terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Carnaval na Escola e a Lei 10639/2003

A Escola Bergson Gurjão Farias, deve desenvolver em fevereiro, a temática sobre carnaval a partir da Lei 10.639/2003, “que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino, a obrigatoriedade da temática história e cultura africana e afrobrasileira". O carnaval tem raiz na cultura afrobrasileira, o que deve ser estudado enquanto espaço de consciência negra, desmistificando o preconceito e a intolerância que o carnavalesco sofre no país, devido à relação da batida dos tambores com o Candomblé, religião de matriz africana, de onde nascem os ritmos da cultura popular brasileira nas comunidades negras. A Escola tem o papel de mostrar as belezas africanas e afrobrasileira que se manifestam nas comunidades negras e quilombolas com seu colorido, culinária e literatura no pós-libertação dos escravizados. A cultura afro no Brasil mistura-se com a indígena e europeia, o que vem enriquecer a criatividade na culinária, arte, música, dança, esporte e literatura passando a ser denominada de cultura popular brasileira. A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. brasilescola.uol.com.br/carnaval/historia-do-carnaval.htm O carnaval brasileiro é uma festa multicultural que se populariza com o samba, tem influência da religião africana e afrobrasileira, de onde vem à batida dos tambores e a dança que expressa o sentido espiritual do corpo, o corpo que fala expressando o ritmo da música afro com sua diversidade desde o samba, axé, frevo, reggae, rapper, hip hop, maracatu, maxixe, forró, xaxado, Carimbó, coco e capoeira. É toda uma musicalidade que se transforma em Festas Populares onde está à expressão corporal, a alegria, o aconchego, a coletividade e faz com que ninguém aguente ouvir sem se mexer, porque o corpo pede e a mente libera. O Carnaval de Rua no Brasil se tornou a maior manifestação popular da cultura afrobrasileira, que se transforma em festa como podemos ver: no Rio de Janeiro inicialmente veio os cordões em ritmo de machinhas com composição de Chiquinha Gonzaga em 1899, posteriormente, das Rodas de samba nas comunidades negras, vem à criação das Escolas de Samba Enredo, que se popularizou no Rio de Janeiro e São Paulo, espalhando-se por outras localidades do país. Já na Bahia tem o Samba Reggae e o Axé, em Pernambuco o Maracatu rural, o Maracatu Bague Virado e o Frevo, no Maranhão o Bumba meu boi e o Reggae, no Amazonas o Bumba meu boi de Parintins, no Pará o Carimbó, no Ceará o Maracatu Cearense. Os desfiles de Rua do Carnaval em Fortaleza simbolizam esse encontro de ritmos carnavalesco de todo o país, mais o humor e a sátira. É esse carnaval afro-brasileiro que trazemos como forma de refletir a beleza e a criatividade da cultura negra, vinda da África para o Brasil, pelos escravizados/as. Carnaval é negritude é história afro é Terreiro é tambores é poesia é samba, axé, frevo, Bumba-meu-boi e maracatu é puro afro-brasileiro. Leonardo Sampaio. Leonardo Sampaio, lotado na Escola Bergson Gurjão Farias, no apoio pedagógico da gestão escolar. É estudioso e pesquisador da cultura popular brasileira.

Carnaval na Escola como cultura afro-brasileira.

