segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Canalizar riachos não é o mesmo que urbanizar.


Li uma matéria do Jornal O POVO do dia 08/09/2013 intitulada “Parque Rachel de Queiroz ainda deve sair do papel em 2013”. Isto que o lado Oeste da cidade de Fortaleza precisa, almeja e luta pra que aconteça. A cobrança ininterrupta pela criação deste parque teve início em 1983, quando ainda não havia tantas intervenções de obras às margens dos riachos, em uma região de muito capim e Sítios que servia para descanso e criação de animais, inclusive com várias vacarias (algumas existentes até hoje), o que tornava o ambiente uma mistura de rural com urbano. Eu mesmo que tinha chegado do interior do Cariri ainda adolescente, sentia-me um tanto confortável em andar por dentro dos sítios curtindo a flora e a fauna existentes. Neste caso, com a permissão dos caseiros.
Já a história do Parque, começa com o loteamento do Sítio Pici, no inicio da década de 1980, quando os lotes estavam sendo vendidos e o corretor passou a morar na Casa Grande, foi aí que, conversando com as pessoas mais antigas do bairro, encontrei as lavadeiras de roupas, as engomadeiras, as faxineiras, os Senhores que arriavam os animais na charrete para Rachel passear e conversei também com as Senhoras que na época eram crianças e brincavam com a jovem escritora. Foi assim que descobri que Rachel de Queiroz havia morado ali, onde escreveu seu primeiro livro, O Quinze. A partir dessa descoberta, as CEBs da Fumaça (Comunidade Eclesial de Base da Igreja Católica), passaram a refletir a importância histórica do local e apresentamos para as autoridades a proposta de criar o Pólo Cultural Rachel de Queiroz, aproveitando os espaços verdes no entorno da casa, como o açude e as cacimbinhas nas margens do Riacho Cachoeirinha onde as mulheres lavavam roupas e as crianças brincavam nas águas cristalinas e pescavam piabas para o alimento etc.
Enquanto essa história de urbanização do Riacho Cachoeirinha estava no Henrique Jorge, Jóquei Clube e Pici, o mesmo acontecia com o Riacho Alagadiço nos Bairros São Gerardo, Ellery e Presidente Kennedy, sendo que os dois se encontram no Antônio Bezerra. Foi a partir desse diálogo dos dois movimentos ambientalistas do Oeste de Fortaleza que foi elaborado pela prefeitura o Projeto “Parque Rachel de Queiroz”, em 1995. Ao surgir o Projeto, os dois movimentos sentiram a necessidade de unificar a luta, criando o “Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz”, que compreende a urbanização com preservação natural do leito do Riacho Cachoeirinha, partindo do Açude do Sítio Pici, no Henrique Jorge e o Riacho Alagadiço, iniciando no Açude João Lopes, no Bairro Ellery.
Sobre a matéria do Jornal, o Movimento discorda do projeto de canalização que está em curso. O projeto Drenurb foi iniciado na gestão da ex-prefeita Luizianne Lins e está dando continuidade com prefeito Roberto Claudio. Desde o inicio das obras o Movimento lançou protesto e cobrou a execução do projeto original, elaborado ainda na gestão de Juraci Magalhães, que preserva a fauna, a flora, o leito e criaria espaços de lazer para a população. O Drenurb está canalizando sim, cimentando as margens e construindo uma manta de cimento com concreto no solo do leito dos Riachos, e entendemos que isto é a mesma coisa que criar esgoto. O Movimento compreende que essa é a forma de descaracterizar os Riachos para beneficiar a especulação imobiliária nas proximidades, já que às margens do Riacho deve sempre existir uma área de preservação permanente de até 15 metros de cada lado e mais a área de proteção ambiental, onde não podem ser construídas edificações residenciais etc. Esse espaço de proteção é aonde o poder público deve construir os equipamentos de lazer, de socialização, esportivos, educativos etc. Já com a obra que está em andamento da forma como o Drenurb está fazendo em estilo de Canal, reduz a área de preservação para apenas 5 metros e acaba com o espaço de proteção, o que vem beneficiar as construtoras, permitindo que as mesmas façam aterros e diminuam as áreas verdes e a qualidade de vida no Oeste de Fortaleza.
Podemos ver então que não há nesse projeto nenhum interesse urbanístico com a cidade e com a melhoria de vida das pessoas, mas sim, proteger o capital especulativo imobiliário do mercado capitalista e consumista.

