segunda-feira, 6 de março de 2017

Comentário sobre Maria da Hora



Leonardo Sampaio

Para falar de Maria da Hora, quero antes historiar o território onde ela pisou. O historiador Nirez fala do Sítio Pici (Percy), de 1909, o que levou essa parte da Cidade de Fortaleza, ser conhecida como Pici. Em 1927, Daniel de Queiroz compra esse Sítio e nele, a escritora Rachel de Queiroz escreveu seu primeiro livro “O quinze”. Na década de 1940 os americanos instalam uma Base Aérea de apoio à 2ª Guerra Mundial e no entorno da Base haviam Sítios e Chácaras. Na década de 1950, houve loteamento de alguns Sítios e a construção da Casa Popular, que era um conjunto habitacional, depois denominado de bairro Henrique Jorge. Já na década de 1960, houve grande fluxo de migração do interior do Estado para Fortaleza, começa a acontecer ocupações de terras e surgem as favelas: da Fumaça, Papoco, Auto do Bode, Entrada da Lua, Inferninho e Feijão todas constituídas por um contingente populacional de negros/as, indígenas e brancos empobrecidos vivendo em extrema miséria. Eram famílias deserdadas do campo, chegando na selva de pedra sem nenhuma qualificação profissional, para o mercado de trabalho e sem moradia. O ambiente em que foram morar se tornou insalubre, indigno de se viver, não havia energia, nem saneamento, faltava equipamentos público de atendimento à saúde, não existia escolas nem creches, as casa eram de taipe e as ruas eram becos estreitos cheios de lama, as ruas projetadas nos bairros não tinham nem calçamentos, era na verdade uma periferia abandonada pelo poder público.
Na década de 1970, o Governo Federal construiu o Centro Social Urbano César Cals, era tempo de Ditadura Civil-Militar no Brasil, o povo não votava para presidente da republica, nem para governadores dos estados e prefeitos das Capitais, todos eram nomeados pelos Generais ditadores, o Ceará passou a ser governado por Coronéis. Enquanto isso, o capitalismo se fortalecia, empresas estrangeiras tomam conta do país, as riquezas e as terras ficam cada vez mais concentrada nas mãos de poucos, o desemprego e a miséria estava cada vez mais crescente, o povo era proibido de se manifestar, a sociedade passou a ser vigiada, quem se opunha era perseguido, preso, torturado, exilado e até assassinado. Frei Tito de Alencar, jovem cearense que se rebelou pela fé, na defesa dos oprimidos, passou por todo esse estágio, junto com tantos outros brasileiros, por defender uma sociedade justa, fraterna e igualitária se opondo ao capitalismo e propondo o socialismo como alternativa de distribuição das riquezas, para que todos vivam com dignidade.
 No contraponto à ditadura e ao modelo de sociedade capitalista que gera desigualdade e exploração, em 1980, passei a integrar um setor da Igreja Católica ligada a Teologia da Libertação, que fizera opção preferencial pelos pobres, em busca de sua libertação, e formamos um grupo de missionários/as que iniciou o debate sobre a desigualdade na periferia de Fortaleza e em particular, no Sítio Ipanema, João Arruda, nas Favelas da Fumaça, Inferninho, Entrada da Lua, Feijão e nos bairros Genibaú, Autran Nunes, Henrique Jorge e Jóquei Clube. A escolha foi por serem comunidades formadas por sua maioria de migrantes negros, indígenas e brancos excluídos do mercado capitalista e do latifúndio. São pessoas vindas do interior do Estado do Ceará, atingidos pelas secas, falta de condições de trabalho, sem terra para plantar devido ao acumulo de riquezas nas mãos de poucos, bem como a ausência de escolas e atendimento à saúde, o que levou as famílias à extrema pobreza. Estas famílias, ao se instalarem nestes bairros e favelas do Oeste da Cidade, encontraram também suas identidades com o Campo, por serem bairros constituídos numa mistura entre urbano e rural, com ruas, sítios e criação de animais leiteiros e de corte, criados bem nas proximidades do Riacho Cachoeirinha, de lagoas e o açude do Sítio Pici, onde havia fertilidade de água e pastagem.
 Foi nesse ambiente de Cidade, que chegou a Comunidade Eclesial de Base – CEB, da Igreja Católica, com um grupo de missionários e missionárias para instalar uma Igreja viva no meio do povo em vista à sua libertação integral, tendo como guia a Bíblia, a palavra de Deus com a vida dos primeiros cristãos e o Cristo Libertador no olhar da Teologia da Libertação e o método: Ver, Julgar e Agir.