Carnaval na Escola Bergson Gurjão Farias Biblioteca Bem-Me-Quer Por: Leonardo Sampaio “A dança e o corpo formam um ambiente sagrado de espiritualidade.” Esse momento de carnaval na Escola Bergson Gurjão Farias é muito mais que uma simples dança, é na verdade o encontro com a cultura africana e afrobrasileira, com a beleza da negritude, da arte e da batida dos tambores trazida pelos escravizados chegados ao Brasil, forçados, mas trazendo no espírito a ancestralidade, que revitalizou a vida, por meio da resistência diante das perseguições, da Igreja e do Estado, governado pelos brancos europeus dos Impérios. Os mesmos herdeiros da “Casa Grande” que hoje dão golpes e assumem o governo para mascarar a corrupção implantada por eles e buscam desesperadamente barrar as investigações da Lava-Jato na parte que os atinge. Tornando um judiciário seletivo e desmoralizado, um governo de corruptos e um congresso de bandidos. Para a Biblioteca Bem-me-quer, que estimulou a pesquisa e o estudo sobre o Carnaval brasileiro, junto às crianças, foi muito estimulante ter levado a se envolverem escrevendo, aprenderam a buscar na internet, leram, viram vídeos e ouviram músicas de Carnaval, que revelaram a cultura africana e afrobrasileira, músicas e ritmos que contaminam a alma, a mente e o coração alegre desse povo que povoa esse país chamado Brasil. Um povo que mesmo diante de todo o sofrimento consegue mostrar o talento vindo dos ancestrais e em seus quintais, seus terreiros, suas comunidades negras e quilombolas subindo os morros desenvolvem seus saberes e confessam sua espiritualidade de fé nos Orixás, inspirados na natureza e no Deus maior Olorum. É esse o Carnaval que trazemos na Escola, como lugar de desmistificar a intolerância religiosa, racismo religioso, o preconceito, combater o racismo e elevar a autoestima dos negros e das negras para que se sintam livres em assumir sua identidade negra e sentir felicidade e orgulho da sua negritude. Esse Carnaval simboliza também a percepção da Escola, que racismo não é bullying, é crime e essa é a razão pela qual se faz necessário implementar a Lei 10639/2003 que modifica a LDB, instituindo a obrigatoriedade do Ensino de História e da cultura africana e afrobrasileira em escolas públicas e particulares. Portanto agradecemos a todos e a todas à Diretora Sheila, as Coordenadoras pedagógicas Maria, Laelza, às professoras e aos alunos e alunas que vão aqui fazer a culminância de seus estudos e pesquisas sobre a diversidade de gêneros de ritmos e danças trazendo o Frevo, o Samba, o Maracatu, o Samba-Reggae, o Axé, Bumba-meu-boi e as Marchinhas. Carnaval é negritude é história afro é Terreiro é tambores é poesia é samba, axé, frevo e maracatu é puro afro-brasileiro.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

E-book: Performance Poética na Escola






Descrição:

"Performance Poética na Escola" é uma obra envolvente que combina arte, educação e cidadania. Escrito por Leonardo Sampaio, professor, pedagogo e poeta, o livro é uma rica coletânea de poemas, cordéis, trovas e quadras que abordam temas essenciais para o contexto escolar, como inclusão, ancestralidade, direitos humanos e a valorização da cultura popular.

Ao longo de suas 196 páginas, o autor compartilha sua experiência de mais de uma década no magistério, utilizando a poesia como ferramenta pedagógica para inspirar alunos, promover o interesse pela leitura e estimular debates sobre questões sociais e culturais.

O livro se destaca por sua abordagem acessível e criativa, ideal para professores que buscam inovar em sala de aula, educadores populares, e amantes da literatura brasileira. Com textos que vão da emoção ao humor, da crítica social à celebração das raízes culturais, Performance Poética na Escola é um convite para transformar o aprendizado em uma verdadeira experiência artística.

Destaques da Obra:

  • Poemas e cordéis que estimulam a leitura e o pensamento crítico.
  • Reflexões sobre inclusão, racismo, ancestralidade e cidadania.
  • Um guia para educadores que desejam integrar cultura e ensino.
  • Ilustrações feitas por crianças, que enriquecem a obra com um toque autêntico e criativo.

Para quem é este livro?
Educadores, estudantes, arte-educadores, pais, e todos que acreditam no poder da arte e da cultura para transformar a sociedade.

Adquira agora e leve a poesia para além das páginas, criando um impacto positivo em sua escola e comunidade!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Perfil do eleitor reacionário

 Leonardo Sampaio

 

Os princípios e valores,

ditos humanitários,

criados no cristianismo,

virou coisas de otários,

deixou de ser pregados,

nos votos são revelados,

direitos são secundários.

 

Um candidato maquiado,

passa a ser suficiente

Fortaleza é exemplo,

vota-se num delinquente

que nega todos valores

e pratica os horrores,

um sujeito inconsequente.

 

O perfil do eleitor/ra

parece ser engraçado/a

tem o rico milionário

e até desempregado/a,

que se acha produtor/ra,

ou mesmo um condutor/ra

que não é mais empregado/a.

 

Não é mais trabalhador/a,

não depende de patrão,

agora é empresário/a,

se acha bicho/a papão

sonha muito em ser rico,

mas vive sempre de bico

na nova escravidão.

