que torna os jovens “heróis”, libertos das amarras institucionais do Estado e da família?
Poderíamos até perguntar se estas questões envolvendo a juventude não estão relacionadas com a qualidade da educação. Mas não são os analfabetos que sustentam o tráfico de drogas nas favelas nem são os pobres, porque esses nem dinheiro têm para comprar, o pouco que consomem, roubam um celular, um tênis, fazem um bico ou comercializam os produtos da droga pra classe média e rica. Essa sim tem dinheiro, consome e sustenta tráfego em geral. A diferença é que eles não incomodam a “sociedade”, entram e saem, a segurança apenas mapeia, registra e ignora porque são “pessoas de bem”, quase sempre do meio cultural, artístico, acadêmico, empresarial. Já os pobres, ficam sobre a mira da repressão, do castigo, do crime, da extorsão, são acusados de transgredirem a lei.
Quanto à educação sabemos que no Brasil ela se molda pelo modelo do estado capitalista e é direcionado de acordo com os interesses que o mercado exige, no seu tempo. Portanto a educação não tem como objetivo formar cidadãos/ãs, mas sim, capacitar os indivíduos para o mercado de trabalho e o consumo no mundo capitalista.
Já a questão da violência, do tráfico e do consumo de drogas são temas que me parecem pertinentes que a sociedade e o Estado devem buscar encontrar respostas porque não se trata apenas da ilicitude, da criminalização ou de questão moral. O problema é que o jovem usuário muda radicalmente o comportamento: eles se tornam agressivos com a família e refletem a agressão na sociedade. Uma rebeldia sem causa.
As mães são quem mais sofrem estas agressões. Tenho conversado com algumas mães que falam que os filhos ou filhas assumem atitudes extremamente individualistas e ao serem cobrados, chegam a ameaçá-las de espancamento, tratá-las com palavrões e não mais as obedecem, querem viver na rua com os ditos amigos e o pior, ainda fazem da mãe escrava: ela tem que dar conta de tudo, lavar roupa, engomar, dar alimentação, logo geram filhos/as aí a avó vai ter mais uma tarefa, cuidar das netas ou netos. Os conflitos com irmãos ou irmãs se acirram. Enquanto que “no meio da galera” são pessoas livres, independentes. Tentam se justificar com atitudes de negação dos direitos coletivos, vive o individualismo e ainda relaxam sobre seus deveres e obrigações.
O debate deve ser mais profundo, porque sabemos das muitas ações que são exercidas pela sociedade organizada e pelo Estado, mas parece um grão de mostarda no deserto, diante dos poderes “extra-oficiais” que arrebanham jovens para a criminalidade. São jovens que estiveram na infância e adolescência em programas de políticas públicas, desde a creche, escola, os PETIS, Fome Zero, nos trabalhos sociais das ONGs e Igrejas.
Porém, todo esse trabalho é insuficiente ou mostra-se incapaz de direcionar os jovens para o bem. Fica patente que o tráfico tem poder de convencimento mais eficaz que todas as instituições, mesmo sem oferecer vida em abundância (Jesus), apenas lhes favorecem a fuga e o imediato que é o sonho de falsa liberdade. A liberdade da família e o vôo para o mundo livre, sem amarras, na busca da aventura, uma aventura sem perspectivas futuras, mas que os tornam “heróis” no mundo deles. O mundo em que estão, o mundo presente, o mundo egoísta, do eu, “eu sou o máximo”.
Os deserdados do mercado formal encontram nas forças extra-oficiais a sobrevivência, entrando no mercado de “trabalho” no campo da marginalidade onde há vasto espaço de geração de renda. São pessoas que tem sonhos, mas não vislumbram espaços de concretude e aí a vida vai se banalizando, dentro da concorrência do mercado das drogas ilícitas, até o fecho da violência.
E o desafio é: Como acolher o indivíduo que não vislumbra sonhar com outra alternativa no mercado formal tecnológico que o exclui?
Não são os delinqüentes, maioria, mas os poucos que tem, o estrago que causam é imensurável, desde a família, à sociedade e ao Estado. O poder público chega a deixar de investir em educação, para investir em segurança e saúde devido a tantos danos causados pelos efeitos das drogas.
Diante desse panorama: O doloroso é ver pais e mães destes jovens tentando de todas as formas salvá-los. Mas os caminhos cada vez mais vão estreitando, são raros os que conseguem sair do caminho das drogas, porque se sair é covarde, se ficar não tem retorno e ficando, o vício o consome e o vício o dominando, a sustentabilidade começa com furtos de objetos da família, posteriormente leva-os a agir fora da lei, ao crime.
A crise do capitalismo mundial se agrava, a social democracia foi engolida pelo neoliberalismo, os partidos de esquerda tentam a governabilidade do estado burguês e o socialismo é um processo lento em construção, principalmente depois da queda do muro de Berlim.
Mesmo assim, acredito na utopia e no sonho de que um outro mundo é possível. É bom nos perguntarmos: Que mundo precisa ser construído? Que modelo econômico precisa ser implantado? Que sociedade precisamos construir com a juventude?
Vamos juntos refletir, agir e refletir (Freire)?