Essa discussão era conflituosa, porque se deparava com a Ditadura Civil-Militar, que tinha seus agentes do Estado, da sociedade civil e se somava à Igreja conservadora, que tinha como princípio a sustentação do modelo de exploração e a economia capitalista. Por outro lado, as CEBs chega pregando uma sociedade igualitária, justa, fraterna, tendo como base bíblica, a vida dos primeiros cristãos, que trabalhavam, produziam e dividiam a produção de acordo com suas necessidades. Essas ideias das CEBs foram taxadas pelo conservadorismo, de “comunista”, portanto, os missionários e missionárias eram apontados como pessoas perigosas, terroristas que se infligiam contra o Estado de Direito. Esse debate dividia o povo, trazia incertezas, os cristãos não sabiam de que lado ficavam, se na Igreja conservadora, ou a progressista dos ditos “comunistas”. A presença do padre conservador, da Paróquia, dos sacramentos, da manipulação, fortalecia a Ditadura, até que D. Aloisio Lorscheider veio ao encontro das CEBs e afirmou que a Igreja Comunidade inserida no meio dos pobres, refletindo a realidade, julgando os responsáveis pela desigualdade social e agindo para melhorar a vida das pessoas pobres, criando uma consciência critica, era o caminho da verdadeira Igreja de Jesus Cristo que fez opção preferencial pelos pobres. Esse posicionamento de D. Aloisio fez crescer as CEBs e fortalecer as organizações populares para reivindicar os direitos negados pelo Estado. A comunidade na sua praxidade  instalou a Escolinha Comunitária Frei Tito, para alfabetização de crianças, jovens e adultos no método Paulo Freire, já que não havia nenhum equipamento educacional do Estado. Para amenizar a fome, foi criada hortas comunitárias para gerar alimentos e ao mesmo tempo ter a prática da coletividade.
Nesse confronto de ideias, o conservadorismo local passou a se organizar também, para se contrapor aos movimentos progressistas e foi nesse contexto que conheci a Maria da Hora como líder de base conservadora, com um carisma muito forte e ao lado dos ditadores. Porém, ela se destacava com um víeis diferenciado, voltado para a educação, já que não havia escolas oficiais para as crianças pobres estudarem e foi nesse campo da educação que ela priorizou sua ação comunitária, trazendo grandes conquistas de escolas e creches, formando o Complexo Educacional Maria da Hora, institucionalizado pelo Instituto Beneficente Sítio Ipanema. E assim, Maria da Hora desempenhou um grande papel no desenvolvimento do Bairro e marcou a vida das pessoas pela sua bondade. Trouxe alimentos dos programas Federais para distribuir com a pobreza marcada pela fome, conseguiu linha de ônibus, ampliação da rede dede energia e calçamentos. A ditadura se aproveitava da sua liderança para aplicar a política assistencialista, com intuito de amortecer as lutas populares contra o poder ditatorial no país. Ela pouco se importava com o contexto político, preferia o prestigio junto às autoridades constituídas no poder estatal para conseguir as melhorias pra a comunidade.
Em outra ocasião, no Colégio Demócrito Rocha havia uma programação do Bairro Henrique Jorge e adjacências para discutir as necessidades das comunidades, com a presença do Prefeito Antônio Cambraia, sendo que, a Rádio AM O Povo promoveu um debate ao vivo com o Prefeito, eu e Maria da Hora. Na ocasião Cambraia falava do alargamento da Av. Perimetral, que obviamente atingiria o Complexo Educacional Maria da Hora e na sua intervenção, ela argumentou que no Henrique Jorge não havia necessidade de alargar a Perimetral porque já havia uma Avenida pronta que era a Heribaldo Costa, necessitando apenas estende-la até ao CSU César Cals, com isso beneficiaria o Bairro e a prefeitura faria grande economia por não necessitar realizar indenizações e manteria a tranquilidade das famílias que seriam atingidas. O prefeito acatou a proposta e assim foi feito a obra de utilidade para o lado Oeste de Fortaleza.
A sociedade é formada por contradições de pensamentos, de ideologias, de ações e de praxidades que se confundem quando se trabalha com o mesmo público, em que ambos lideres querem a melhoria de vida daqueles, mas por caminhos diferentes, com leituras de mundo adversas e foi assim esse meu encontro com a grande líder Maria da Hora. Mulher de fibra e compromissada com o que acreditava.
Foi essa a Maria da Hora que conheci e acho justo e necessário registrar sua história em livro e em equipamentos públicos pela sua reverência, por suas lutas e conquistas em beneficio dos mais necessitados.
10/01/2017