 

Não tem direito a nada

que o Estado oferece,

pra ter uma vida digna,

a família quem padece

se houver um acidente,

fica como indigente

ou o Plano aparece.

 

Ele/a vira uma coisa,

e produto do mercado

sendo mais um objeto

que é pra ser explorado,

mas se acha independente,

pensa até que é gente

igual ao empresariado.

 

Quer ter toda regalia

sonha em ser milionário,

pro seu voto ter valor

vivendo sem ter salário

buscando prosperidade

sem viver de piedade

pra ser igual empresário.

 

Ao ser empreendedor/a,

e agir como patrão

esquecer a sua origem

e ter a bíblia na mão,

passa a ter sua verdade

na individualidade,

se dizendo ser cristão.

 

O Templo é uma farsa,

não existe cristianismo,

igual Jesus de Nazaré,

pois só o capitalismo

com o individualismo

e o ante comunismo

passa a ser catecismo.

 

A doutrina do domínio

com tomada do poder

é a nova teologia

e o eleitor sem saber

da partilha de Jesus

nem porque morreu na cruz,

mas no mito ele/a crer.

 

Não aceita democracia,

e prega a ditadura

isso é bolsonarismo,

até quebra viatura

mentira os alimenta

cria coisa e inventa,

é assim sua postura.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Qual é o seu grito?

Leonardo Sampaio 


O Grito dos Excluídos

é a manifestação,

de quem sente-se explorado/a

e busca libertação,

procurando um lugar

que possa se libertar

de toda exploração.

 

Capital acumulado

exclui uma maioria,

tira de muitos a vida

acaba a soberania,

expõe a desigualdade

impede a liberdade,

dar poder a tirania.

 

Você tem sede de que?

De riqueza ou igualdade?

De justiça ou do ódio?

Da fome ou liberdade?

Acumular? Dividir?

O que lhe faz existir?

A vida ou crueldade?

 

Ter vida em abundância,

é preciso perceber

de que lado eu estou,

às perguntas responder

da vida? ou opressor?

Sendo eu trabalhador

o que preciso fazer?

 

No Grito dos Excluídos,

Vida em primeiro lugar,

você tem fome e sede.

Que lado você estar?

Sua sede qual é mesmo?

Será de ficar a esmo?

Ou é de se libertar?

 

Grito gritado com fome.

Grito do injustiçado,

e grito da violência,

com grito do explorado

o grito por liberdade

e grito da igualdade

grito do indignado.

 

Cada qual tem o seu grito,

aquele grito gritado,

grito pedindo socorro,

é um grito engasgado,

grito do feminicídio

é um grito feticídio

e um grito odiado.

 

Diga mais qual é seu grito.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

São Francisco de Assis da Entrada da Lua

Leonardo Sampaio
I
Francisco é de Assis            
sua Cidade natal
que fica na Itália,
Europa Ocidental
lá viveu e cresceu
e formou seu ideal.
 
II
Foi um jovem rebelde
vivendo como plebeu
e até soldado de guerra
a profissão exerceu
pra matar o inimigo
em defesa do que é seu.
 
III
Foi prisioneiro de guerra
e na cadeia ele sofreu
passou muito frio e fome
e na prisão adoeceu
até que foi socorrido
pelo pai que o atendeu.
 
IV
Virou um conquistador
das meninas do lugar
vestia-se todo elegante
pra as mulheres mostrar
sua beleza de jovem
e paquera conquistar.
 
V
Com toda a elegância
andava pela estrada
e um mendigo avistou
com a veste estragada,
a sua roupa doou,
bonita e engomada.
 
VI
Sentiu-se ali chamado
pelo Espírito Santo
para socorrer os pobres,
vestindo-os com um manto
dando-lhes dignidade
para viver com encanto.
 
VII
Foi no armazém do pai
e levou muito tecido,
pegou todo o dinheiro,
com pobres foi dividido,
o pai ficou revoltado
com o filho atrevido.
 
VIII
Quis o dinheiro de volta,
os pobres tinham gastado
já não havia mais jeito,
ele foi ameaçado,
de perder sua herança
e ficar sem um trocado.
 
IX
Ali mesmo no local
todas as vestes tirou
e o pai decepcionado
do lugar se retirou,
Francisco foi acolhido
e até manto ganhou.
 