Leonardo Sampaio
Educador, Historiador Popular, membro do ESCUTA (Espaço Cultural Frei Tito de Alencar) e do Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

As manifestações de ruas e a mídia

As manifestações de ruas em Fortaleza desde o dia 19/06/13 me fizeram observar que as matérias de televisão e jornais vêm discriminando e criminalizando o movimento de rua, taxando-o como vândalo, tanto nos noticiários como nos programas da “bala e sangue”. Passam horas mostrando imagens da revolta popular contra todas as formas de desrespeito aos seus direitos. Os jornais impressos trazem nas manchetes fotos e matérias mostrando fogo e violência, como se tudo fosse vandalismo.
Esse tipo de comunicação, não quer apresentar a realidade que está presente nas manifestações, a partir das diversas formas que os manifestantes veem o mundo, como por exemplo, a filosofia do anárquico, que quando é atacada nas ruas, tem seu jeito de protestar contra o Estado e a mídia que os tratam como pessoas anormais e os discriminam, não aceitam o seu jeito de ser.
Essa mídia não percebe que o manifestante da rua está na escola, ou passou por ela, adquiriu consciência crítica e consegue fazer uma leitura de mundo, razão pela qual quando ele queima ou apedreja é simbolizando o protesto contra o que dizem dele, ou como os tratam. Não são vândalos, mas protestos de jovens que estudam, tem criticidade, filosofia de vida, detestam o Estado e querem ser livre dele. Livres desse Estado burguês que o oprimem com todas suas instituições. Livres do consumo capitalista. Livres das estruturas que os reprimem. Portanto, não há vândalos e sim pessoas com protestos contra o Estado (Executivo, Legislativo, Judiciário) e a mídia extremamente incorporados à corrupção.
Dessa forma entende-se que o jeito de queimar das manifestações de ruas, pode ser um protesto ilegal, porém legitimo. Queima-se a péssima qualidade dos serviços, inclusive da mídia.
O que li, escrito por parte desses jovens, não é simples pichações e sim murais onde expressam suas indignações e filosofia de vida e de ler o mundo.
É preciso entender que o que está sendo queimado nos protestos, não é um simples ataque aos carros dos meios de comunicação, mas à péssima qualidade dos programas de televisão que apresentam as pessoas da periferia como gente “do mal”, com sangue e bala pra todo lado. Essa imagem é apresentada em televisões e jornais mostrando a pobreza como degradação humana e lixo da sociedade, como se todos fossem marginais. Então, o que está sendo queimado da mídia nas manifestações, são os estereótipos das periferias, com sua programação de sangue, bala e miséria humana. Essa juventude quer o reconhecimento das suas qualidades, dos seus valores, da sua potencialidade, são pessoas que acreditam num outro mundo possível.
A simbologia dos manifestantes de rua quando viram e apedrejam um ônibus, não é um simples ato de vandalismo como estão tratando e sim à revolta dos usuários, pela péssima qualidade do transporte coletivo. No entanto, a sociedade um tanto quanto hipócrita, acha que não é essa a forma, só que todas as outras já foram tentadas pelas organizações populares, como não tem resposta satisfatória, o radicalismo das ruas vai a extremidade possível, mostrar a necessidade de mudanças.
É esse o diferencial que a mídia não trás a análise e levam à criminalização, enquanto que Estado apresenta como solução a repressão, estão aí às contradições da luta de classes que chegaram às ruas.  