8 de março



Nas greves e nas praças
Houveram manifestações
Mulheres foram queimadas
Por suas reivindicações
8 horas de trabalho
Salários e promoções.

Muitas são as vitórias
Que as mulheres conquistaram
O 8 de março é a data
Que na luta elas marcaram
O dia internacional
Para o direito ser igual
Foi nas ruas que ganharam.

Outras grandes conquistas
Como o direito de votar
A Lei Maria da Penha
Pra violência acabar
Combatendo o machismo
De uma cultura milenar.

O dia internacional
Da data comemorativa
Revela a mulher valente
À frente da  luta ativa
Pra buscar seus direitos
E não viver como cativa.

A mulher sempre é guerreira
É botão de flor e é rosa
É uma eterna professora
É a pérola primorosa
Esculpida pelo o criador
Pra ser meiga e carinhosa.

Leonardo Sampaio
05/03/2017

sábado, 24 de dezembro de 2016

Jesus Cristo é um pai d'égua

Leonardo Sampaio

O Golpe na Dilma e o deus Papai Noel

Ô anozim carregado,
esse Dois Mil e Dezesseis.

Logo de cara,
começa com a presidenta eleita,
sem poder, para governar.

Era futrica pra todo lado.

Um congresso corrupto,
todim eleito pelo povo
das quebradas dos Sertões,
dos bairros e das favelas
Ribeirinhos, Parafinas
As Tribos e quilombolas.

Havendo por outro lado,
uma classe média carcomida,
uma burguesia pilantra,
Corrupta  e corruptora,
Uma justiça seletiva,
como sempre foi.
Antes, só contra preto e pobre
Agora no campo político,
pra derrubar a presidenta,
Ela, uma pessoa séria e honesta,
que não se dobrou às negociatas corruptivas.
Razão para o golpe midiático, judiciário, empresarial e parlamentar.
Se armaram e tiraram-na da presidência.

Era apenas mais uma intervenção estrangeira no Brasil,
e a burguesia colonialista, escravocrata, retoma o poder.
Sem voto.
Não admitem uma política econômica que beneficie os mais humildes.
Consideram gastos,
e não investimentos, na qualidade de vida
da pessoa humana, sofrida,
e com direitos negados.

O golpe instalou-se.
Motivo?
Reinstalar o Brasil Colônia, escravocrata,
com os interesses internacionais,
no mercado brasileiro.
Venda do Pré-sal, a empresas Norte Americana.

A constituição foi rasgada.
Os verdadeiros corruptos, assumem o poder,
as panelas cheias se calaram contra a corrupção.