X
Renunciou a riqueza
defendeu a igualdade,
aos pobres, os acolheu,
desfez-se da propriedade,
dividiu com os humildes
com amor e caridade.
 
XI
A partilha era seu lema,
com muita paz e união
sem ter ódio e discórdia
para haver o perdão
elevando a esperança
por um mundo em comunhão.
 
XII
Seu desejo principal,
sua maior intenção,
foi viver o Evangelho
buscando a perfeição
seguindo sua doutrina
com toda dedicação.
 
XIII
A fé no Deus verdadeiro
levou a definição,
Mateus com seu Evangelho,
deu maior inspiração,
Jesus Cristo lhe ensina
a buscar a salvação.
 
XIV
Em Mateus estar escrito,
“se tu queres ser perfeito,
vende todos os teus bens,
dar aos pobres o direito,
de também ter seu tesouro
para viver do seu jeito”.
 
XV
O seu jeito de ser jovem,
e viver a penitência,
praticando a renúncia,
exercendo paciência,
e dando-lhes testemunho,
na prática e vivência .
 
XVI
Trabalho e compromisso,
era parte da missão
pra combater a pobreza,
não basta só oração,
tem que ter amor fraterno
de dentro do coração.
 
XVII
O trabalho manual
exortou com alegria,
não aceitava dinheiro,
a produção dividia
com os demais camponeses
que com ele convivia.
 
XVIII
A espiritualidade
era sua proteção
o Menino Jesus nu,
foi uma provocação
para mostrar humildade
em busca da salvação.
 
XVIX
São Francisco foi assim
em toda sua missão,
reconstruir a Igreja
sendo luz com devoção,
e compromisso com Deus,
fazendo transformação.
 
XX
Chamou o planeta terra,
de Mãe e lugar comum,
pediu que seja cuidada,
sem deixar fora nenhum,
dos seres da natureza
ele não é qualquer um.
 
XXI
Sua história voou
pelo, o, mundo afora
Fortaleza, Ceará
é lugar que ele  mora,
bem na Entrada da Lua,
Pici que ele adora.
 
XXII
São Francisco é do bairro,
bem na Entrada da Lua,
e juntou-se com São Jorge,
no Salão fica na rua,
que promove o seu nome,
com a Capela que é sua.
 
XXIII
São Francisco no Pici
é da Entrada da Lua
e disputa com São Jorge
que diz que a Lua é sua,
a Capela São Francisco,
é quase na sua rua.
 
XXIV
Com São Francisco da Lua,
vive-se o coletivo
da Igreja sinodal
com movimento ativo
e sendo missionária,
em Jesus o objetivo.
 
XXV
Veio com o Irmão Sol
que chegou iluminado
e vendo a Irmã Lua
no Salão muito lotado,
foi buscar outro terreno
até que foi encontrado.
 
XXVI
Mãe Terra lugar comum,
trouxe estrelas nas mãos
com Irmão Sol, Irmã Lua
adotou aquele chão,
a pedra fundamental,
assegurou o torrão.
 
XXVII
Havia um horto lá,
de plantas medicinais,
em que Mulheres do Brilho
da Lua, eram sinais,
o plantio era cuidado,
com projetos sociais.
 
XXVIII
Dezenove de setembro
Dois mil e onze o ano,
a pedra fundamental,
consolidou-se o plano
a benção foi celebrada
o nome não houve engano.
 
XXVIX
Juntou homens e mulheres
ergueram o monumento,
tornando o chão sagrado
lugar de acolhimento,
de paz e amor fraterno
Francisco é instrumento.
 
XXX
O exemplo de Francisco,
revelando humildade
levou ele a vir morar
na nossa Comunidade,
que tanto o acolheu,
com sua simplicidade.
 
XXXI
A Capela instalada
o Pici é o local,
rua Major Sucupira,
Fortaleza - Capital
o Ceará é o Estado,
o endereço postal.
 
XXXII
O Bairro Pici Católico,
era a Área Pastoral,
Padroeiro Santo Antônio,
São José é do local
também São Domingo Sávio,
Nossa Senhora, afinal.
 
XXXIII
Foi a fé em São Francisco
que no Pici são contadas
a história das mulheres
fincando pé nas Estradas
em rumo à Canindé
com promessas alcançadas.
 