Leonardo Sampaio
Educador

sábado, 22 de junho de 2013

O ESCUTA e sua dimensão histórica no mundo

O ESCUTA teve inicio em 1980 com a chegada de vários missionários e missionárias na Favela da Fumaça, ali era apenas becos, em um ambiente extremamente desumano, formado por índios Tapeba, Tremembé, Tabajara e afrodescendentes possivelmente de diversos quilombos espalhados pelo Estado do Ceará. Foi nesse ajuntamento de etnias que se formou a Fumaça e tornou-se um grande quilombo, com toda a beleza negra e sua potencialidade religiosa e cultural. Faltava a esses povos, conhecimentos de seus direitos e deveres pra juntar aos seus saberes e elevar o nível de sua organização. O grupo de missionários/as a partir da fé colaborou pra que ali se formasse a primeira organização comunitária que foi a Comunidade Eclesial de Base – CEBs da Fumaça, A CEBs percebeu que uma das dificuldades local, era o analfabetismo de crianças, adolescentes, jovens e adultos, daí é que nasce a Escolinha Frei Tito, hoje Escuta – Espaço Cultural Frei Tito de Alencar que como primeira ação, formou jovens da comunidade com o método Paulo Freire, para serem educadores, não só do alfabeto e letramento, mas principalmente da leitura crítica de mundo.
O objetivo do grupo de missionários/as era ajudar as pessoas a sair do estado de ignorância intelectual, pra começarem a perceber a vida e sua realidade, analisar as causas de suas dificuldades e ver o mundo além do seu entorno, pra agir dentro dele e transformar a realidade. Esse foi o método norteador dessa formação que parte do pensamento comunitário da Teologia da Libertação com um olhar no Cristo Libertador, confrontando com as idéias do conservadorismo religioso pentecostal e o sistema político econômico capitalista que forma mentes para o individualismo e a ambição.
Esse processo formativo se tornou em educação popular permanente dentro do Escuta e ultrapassou o limite das religiões com olhar voltado pras pessoas, para o ser humano e sua libertação, desde o corpo, a mente e o consumo, acreditando que outro mundo é possível, desde que seja criado por mentes sadias, sem a doença da morte gerada pelo capitalismo e com isso resgatar a dignidade e os sonhos, se percebendo no mundo pra buscar a utopia e os sonhos sonhados e a sonhar.
Em todo esse percurso das CEBs e o Escuta, a arte e a literatura sempre estiveram presentes com as diversas linguagens artísticas e a leitura, desde a bíblia, a teologia da libertação, aos clássicos da revolução socialista, da música popular, do teatro, a poesia e a educação popular. Por isso, esse espaço é predominantemente de formação da cidadania e profissionalização em arte educação.
Portanto, o Escuta é uma Escola de Formação em que as pessoas, desde crianças a idosos acumulam conhecimentos e agem no mundo transformando a realidade.
O Escuta talvez possa ser compreendido como ambiente modelo de formação para a construção da emancipação humana.
Essa construção passa por compromisso pessoal e coletivo.

Leonardo Sampaio

Educador e sócio fundador do Escuta.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O risco da escassez masculina


Pelo numero de homens que está morrendo em torno da violência, é preocupante que possa haver escassez, em um curto espaço de tempo.
Falo assim, porque acompanho como educador popular e professor de escola pública, que cerca de 200 jovens foram assassinados na última década, só no Pici. Minha observação, é que desses mortos, apenas quatro mulheres fazem parte do rol, isso falando apenas da criminalidade, quando olho para os acidentes de motos e veículos observo que a maioria está entre a população masculina e os ainda vivos, muitos estão mutilados e outros nos presídios, isso significa uma escassez da figura masculina, o que deverá representar em breve, falta de mão de obra do homem, já que uma geração de jovens está sendo exterminada e o pior, na onda da violência, são das camadas pobres, filhos de biscateiros, desempregados, comerciantes, ambulantes, vendedores de drogas ilícitas, serventes, pedreiros, operários, lavadeiras, engomadeiras, costureiras, diaristas, e outras. É possível identificar ainda, que na sua maioria são de origem afrodescendente, que ao serem libertos da escravidão, não tiveram direito a terra pra trabalhar e morar, são também indígenas que sofreram a violência de tomarem suas terras. São povos de etnias com sua cultura própria, porém, discriminada por uma sociedade capitalista, individualista e consumista.
Os jovens são convidados para o consumo de produtos de marcas, mas não veem perspectivas de consumirem, com os recursos dos pais, por isso, também não querem a profissão deles, mas a sociedade lhes exige uma aparência, e eles não querem aparecer pra sociedade por baixo, como um pobre qualquer, e aí, pelo menos no seu meio, sentem a necessidade de se destacarem como heróis, diante das paqueras, nesse caso, usar drogas, roubar, pichar e matar vale tudo, “faz parte do sucesso”.
Destaco ainda, outro elemento importante a ser pesquisado: Qual é o grau de instrução deles? Quanto tempo esse jovem passou na escola? Porque abandonou o ambiente escolar? Quais eram seus sonhos e porque não lutou por eles?
Fica aqui, as interrogações, para que os institutos de pesquisas e cientistas busquem responder.