São classe média arrogante, racista e homofóbica,
querem apenas o poder,
para estarem junto a classe política empresarial.
São os buchas da classe burguesa.

Ainda veio uma eleição municipal,
carregada de ódio,
com mais um jogo da burguesia,
botando pobre contra pobre,
mentindo, com cara de anjos,
para se fortalecerem nos municípios,
e darem outro golpe em 2018.
Com eleição indireta, essa é a meta.
Ô raça rui! Mas só cai na conversa quem é besta.

Eles falam num deus, que só serve pra eles.
Não conhecem o Menino Jesus,
apenas Papai Noel.

Detestam Jesus Cristo,
porque escolheu os pobres,
e foi muito claro, de que lado estava:
“É mais fácil um Camelo passar no buraco de uma agulha,
do que um rico entrar no Reino do Céu”.
“Ai de vós, que acumula riqueza, sobre riqueza”.
Esse Cristo é um pai d’ égua!!!
É um cabra arretado, desembuchado,
não abriu mão de suas convicções,
nem quando foi preso e torturado até a morte,
Ele fez foi ressuscitar e disse tô aqui de novo,
sou a verdade e a vida.
Por isso que eu gosto desse cabra réi,
que veio para libertar os pobres
e discatitar os poderosos,
com o Reino de Deus,
de justiça, amor e fraternidade
e ainda, reconstruir uma nova terra,
um novo mar,
um novo homem,
uma nova mulher,
que se amem
e amem tudo que Deus criou,
preservando a natureza, o planeta,
e a vida acima de tudo,
e assim eu digo.
Um feliz Natal e Ano Novo de confraternização,
interação, inclusão e muito amor, na mente e
no coração.

Até 2017.

20/12/2016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Garrafa Pet recicla plástico

 Leonardo Sampaio

Respeito à natureza
E a biodiversidade
É obrigação de todos
Pra vida ter qualidade
Em nossa Casa Comum
Sem agressão a nenhum
Pra viver em sociedade.
 
A consciência ecológica
É uma coisa obrigatória
Conservar todo planeta
Será uma grande glória
Reciclar é necessário
Torná-lo utilitário 

O projeto a apresentar
O plástico é armazenado
Dentro de garrafa pet
Para não ser mais jogado
Em terreno ou lixão
Onde o mosquito papão
É produzido e criado.
 
O benefício é imenso
O planeta vai ganhar
Se o plástico for guardado
A vida vai vigorar
Com a terra não poluída
E agressão sendo excluída
A vida vai melhorar.
 
Se o plástico na cozinha
E também na sua empresa
For na Pet engarrafado
Vai trazer outra riqueza
Com nova utilização
Em jardim ou construção
Dando vida a natureza.
 
Dentro da sua residência
Também precisa cuidar
Nenhum plástico na rua
Todos precisam guardar
Dentro da garrafa Pet
Nem que chova canivete
Plástico é pra reciclar.
 
Se toda escola fizer
Reciclagem na cozinha
E no recreio das crianças
Com o saco de farinha
Sal, xilito ou macarrão,
Arroz, biscoito ou feijão,
É a educação que caminha.
 
Se a reciclagem for feita
O projeto ficará
Definitivo na terra
E se edificará
Engarrafando seu plástico
O mundo será fantástico
E a terra conservará.
 
O plástico de petróleo
Tem a longa duração
Serão 400 anos
Sem a deterioração
Poluindo o ambiente
Deixando o solo doente
Sem ter a preservação.
 
Mudando a destinação
E o plástico recolher
Soque dentro da garrafa
Veja o que vai acontecer
Ficam todas coloridas
E deixando elas unidas
Seu jardim lhe dá prazer.
 
A garrafa estando cheia
Passa a ter outra riqueza
Em paredes e jardins
Protegendo a natureza
Dando ao plástico outros fins
Segui destinos afins
Que produz outra beleza.
 