XXXIV
Jesus Cristo é espelho
que nos mostra o caminho
ao lado de São Francisco
a Capela é seu ninho
pra seguir a sua fé
a Lua é o cantinho.
 
XXXV
Em Roma temos o Bispo,
que é o Papa Francisco,
chegou botando moral
limpando todo o cisco,
com muita simplicidade
mesmo correndo o risco.
 
XXXVI
Esse Papa é verdadeiro
consolidando a fé,
honra o nome do Santo,
das Chagas de Canindé,
ou de Assis na Itália,
também da Lua já é.
 
XXXVII
Esse cordel foi pedido,
pela a Coordenação,
que organiza a festa.
ficando em doação
pra ajudar a Capela
fazer arrecadação.
 
XXXVIII
Continue essa história
que só tende a crescer
vinda de luta bonita
que veio acontecer
na década de oitenta
defendendo o bem viver.
 
XXXIV
Você acaba de ler
não é só coisa passada,
é presente aqui agora
da festa continuada
continue protagonista
entre nessa caminhada.
 
REVISADO EM 04/10/2023
 
 
 
 
 
 
  Leonardo Sampaio é natural de Abaiara – Ceará, Região do Cariri Cearense, onde viveu a adolescência em meio ao aboio poético do vaqueiro, o repente dos violeiros, o canto e a dança do coco, o maneiro-pau, o Reisado de Congo e de Careta, o bendito dos Penitentes e das novenas, as coroações de N. Senhora e as procissões missionárias de fé, com cânticos entoados pelas centenas de fieis que formam a miscigenação abaiarenses entre o sagrado e profano que envolve as raças de origens portuguesa, indígena e africana. Um povo aparentemente igual, porém, com deuses diferentes, o deus dos pobres e outro dos ricos, em que até dentro do espaço geográfico do templo se separam, cada classe em seu lugar, para dialogar com seu divino por meio das orações em que um pede para ter mais e o outro para não morrer de fome. Um tanto quanto vivenciou São Francisco, em Assis, sua terra natal na Itália e fez opção pelo Deus dos pobres. Leonardo em sua trajetória pós-adolescência, já na cidade grande se depara novamente com a disparidade de classes sociais, rica, média, pobres e miseráveis e se questiona sobre o poder de um Deus pai onipotente: Que pai é esse com tanto poder que permite essa desigualdade? A resposta veio na Teologia da Libertação com o ver, julgar e agir dentro de uma Igreja, que faz opção pelos pobres, na perspectiva da igualdade social, espelhada no Cristo Libertador e a vida dos primeiros cristãos. Dessa forma dedica sua vida aos pobres, aos trabalhadores/as e desempregados dentro das favelas e organizações sindicais, comunitárias e Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, lutando pela libertação integral da pessoa humana e o Planeta Terra, nossa Casa Comum atacada pela ganância.
 
 
Homenagem
Devemos reconhecer que essa história não existiria hoje, se não fosse a presença marcante e permanente da educadora popular, missionária, mãe, dona de casa e esposa Lúcia Vasconcelos, que ao longo de todo esse tempo, marcado na história desse livro, tem dedicado sua vida à luta do povo sofrido, que busca a libertação, como diz a canção (Zé Vicente), trazendo esperança, seja: no Horto de Plantas Medicinais, no Salão São Francisco, no ESCUTA, na AMORA,  nas CEBs, no CEBI, no Grupo de Mulheres Brilho da Lua, no Reisado do ESCUTA, no Banquete Literário, nas Redes Feministas, na Rede Cearense de Economia Solidária, se articulando com as Organizações Não governamentais e as políticas publicas nas três esferas de Estado para que ofereçam melhorias na qualidade de vida aos povos das comunidades da Fumaça, Feijão, Entrada Lua, Tancredo Neves, N. Sra. da Saúde Mãe da Libertação e Planalto do Pici. Ela é uma mulher destemida que acredita no Cristo Libertador, em Maria Mãe de Jesus com seu canto, quando diz “derruba do trono os poderosos e eleva os humildes”, e São Francisco com sua simplicidade afastando a ganância e praticando o amor e a paz. Lúcia é essa mulher que está sempre pronta para servir, coordenando tudo isso, ouvindo, reunindo e agindo, por isso essa homenagem coletiva.