Leonardo Sampaio
27/03/2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Carta para um vaqueiro no céu



Companheiro Dudé
Eu nunca te esqueci, estou agora conversando com teu filho Dico, que conheci, como vaqueiro, curraleiro, carreiro e sempre fomos grandes amigos. Estávamos recordando de muitas coisas boas vividas na minha infância e adolescência. Escrevemos o nome de todos os acessórios que um vaqueiro usa, desde seus pertences, aos arreios do animal. Tudo era feito de forma artesanal por mãos de artistas profissionais como você conhecia muito bem. Cada um caprichava pra fazer bonito e seguro.
Sempre quando rezo lembro de você, espero que esteja ao lado de tua família, junto ao pai, o nosso Deus. Hoje tive vontade de conversar contigo e esse foi o jeito que encontrei, escrever pra lembrar nosso tempo e te contar como estão às coisas aqui na terra.
Eu continuo na luta junto com tantos outros companheiros por este Brasil a fora. Sempre na batalha contra o capitalismo e em busca da construção do reino de Deus. O reino que começa aqui na terra. Procuramos seguir na fé, o que Jesus nos ensinou. Entendemos que ele pede de nós que procurar levar aos mais humildes, esperança, amor, paz e justiça com liberdade integral do ser humano em comunhão com a natureza.
Mas companheiro, a coisa não está fácil, anda tudo ao contrário do que Deus quer, os dez mandamentos parece que apagaram e seus ensinamentos são ignorados por esse sistema cruel, desumano.
Mais antes de entrar nesse papo da atualidade, quero lembrar um pouco o seu tempo, depois eu conto como esta a situação agora.
Tu deves se lembrar da fartura de comidas existentes em nossa época nos sertões do Cariri, lá tinha: mungunzá, feijão com pão, toicinho, mocotó, angu com leite, capão gordo, queijo, carne assada, leite, paiol de milho, macaxeira, batata, jerimum, arroz, rapadura, farinha, baião de dois, cuscuz, peba com arroz e angu, tatu cozido e tantas outras delicias.
Companheiro, com o Dico a gente ia lembrando do gado solto no campo, cavalos de cela, cavalos de campo, burros de cela e de campo, da cangaia e os cambitos e do lote de éguas com jumento.
Lembras dos arreios dos animais, uniformes do vaqueiro e acessório?
Vamos anotar para as outras gerações tomar conhecimento dessa nossa história. Olha só o que havia nos arreios de um animal: Esteira, soador, talabardão, ação, cela, cia, rabicho, estribo, lóro, capa, guardapa, peitoral, cabresto e cabeçada.
O terno do vaqueiro era feito de couro de bode e as peças eram: perneira, gibão, guarda-peito, luvas, chapéu e mais os acessórios: sapato de couro, chicote, espora, alforjes, caretas e chocalhos. Esses acessórios iam amarrados por correias que já faziam parte da cela, além disso na lua da cela que era móvel, por baixo era colocado a corda de laçar boi, que era feita de couro cru com uma argola de metal num laço.
Lembro de você saído de baixo do pé de juá com todo esse equipamento pra campeã e ainda botava no alforje farinha, queijo, carne assada, rapadura e na garupa do cavalo a maca, feita de couro de carneiro com lã, (na maca ia roupas e rede) e ao lado ia o Trigueiro, o cachorro amigo que lhes acompanhava.
Dudé, você era admirado por todos, porque gostavas da vida, de zelar a sua família, de suas coisas e de tratar bem os animais, de aparar o rabo, cortar as clinas, limpar as orelhas, banhar, aparar os cascos, apear e soltar na roça.
Sempre fostes assim, vaidoso, cuidadoso e simples.
Quando chegava a invernada que a ramagem enfolhava na caatinga, juntavam-se as vacas, novilhas escoteiras e junto com um touro, fazia-se a solta na mata. Toda semana ias lá olhar o gado, observar as fêmeas morjadas, ou com bicheiras e até trazer bezerro na lua da cela quando a vaca paria no mato. Se houvesse algum animal ferido, partias para a pega, a derrubada do boi na mata fechada, para poder tratá-lo.
Na ocasião da pega os recursos medicinais eram veneno, criolina, leite-de-algudão-seda, bosta verde de gado ou péia de fumo.
Passado o inverno, a ramagem se acaba e vem o momento do gado voltar para a fazenda, é aí que o Vaqueiro começa a arrebanhar a boiada, só que ela já está acostumada com a matam onde ela tem liberdade e alguns se rebelam, fogem do rebanho, daí começa então à busca, é a vez dos Vaqueiros, os cavalos e o boi sair no pega pra capá ( castrar ). Era esse o momento em que todos os vaqueiros se juntavam e partiam de mata a dentro, é também a vez do Trigueiro mostrar seu valor. Só vai nessa empreitada quem tem coragem, é aí, onde a mata se abre e fecha, com a passagem do boi, do vaqueiro e o cavalo, não esquecendo o latido do amigo Trigueiro que chega junto na hora da derrubada do boi. Logo que o boi é dominado, os vaqueiros colocam a careta, o chocalho e voltam procurando o rastro por onde passaram para encontrar novamente a boiada.
O grande trunfo do Vaqueiro nessa empreitada é chegar primeiro, é pegar no rabo do boi em plena mata e derrubar, é misturar o suor, o sangue, o cansaço, a sede, é elogiar o cavalo que chegou junto, é serem vitoriosos e sorrirem juntos.