Só depende de você
E de toda boa vontade
Seja na escola ou trabalho
Mude essa realidade
Se organize lá no campo
Segure bem o seu trampo
Faça mudar sua Cidade.
 
É uma ação de formiguinha
Parece não render nada
A cada garrafa cheia
É uma sensação danada
De realizar grande missão
Dá logo satisfação
Que cumpriu uma jornada.
 
Acredite que dá certo
Junte plástico por dia
Na cozinha e no trabalho
Recicle com alegria
Colabore com a limpeza
Preservando a natureza
Tendo a Pet como guia.
 
O apelo do planeta
É sempre muito gritante
Devido ao bicho homem
Que se acha um gigante
Produz plástico sem limite
Que até doença transmite
E a agressão é impactante.

Quando as pessoas reagirem
E fizerem a sua parte
Tirando o plástico e Pet
E transformando em arte
Com projetos sustentáveis
As coisas ficam amáveis
E levanta o estandarte.
 
Faça limpeza na mente
Na alma e no coração
Se apegue a divindade
Tenha atitude e ação
Conclame até na Igreja
Para que o fiel proteja
A vida e a preservação.
 
Do meu lixo cuido eu
E o planeta todos nós
Se ele é a Casa Comum
A proteção está em vós
Pra se cuidar da mãe terra
A garrafa não se enterra
Faz jardim de girassóis.
 
Faça em suas orações
As profundas reflexões
Sobre o meio ambiente
Quais são as obrigações
 Com os bens que Deus criou
E o homem a transformou
Promovendo destruições.
 
No Gênese Deus já disse
Fez tudo com o cuidado
E a cada coisa que criou
Foi por ele preparado
Cada um em seu lugar
Pra o homem preservar
Da forma que foi criado.
 
Os estudos científicos
Já estão colaborando
Para o seu conhecimento
E os livros ensinando
Cuide do meio ambiente
E tem que ser permanente
A vida toda cuidando.
 
E o plástico engarrafado
É um grande instrumento
De cuidado com o ambiente
Nunca mais irá ao vento
Vai estar muito seguro
Pois é isso que ti asseguro
Com o tipo de invento.
 
Agora pra completar
Proponho o encerramento
Promovendo gratidão
Com todo esse intento
De sermos mais consciente
Cuidando do ambiente
Com muito entendimento.
 
10/12/2016
Dia dos direitos humanos.