Leonardo Sampaio
Pedagogo
08/10/2008

Fortaleza esta livre: II turno é um mercado de negócios.

Leonardo Sampaio
Educador Popular

Não pude ver coisa pior na política do que um segundo turno, parece um mercado de negócio, uma feira de venda e troca.
Vivi a experiência de segundo turno na disputa eleitoral entre Inácio Arruda e Juracy Magalhães. Estava lá na coordenação da campanha e presenciei uma avalanche de candidatos a vereadores, partidos políticos, religiosos, cabos eleitorais todos perdedores das campanhas adversárias. Eles vão chegando à porta do candidato propondo negociata dos votos que se dizem proprietários e transformava-os em mercadoria pra negócio, sem o mínimo de pudor, princípio, nem ética na política.
É na cara de pau, muitos falam que já foram no adversário negociar, mas não chegaram a fechar o negócio, outros dizem: “eu vim aqui fazer uma oferta de negócio, se não der certo eu vou no outro candidato” e aí vão apresentando as vantagens do seu produto e chegam até dar garantia do volume de votos.
Os custos do produto variam de acordo com o perfil de quem oferta, do volume ou até da necessidade.
Quando o dono do produto é uma instituição religiosa ou “pilantrópica” normalmente a venda é a dinheiro vivo. Quando é instituição política, o custo são cargos na gestão e quando é pessoa física, o próprio candidato ou cabo eleitoral é o valor em moeda viva.
E o pobre eleitor não sabe de nada disso, mas também faz suas exigências que variam de acordo com seus padrões de vida, é uma escola, uma creche, infra-estrutura, é moradia, atendimento médico de qualidade, educação de qualidade, política de turismo, é geração de trabalho e renda, bolsa família, cursos de qualificação profissional, créditos financeiros e uma variedade de outras cobranças que assegurem qualidade de vida.
Fortaleza está livre do segundo turno, o eleitorado fez um grande bem a essa Cidade ao decidir a eleição no primeiro turno.
Sabemos o quanto sofremos na gestão ainda em curso, com os produtos políticos de pouca qualificação técnica para as funções e que transformaram os cargos em trocas eleitorais, principalmente nas regionais. São gestões inoperantes e o eleitorado tem outro perfil mais exigente sobre o gestor, ele quer política pública com qualidade de vida.
Mas parece que esse perfil técnico de gestão pública, não perpassou pelas regionais de Fortaleza, talvez tenha sido porque a prefeita foi eleita em um segundo turno, onde as negociatas políticas institucionais se deram e os gestores indicados para as regionais faziam parte das compensações de derrotas eleitorais dentro dos partidos e a gestão passou a ser uma coalizão com negociações de cargos.
Nas Regionais, cada uma era de um partido e os gestores indicados todos tinham perfis eleitorais pessoais, o que é fácil de ser identificado, basta denominar por Secretaria, na I - PC do B, Mariano de Freitas, na II – PSB, Rogério Pinheiro, na III – PV, Marcelo Silva, na IV – PT, José Maria e Deodato Ramalho, na V – PDT, Oriá, na VI – PSB, Mindelo.
O resultado desse modelo de gestão da prefeita foi muito precário do ponto de vista técnico, de estudos das ações executadas, os vícios internos da máquina permaneceram e ainda com péssima qualidade.
A prova disso: basta ver os resultados eleitorais de vereadores, todos estes secretários das seis regionais, foram candidatos a vereador e nenhum foi eleito, o mesmo aconteceu com o segundo escalão das Regionais, Luis Arruda, Prof. Elói, Manoel Carlos e até o Almir (talvez tenha outros que não identifiquei).
Há um outro alinhamento político de gestão pública local que é o vereador dito “do bairro”, que sempre se utiliza dos equipamentos públicos para fazer currais eleitorais. Nessa eleição, o eleitorado rejeitou essa tradição, vejamos: Maurício Assêncio, Didi Mangueira, Cacá, Hélder Couto, Narcilio Andrade, Nelba Fortaleza, Alri Nogueira, Carlinho Santana e outros ainda anônimos na mídia.
Espero que Fortaleza nessa gestão sem segundo turno, se defina pelo perfil técnico, de amadurecimento profissional e execução das políticas públicas.
Uma gestão capaz de contribuir com a desconstrução do estado burguês, que avance na construção de uma sociedade organizada, livre, soberana, igualitária, gestada pelo o poder popular.