Esse texto foi feito com ajuda de Dico, filho de seu Dudé, onde íamos lembrando o nome dos acessórios.

Leonardo Furtado Sampaio

12 / 05 / 2002

domingo, 3 de março de 2013

Violência, quem será o culpado?



Os noticiários e jornais trazem resultado de uma pesquisa em que Fortaleza é a 13ª cidade mais violenta do mundo. É necessário que se diga que essa cidade é violentada pelo maior consumo de carros de luxo, como os mesmos meios de comunicação registram, o que representa concentração de riqueza e desigualdade social.
É esse o sistema econômico que predomina no poder do estado e do país, portanto, não será diferente em Fortaleza.
Enquanto isso há um modelo de sociedade que implica em exclusão, com muitos tipos de fomes que proporciona desilusão às juventudes e essas sem perspectiva futura estão se exterminando das diversas formas, inclusive banalizando a vida e interrompendo-a precocemente, na disputa de um mercado de trabalho e renda relacionado às drogas ilícitas.
São eles descendes de etnias indígenas e afrodescendentes que estão fora do mercado de trabalho e consumo. Fazem parte dos 250 milhões que passam fome de pão (D. Helder) e os que passam fome beleza (Frei Betto) e de saberes (Paulo Freire) se multiplicam muito mais.
Como justificar esse nível de violência, senão observando o que está por traz do Estado de Direito? A quem ele serve? As interrogações surgem porque há uma tentativa de se buscar pessoas, indivíduos culpados. No entanto, essa situação é resultado do capitalismo, agravado pelo neoliberalismo e a corrupção. Aí sim, todos aqueles e aquelas que alimentam e sustentam esse sistema, podemos enquadrá-los como culpados de todas as formas de violência que interrompem a vida, sejam elas, por meio de armas de fogo e branca, trânsito e ausência de assistência médica ou a ineficiência do atendimento e até mesmo pelo sistema privado empresarial da saúde em que o lucro supera a possibilidade de salvar vidas.
Entendo que a violência anunciada é consequência de todo esse conjunto de coisas construídas pelo espírito predador do ser humano, em toda a dimensão planetária (Leonardo Boff), onde o lucro possa ser extraído e acumulado em detrimento à vida.
Como superar tudo isso se as instituições representantes do poder supremo dos deuses, se atolam no sistema capitalista com toda sua dimensão individualista, de exploração e corrupção como vemos o Vaticano, nas Universais e demais igrejas que vendem a alma branca de um Deus supremo e infinito que perdoa e salva na chegada ao céu? Pra que violência maior que atinge milhões em todo o planeta?
Urge assim a necessidade da construção de um mundo com uma sociedade emancipada, humanamente justa e fraterna com o fim da fabricação de armas, para se viver com paz e amor.

Leonardo Sampaio
Educador e pedagogo.
03/03/2013

domingo, 23 de dezembro de 2012

Saberes africanos na escola

Foi numa escola pública

Chamada de Dagmar,

Onde o assunto negritude,

Foi tema pra estudar,

Sobre a beleza africana,

Com tudo que veio de lá.

 

Os saberes africanos

E o afro-brasileiro

Teve em todas as salas

Do quinto até o primeiro

Estudando as riquezas

Fincadas no brasileiro.

