terça-feira, 27 de abril de 2010

Intersetorialidade na gestão pública


Leonardo Sampaio

A intersetorialidade é uma forma moderna de exercer a gestão pública, tendo como objetivo o olhar para as ações no todo do governo. Dessa forma pode-se identificar que é impossível um ponto crítico de lixo, por exemplo, ser visto apenas como uma questão de infraestrutura, já que o ambiente onde ele se localiza relaciona-se com as políticas públicas em diversos setores da administração, como: educação ambiental, geração de renda, saúde publica, limpeza, educação escolar, formação cultural, bem como os próprios geradores do lixo, identificados no comércio, indústria, residências, hospitais e repartições públicas. Intersetorialidade é, no entanto, o esforço de estabelecer um processo de política intersetorial que tem, necessariamente, de lidar com a tensão decorrente do modo pelo qual os atores de diferentes setores, com diferentes visões sobre um mesmo problema, se relacionam.

Na política de intersetorialidade os gestores passam a ter uma visão sistêmica de como a máquina administrativa do governo esta funcionando, para poder dar resposta a sociedade da maneira como ela cobra e entende o governo. Para a sociedade o governo não pode ser uma coisa particularizada, nem departamentalizada do ponto de vista das práticas e das ações governamentais. Essa é a razão pela qual o governo necessariamente precisa trabalhar a interdisciplinaridade, para alcançar a intersetorialidade e otimizar a gestão com ações conjuntas e contínuas entre os órgãos.

Neste sentido, o Gestor precisa anular a dicotomia interdisciplinar de gerenciamento de órgãos de forma particularizada, partidária e fechada a interesses individuais, já que a forma moderna de gestão pública obrigatoriamente necessita de visão sistêmica do funcionamento da máquina administrativa, para que ela se relacione com as necessidades do município e ofereça qualidade nos serviços e melhoria de vida à população como detentora dos direitos constitucionais e repassadora dos impostos que sustentam todos os serviços públicos. Portanto, as ações governamentais devem sempre buscar a excelência, exercitando suas práticas de intersetorialidade e catalogando resultados realizados com o fazer conjunto em cada Secretaria, órgãos e autarquias, como complementação desenvolvida de forma compartilhada e execução coletiva. “Os diferentes setores de governo e sociedade têm metas e interesses específicos e atuam em função de realizá-los. No entanto, alguns objetivos públicos transcendem os campos de atuação especializados e exigem ações integradas” – (Luciene Burlandy).

Esse modelo de gestão tem mostrado que é o caminho mais viável e seguro de fazer política pública com responsabilidade e eficácia, pois permite construir redes intersetoriais, se articulando com o conjunto de organizações governamentais estaduais e federais, não governamentais formais e informais, para assegurar atendimento integral às necessidades dos diversos segmentos da sociedade, além de facilitar às pessoas acompanhar a gestão participativa com seu olhar crítico, às vezes de satisfação em ter acertado na escolha, outras vezes com sentimentos da incompletude no olhar do todo, devido à ausência de informações ou conhecimentos.

Leonardo Sampaio é pedagogo e assessor em políticas públicas.