Chuvas de março e colheita

 Leonardo Sampaio

 Março é um mês de chuvas
O Sertão fica molhado
O mato passa a crescer
Na terra passa o arado
A melancia e o melão
Crescendo na rama do chão
Com colheita no roçado.
 
Chega o período dos Santos
Em março tem São José
Que chega molhando a terra
Para os que creem e têm fé
Em junho chega à colheita
Com mais um Santo que ajeita
O forró que arrasta o pé.
 
É festa pra todo lado
Tem Quadrilhas Juninas
O Sanfoneiro puxa o fole
Pelas terras nordestinas
Já o Santo é São João
Com as bombas e balão
Dança meninos e meninas.
 
Tem Santo casamenteiro
Tem até com a chave do Céu
Pedro e Paulo formam a dupla
Para os dois tiro o chapéu
Com as noites de fogueiras
De festas e brincadeiras
Com noivas e lua de mel.
 
20/03/2023

Bolsonaro inelegível

Leonardo Sampaio
 
A justiça não é cega
retirando Bolsonaro
com Registro Cassado
fica agora sem amparo
tornou-se inelegível
com resultado incrível
justificando o reparo.
 
O abuso de poder
desvio de finalidade
uso de embaixadores
praticou improbidade
notícias improcedentes
mentindo para os agentes
fazendo perversidade.
 
Usou do poder político,
manipulou eleitores.
Fake News era usada
criou falsos protetores
e pregou a ditadura,
com Marechais linha dura,
são lacaios e traidores.
 
Desse, o Brasil livrou-se,
a democracia venceu,
mas o filhote carrasco,
no país permaneceu,
não se pode mais dar trégua,
manda pra Baixa da Égua
vai com quem te elegeu.
 
Oito anos são bem pouco,
tem que levar é cadeia.
Os processos estão aí,
não precisa levar peia,
a justiça vai julgar
botar ele no lugar,
a coisa vai ficar feia.
 
30/06/2023

Pandemia, aula remota e resiliência

 Leonardo Sampaio
 
O ano letivo começa
Ainda em plena endemia
O ano é dois mil e vinte e um
Com doenças e pandemia
Um tal de corona vírus
Causa medo e agonia.
 
Fez as escolas trancarem
Banco, comércio e serviço,
Começou em dois mil e vinte
Não teve reza ou feitiço
Foi logo no mês de março
Que surgiu o desserviço.
 
É um bicho invisível
Não se sabe o seu caminho
Ele chega com violência
Faz você trancar no ninho
Não pode ir ao trabalho
Nem na casa do vizinho.
 
O mundo todo parou
Ninguém disse, eu sou o tal.
As pessoas se apavoraram
Porque o bicho é letal
Não escolhe a idade
Pra todos ele é mortal.
 
Cada família parou
Ficou trancada em casa
Porque a virose se espalha
E o medo da cova rasa
Fez todos se recolherem
Como abelha pra criar asa.
 
As notícias são terríveis
Que se espalham pelo mundo
Brancos, negros e indígenas,
Vão virando moribundo
Sem remédio ou vacina
Tudo vira submundo.
 
Americanos e asiáticos
Africano e europeu
E em todos os continentes
A doença floresceu
E só com vacina acaba
Logo a ciência apareceu.
 
Pra voltar fazer enxame
Todos tem que vacinar
Professores e alunos
Pais não podem vacilar
E toda humanidade
Tem que se imunizar.
 
Seja cristão ou ateu
Não tem discriminação
Todos os deuses indicam
Pra fazer vacinação
Pra acabar o vírus mau
Fazendo imunização.
 
Tenha fé e esperança
Acredite na ciência
E confie nas divindades
No sagrado com a essência
O amor e a equidade
Lhes garante eficiência.
 
Todos os ensinamentos
Das divindades sagradas
São inspirações divinas
Como as ciências integradas
Que produz conhecimentos
Com vacinas preparadas.
 
Quem tem amor ao próximo
Não deixa de vacinar
Quem cuida também se cuida
Para o mundo retornar
Tornando-se novo mundo
Para se viver e amar.
 
A ciência é tão importante
Que criou tecnologias
Sempre muito avançadas
Com boas metodologias
Cheias de muitas perolas
Resiliências e analogias.
 
O/A cientista é obcecado/a
Para criar novidades
Como remédios e vacinas
Transformando realidades
Muitas doenças curadas
Tiveram imunidades.
 