 

Com muito entusiasmo

A escola participou

Da primeira até a quinta

Todo mundo estudou

Dos saberes se inteiraram

Do que a história contou.

 

O entusiasmo foi tanto

De alunos e professores,

Que todos se superavam

Pesquisando os valores

Da cultura africana

Religiões e tambores.

 

Os temas em cada sala,

Assim foram distribuídos

Estudou-se personagem

Com trabalhos construídos

Pela coletividade

E todos sendo concluídos.

 

Quilombo foi mais um tema

Difundido e estudado

Sobre as lutas no Brasil

Do negro escravizado

Brigando como guerreiro

Pra poder ser libertado.

 

Os estudos avançavam

Sobre Quilombos formados

Em lugares bem distantes

Pra estarem preparados

Mantendo a resistência

Pra não serem atacados.

 

A luta dos quilombolas

É a defesa da terra

Pra produzir alimentos

Bem lá no topo da Serra

Em lugar de pouco acesso

Pra poder vencer a guerra.

 

Já os contos africanos

Com histórias de animais

Foram as coisas mais lindas

Que ficaram nos anais

Dos olhares das crianças

Professores e dos pais.

 

O continente africano

Da forma que foi mostrado

Trazendo todos os mapas

Mostrado com o cuidado

Da forma como entenderam

O tema lá estudado.

 

E a divisão política

Da África oriental

Com todos os seus países

E a região ocidental

Traziam as suas belezas

De forma fenomenal.

 

O trabalho sobre África

Olhando para o Brasil

Na sala tinha de tudo

E todo mundo lá viu

Instrumentos e comidas

Cultura e povo gentil.

 

Costumes e culinária

As artes e a cultura

Vindas da produção negra,

Com valores e postura

Que a negritude tem

Fez da sala a leitura.

 

Caxixi e atabaque

Berimbau e afoxé

Feitos com a natureza

De cabaça e coité

O Bambu e a taboca

E o sabor de acarajé.

 

A fala de uma mãe

Que ali se fez presente

Foi muito gratificante

Quando falou renitente

Do que aprendeu na sala

Deixou-lhes muito contente.

 

Coisas que ela ouviu

Precisa ser combatido

O racismo na escola,

É que tem acontecido,

Inclusive intolerância,

Que crianças têm sofrido.

 

E a questão religiosa

Tratada com intolerância

E com palavras racistas

Tem muita ignorância

No debate foi aflorado

O quanto à discrepância.

 

Os filhos de Mãe de Santo

Sofrem muito preconceito.

Já nasceram nos terreiros

E ninguém tem o direito

De querer discriminá-los,

Xingando com desrespeito.

 

Outra forma agressiva

Dito para humilhar

É o cabelo pixaim

Fala-se pra rebaixar

Mostrando o preconceito

Buscando discriminar.

 

A lei agora é dura

E pode incriminar

Levar gente pra cadeia

Que o racismo praticar

Seja a cor ou religião

Todos tem que respeitar.

 

Tirem lá o seu racismo

Que eu quero aqui passar

Minha cor é natural

É a que trouxe de lá

Por isso abra o caminho

Pras cores não separar.

 

A mãe viu crianças falarem

Do que sofrem de agressão

Por ser afrodescendente

E apelou pra intervenção,

Para por fim ao racismo

Com mais conscientização.

 

O que ficou de lição

Sobre igualdade racial

Foi o direito humano

Que será fundamental

Pra o respeito e dignidade

A esse povo ancestral.

 

Esse foi o aprendizado

Dessa Feira Cultural

Tendo participação

Que levantou o astral

De todo corpo escolar

Foi tudo sensacional.

 

E assim fica o exemplo

De toda a formação,

Com riqueza cultural,

Tirada do coração,

Estendendo os abraços

Para toda a direção.

 

Vou agora apresentar

A escola onde fica

Próximo ao Rio Siqueira

Onde não tem gente rica

Mas as famílias honradas

Que o bairro pacifica.

 

Dona Dagmar Gentil

É Escola Municipal

Fica no Henrique Jorge

Perto da Perimetral

Com os alunos ingressos

No ensino fundamental.

 

No Estado do Ceará

Fortaleza é a Cidade

E o Brasil é o país

De ensino de qualidade

Estudar a negritude

É uma necessidade.

 

Leonardo Sampaio

15/12/2012