sábado, 17 de setembro de 2016

Política, corrupção e o eleitor



Leonardo Sampaio

Virou modismo no Brasil, se falar em corrupção e atribuir ao governo Lula e Dilma de serem os inventores do tal descalabro na gestão pública. No entanto, já era comum se dizer que todo político é ladrão. Essa é uma acusação que se dá, devido as práticas visíveis nos superfaturamentos de obras e serviços executados pelas prefeituras, e pelo fato de o município ser a primeira instância de poder público mais próxima da sociedade, fica fácil das pessoas perceberem as ilicitudes, como: as riquezas dos gestores incompatíveis com os salários, o dinheiro fácil circulando na compra de votos, tanto nas esferas do executivo, como no legislativo.
Diante disso, o que acontece com o eleitor/a sobre esse dinheiro fácil no município? Na verdade, pouco importa ao eleitor/a, a origem dele. Isso porque, esse dinheiro vira uma moeda de negócio que envolve várias pessoas e de alguma forma parte dessa moeda é distribuída entre eleitores/as, muitas vezes sem chegar no bolso das pessoas, por ser transformada em favores e é esse favor que vira voto fiel, como agradecimento.
 Esse voto, talvez seja o mais complicado, porque ele parte de uma necessidade simples e dele nasce o político ladrão. E esse eleitor não se acha culpado por isso, ele  é um tipo de eleitor, que não interessa as consequências do voto, o importante para ele, é ser honesto com quem lhe serviu na hora precisa. O grave na atitude desse eleitor/a, é quando a pessoa a quem ele/a deve o favor, não é próprio político em que ele/a vai votar, mas sim, o atravessador, o negociante dos votos, o chamado cabo eleitoral, e nesse caso esse tipo de eleitor do favor, vota em quem ele indicar.
Esses casos acontecem muitas vezes sem que o eleitor nunca tenha nem visto o político em quem votou. Este, é um dos caminhos traçados pelos corruptos na caça dos votos, porque ele sabe que envolve as famílias e que um favor, geram vários votos seguros. Tem político que tira vários votos em um município sem nunca ter ido lá, simplesmente porque fez favor a alguém que tem famílias e amigos. São os eleitores que votam sem medir consequências. É o chamado analfabeto político.
Além destes votantes, há inúmeros perfis de eleitores, uns despolitizados, outros corruptos, alguns ingênuos e esses são os eleitores/as que elegem a corja de bandidos para os poderes executivos, legislativos e ainda influenciarem  na formação do judiciário, colocando seus pares ideológicos para particularizar os poderes públicos, como ocorre no Brasil de hoje.
Dessa forma, podemos até entender que é da inocência de pessoas e da maldade de outras, que a elite se elege e constitui o pior Congresso brasileiro de todos os tempos, o mais conservador, o mais corrupto, o mais despolitizado, o de maior número de empresários, de fundamentalista, ruralista, banqueiro, lobista, sindicalista pelego. Todos  financiados por grupos econômicos.
Nesse contexto é que foi formado o perfil da maioria do parlamento eleito em 2014 com o propósito de numa campanha já montada e articulada para a ofensiva estratégica de desmantelar o projeto desenvolvimentista em curso no país desde 2003, o projeto liderado pelo PT que elevou a qualidade de vida dos pobres e desarticulou o modelo econômico internacional sanguessuga das riquezas do Brasil, sob o comando do mercado Norte-americano e Europeu. O projeto que abriu novas fronteiras para outros continentes, antes isolados do país e que assim passou a promover riquezas divisas, soberania e auto estima da sociedade brasileira.
 Com esse projeto o Brasil se inseriu na formação do BRICS para formar uma economia independente, sem amarras do Euro e o Dólar. Foi essa política que incomodou a política e o grande empresariado americano com interesses na privatização neoliberal, para levarem o petróleo e outros produtos brasileiros rumo ao capital estrangeiro.
E o eleitor i que tem haver com isso? Essa é uma discussão que pouco importa para o eleitor que está lá nos municípios vivendo nos sertões, nos grotões, nas favelas, na periferia, nos campos, nas parafinas e ribeirinhos entregues à própria sorte. Para esses, qualquer favor lhe agrada e serão gratos com o único poder que tem, o voto. O que ainda lhes libertam, são os benefícios das políticas públicas compensatórias, mas quando a inflação corrói o pouco que tem, não dá para compreender que é uma crise do capitalismo internacional e que a mídia mente para influenciar no seu voto.
No entanto, é necessário perceber que todo e qualquer eleitor é municipalista, seja do campo ou da cidade, é lá onde ele mora, vive e convive com as outras pessoas, faz a política de vizinhança, percebe o que está em sua volta, arranja emprego, compra produtos, encontra a espiritualidade, constitui família, vota e elege os representantes, para gerenciar seus impostos e legislar normas de controle e fiscalização do funcionamento dos bens patrimoniais públicos e de desenvolvimento local. Então, a responsabilidade do eleitor com o seu próprio futuro e dos outros é de muita importância no momento de votar. Se existe corrupto, a responsabilidade é do eleitor em seu município, porque lá que se elege.
De Abaiara a Fortaleza não há nenhuma diferença, porque o analfabeto político sempre está presente, e é como ele que o corrupto se elege, comprando votos da pobreza com pagamento de receitas, prestações, óculos, dentaduras, tijolo e os dois o que compra e o que vende são corruptos do mesmo jeito.
Se houvesse consciência de classe, nenhum empresário se elegeria, ou até mesmo seus aliados.