Fortaleza, 07/10/2008

sábado, 30 de agosto de 2008

O QUE É POLÍTICA, SER POLÍTICO E FAZER POLÍTICA

Leonardo Sampaio
Educador Popular

Quando nos deparamos com o mundo político, o concreto da política, nos dar a entender que existem diferenças entre política, ser político e fazer política. Se não vejamos.
Política é uma ciência, é arte, é o meio de se fazer o bem comum, de cuidar, de promover a felicidade humana, de preservar o planeta.
No entanto a política é entendida pelo senso comum, apenas como um processo eleitoral para eleger pessoas com os seus devidos cargos, de: Presidente, Governador, Prefeito, Senador, Deputado, Vereador e o eleitor vota apenas para cumprir com sua obrigação com o Estado, que o obriga a ir votar. Mas tem outra categoria de eleitor que busca negociar o voto de forma individual, ou mesmo coletivo conforme o tamanho do seu curral eleitoral.
Ser político, na essência da palavra, é fazer valer os direitos dos cidadãos/ãs e o dever do Estado, conforme prever a legislação, a constituição. É ter a capacidade de envolver a sociedade e envolver-se na defesa intransigente da justiça, da equidade, da fraternidade, ou seja, é viver a construção de um mundo justo.
No senso comum, a política e o político são visto através da chamada politicagem, que corresponde às práticas exercidas como forma de alguém “se dar bem”, de se aproveitar do poder para tirar proveito próprio, de desviar o papel do Estado, de promover políticas assistencialistas, tornando as pessoas dependentes do político.
Esse tipo de político vê na política, o outro, como objeto que se transforma em voto, em mercadoria, é algo que pode dar lucro. Basta servir para elevá-lo ao poder, não importando os meios, o compromisso e muito menos a ideologia.
Fazer política exige de quem vai exercer um cargo ou mandato ter ética, compromisso, dignidade, honestidade e conhecimento do seu papel enquanto gestor.
Por tanto fazer política, no modelo econômico capitalista, no estado burguês, a palavra honestidade é sinônimo de abestado. Nessa política, o ser político, faz política com pê minúsculo, e utiliza a gestão pública para fazer corrupção, criar status, ter prestigio, ter poder, acumular riquezas, oprimir, ter influencias.
A política é feita como meio de gerar dependência, de alienar e alimentar currais eleitorais, de exercer o assistencialismo, a opressão e a exploração. A maneira de dar sustentação a essa política é manter o analfabetismo, o desemprego, falta de moradia, saúde, transporte, educação, reforma agraria.
Nesse contexto, o grande questionamento que se faz, é que ambas as formas de se ver ou fazer política e exercer cargos, exige a presença do eleitor. É ele que leva o político ao poder. E quem é esse eleitor? É um eleitorado que apenas um pequeno índice tem convicção ideológica, é consciente, sabedor do seu dever, do dever do estado, do político, da função do político, da formação cidadã.
Assim sendo, o processo eleitoral é utilizado através dos diversos meios para se chegar ao poder, ele vai variando conforme cada indivíduo, uns compram votos com moeda, os que estão no poder usam a máquina pública para fazer currais eleitorais, outros usam o poder do convencimento pessoal, coletivo e/ou ideológico.
O certo é que, através do voto, sem dinheiro, dificilmente o político honesto chega ao poder. O eleitorado é viciado, tanto no campo, quanto nas Cidades. E isso é o que facilita a classe dominante fazer seus lobes e perpetuar no poder, seja no executivo, ou legislativo.