 
Quem foi atacado pelo vírus
Já ficou imunizado
Pelos falecidos os pêsames
E sentimento ilutado
Não leve pra outras pessoas
Tem que ter muito cuidado.
 
Passe gel a todo instante
Lave as mãos com sabão
Não tem vacina e remédio
E a única solução
É prevenir com máscara
Mesmo com vacinação.
 
O mercado financeiro
Não tem nenhum sentimento
Sua meta é só lucrar
A vida é só um momento
Pouco importa quem vai morrer
Só dinheiro é o seu intento.
 
É assim o capitalismo
Só lucro e indiferença
Até mesmo as vacinas
O dinheiro é sua crença
Como pobre não dá lucro
Morte precoce é a sentença.
 
Tem até o negativismo
Que não acredita na ciência
E os fundamentalistas
Que vivem na ignorância
Julgando os cientistas
Com a sua intolerância.
 
Precisa ter mais cuidado
Prevenção da infecção
Marco civilizatório
Pra proteger a nação
Do Covid dezenove
Com muita vacinação.
 
Escolas e faculdades
Vivendo resiliência
Fazendo o sacrifício
Respeitando a ciência
O ensino se reinventando
Nessa nova experiência.
 
O ensino remoto online
É a única solução
Para o aluno ter aula
Isso muda a educação
Os pobres sem celular
Vira precarização.
 
Terá alunos em séries
Sem nenhum conhecimento
Serão semianalfabetos
Sem ter aprimoramento
Passam pras séries seguintes
Distante do ensinamento.
 
Mesmo sendo lentamente
A vacina está chegando
Mas o bicho é sagaz
E vai se modificando
Obrigando uso de máscara
E assim vamos driblando.
 
28/01/2021

Deus foi fiel

 Leonardo Sampaio
 
Faltou a fidelidade
E Deus logo avisou
Já acabou a mamata
E do poder retirou
Bolsomínions infiéis
Que não valem um mireis
Pois nem Deus os suportou.
 
Deus no caso foi fiel
Ele sentiu-se traído
Durante os quatro anos
Todo tempo agredido
Por viver só a matar
Deus resolveu retirar
Porque na alma foi ferido.
 
Se Deus diz “não matarás”
E “seu Reino é de igualdade”
Falsos cristãos lhes negaram
Pregando a falsidade
Juntos com torturadores
Deus sentiu logo as dores
De quem sofre crueldade.
 
Negaram seus mandamentos
E o fascismo aproveitou
Inventaram um messias
E o fanatismo cegou,
Tentam golpe de Estado
Como monstro aloprado
Deus foi lá e os retirou.
 
Mais uma vez, Deus foi fiel,
Afastou os assassinos
Que assassinaram seu filho
Os Verdadeiros ferinos
São violentos e traidores
E da fé usurpadores
Negam de Jesus os ensinos.
 
Não aceitam que os paladinos
Que quer acabar a fome
Possam governar seu país
Pra dar vez a quem não come
Que Jesus veio libertar
E a injustiça acabar
Pra o invisível ter nome.
 
A fidelidade de Deus
Impediu a intervenção
Chegou na hora certa
Pois não aceita traição
Nem mesmo carnificina
Pois tudo que ele ensina
É amor com compaixão.
 
“Pegue sua cruz e siga-me”
Pois “a verdade aparece”
Já que “a palavra liberta”
E Deus em si agradece
Livrando do pandemônio
Afastando o demônio
Que o golpista enaltece.
 
Pra que Deus seja fiel
Tem que haver fidelidade
Seguindo sempre o seu Reino
De justiça e igualdade
Vivendo e partilhando
Amando e aconselhando
Pra vida ter dignidade.
 
A violência é tamanha
Defensores da tortura
Contra negros e indígenas
Pra o pobre rapadura
Miséria e exploração
São pessoas sem coração
Que só vivem na fartura.
 
Eles têm um deus carrasco
Que rouba, mata e explora,
Que defende a ditadura
Queimam e matam a flora
Tudo é capitalismo
Alimentam o racismo
Só o lucro ele adora.
 
Odeiam a democracia
São contra as liberdades
Só o mercado interessa
Criam até suas verdades
Os direitos são negados
E os pobres renegados
Ao acumulo de propriedades.
 
14/01/2023